Domingo, 17 de Junho de 2018

Alice cresceu

17 JUL 2010Por 07h:15
SãoPaulo

Esqueça a menininha da animação da Disney de 1951. Na nova versão de “Alice no país das maravilhas”, dirigida por Tim Burton, e que chega ao DVD, a protagonista cresceu, tem agora 19 anos e está prestes a se casar. Mas continua tendo sonhos estranhos, e pensa até que é louca.
O filme começa com a festa de noivado de Alice, na Inglaterra do século 19. Uma menina frágil, orfã de pai e que não consegue enfrentar sua mãe nem explicar a origem de seus estranhos sonhos. Na hora do pedido de casamento, ao invés de responder, Alice prefere correr atrás de um coelho que avista no jardim e acaba caindo na toca - a história que todos conhecemos – um buraco fundo que a leva para um mundo distante, surreal e imaginário.
Lá, tudo parece impossível. Os animais e as plantas conversam como os seres humanos, duas rainhas irmãs (a vermelha e a branca) disputam o poder e, para enfrentar os desafios, Alice muda constantemente de tamanho, tomando poções ou comendo bolinhos mágicos.
A grande surpresa do filme é o mergulho de Tim Burton no universo psicológico dos personagens, o que contrapõe às outras versões da clássica história de Lewis Carroll, escrita em 1865, que exploravam mais o surrealismo. Alice foge para o “país das maravilhas” por não ter coragem de expor seus desejos e ir contra a pressão da família que quer forçá-la a se casar. De volta ao seu mundo imaginário, ela não se lembra dos animais e das pessoas com quem conviveu na infância, e fica inclusive magoada quando eles levantam a hipótese de ela ser a Alice “errada”.
Confusa, achando que está só no meio de mais um pesadelo, e sem entender por que não acorda com os beliscões que sempre funcionaram, ela é obrigada a enfrentar seus medos, vencer os desafios e acaba descobrindo ser a “verdadeira” Alice. No meio da briga pelo poder de duas irmãs, enquanto a Rainha Vermelha teme pela sua presença e ordena que lhe cortem a cabeça, a Rainha Branca vê nela a única esperança para recuperar a espada vorpal, vencer o tão temido Jabberwocky e restaurar a paz no “país das maravilhas”.
Numa aventura com passagens que lembram até filmes de ação, Alice se encontra com o chapeleiro maluco, o gato, a lagarta, o coelho, o cão, os gêmeos, o valete de copas, e vários outros personagens imaginários. Seu objetivo principal é seguir um conselho de seu pai: pensar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã. Dominando seu sonho, Alice aprende a dominar sua vida.
Apesar de também ser exibido em 3D, “Alice no país das maravilhas” foi filmado em 2D e sem usar o “motion capture” desenvolvido para “Avatar”. O filme converteu as imagens com uma nova técnica, e o resultado, na telona, ficou bem parecido. Uma fusão perfeita entre os atores reais e os personagens e cenários criados com computação gráfica. Mas o universo lúdico de Alice é bem diferente do futurismo presente no filme de James Cameron. A direção de arte, o figurino e a maquiagem são um capítulo à parte, o que não poderia ser diferente sendo um filme de Tim Burton.

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