Terça, 20 de Fevereiro de 2018

EM TRINCHEIRA OPOSTA

Aliados podem virar rivais em Campo Grande e Dourados

15 NOV 2010Por adilson trindade02h:00

As eleições para a Prefeitura de Campo Grande e Dourados, os dois maiores municípios de Mato Grosso do Sul, podem colocar em confronto antigos aliados. A iminência de guerra acirrada está para acontecer entre o PMDB e PSDB. Parceiros há mais de 20 anos, os dois estão de olho no comando das duas prefeituras. Os tucanos estão decididos a desafiar os peemedebistas para o embate nas urnas.

O deputado federal eleito Reinaldo Azambuja (PSDB) nem bem saiu das urnas e já transferiu o seu domicílio eleitoral para Campo Grande. A atitude dele foi considerada provocação pelas lideranças do PMDB. Ele se apresenta como opção dos tucanos para concorrer à sucessão do prefeito Nelsinho Trad (PMDB). Mas não está sozinho. A vice-presidente nacional do PSDB, senadora Marisa Serrano, pode mudar de ideia e partir para o confronto. Seria uma saída para continuar com mandato eleito, uma vez que em 2014 dificilmente conseguirá a reeleição e espaço para disputar ao Governo do Estado por falta de respaldo político.

O que falta no PMDB é um nome consistente para disputar a Prefeitura de Campo Grande. Especula-se na indicação do secretário estadual de Habitação, Carlos Marun. O seu nome pode não emplacar. A alternativa apontada, nas conversas de bastidores sobre as eleições de 2012, é a escolha da vice-governadora eleita Simone Tebet (PMDB). Ela foi prefeita de Três Lagoas e renunciou na metade do segundo mandato para ocupar a vaga de vice de André Puccinelli (PMDB).

O projeto dela nunca foi a prefeitura da Capital. O sonho da vice-governadora eleita é concorrer, em 2014, a uma vaga no Senado para ocupar a cadeira que foi do seu pai, senador Ramez Tebet (PMDB), falecido em 2006. Mas o seu nome foi incluído pela cúpula do PMDB para disputar a Prefeitura de Campo Grande na falta de outra opção mais viável eleitoralmente.

O PR, hoje grande aliado do PMDB, também, pode ampliar o número de aliados que poderão se transformar em adversários nas eleições municipais. O nome do partido é hoje do deputado federal eleito Edson Giroto. Só que ele é um dos principais braços-direitos do governador André Puccinelli, que se filiou ao PR para acomodação política. André já tentou fazê-lo candidato nas eleições de 2004. Mas o seu nome não emplacou e perdeu a indicação para o atual prefeito Nelsinho Trad.

O que o governador não deve fazer é criar mais obstáculo ao PMDB com a escolha de Giroto na sucessão da Prefeitura da Capital. Por esta razão, não ele, mas outros peemedebistas vão tentar amadurecer a ideia de lançar Simone com o presidente da Câmara Municipal, Paulo Siufi (PMDB) na vice. O problema é que os dois são do mesmo partido e, com isto, fecharia as portas para aliados.

O PDT, sempre fiel aliado do PT, também poderá lançar candidatura própria na disputa pela Prefeitura de Campo Grande. Se isto acontecer, terá o PT como um de seus rivais na sucessão municipal. A principal opção do PDT é o deputado federal Dagoberto Nogueira, que ficará sem mandato por ter sido derrotado na disputa por uma vaga de senador.

Há ainda outros nomes destacados para concorrer à prefeitura. Um deles é do suplente de senador Antonio João Hugo Rodrigues. Hoje ele está no PTB. Mas não deve permanecer no partido depois de fevereiro.

Dourados
Em Dourados, a situação é mais complicada. Além dos aliados PMDB e PSDB se enfrentarem, o DEM aposta na candidatura do vice-governador Murilo Zauith para concorrer às eleições fora de época, em 2011, se confirmada a cassação do mandato do prefeito Ari Artuzi (sem partido) e do vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR). Os dois estão afastados dos cargos por determinação judicial e presos por envolvimento em denúncias de desvio de dinheiro dos cofres da prefeitura.

As próximas eleições para prefeito de Dourados podem ocorrer no próximo ano se os titulares dos cargos (prefeito e vice) forem cassados até o fim do ano. Se a Câmara Municipal deixar para 2011, a escolha será de forma indireta. Ou seja, os vereadores vão eleger os sucessores de Artuzi e Cantor.

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