quinta, 19 de julho de 2018

NOVA ASSEMBLEIA

Aliados e adversários de Chávez fazem protesto

6 JAN 2011Por ESTADÃO00h:00

Correligionários e adversários do presidente venezuelano, Hugo Chávez, realizaram comícios rivais nesta quarta-feira, marcando o início de uma nova Assembleia Nacional enfraquecida pela capacidade do líder de esquerda de governar por decretos.

A antiga Assembleia deu a Chávez poderes de decretar por 18 meses, atando as mãos do novo Parlamento, que tem presença maior da oposição e esperava deter a chamada "revolução socialista" do ex-militar.

Os eleitores da oposição se reuniram no centro de Caracas, antes de os deputados novos assumirem seus assentos. Eles acusam o presidente de dar um "golpe" contra a Assembleia e dizem que ele está transformando o país membro da Opep em uma ditadura.

"Nossa tarefa na Assembleia Nacional é muito clara: parar a imposição do comunismo na Venezuela, este comunismo que cria tristeza, morte e escuridão", disse uma líder da oposição e nova deputada de Caracas, Maria Corina Machado.

Milhares de partidários da oposição se reuniram para celebrar seus deputados em frente à Assembleia, alguns gritando "Abaixo a revolução! Abaixo a corrupção!", enquanto outros agitavam faixas com os dizeres "Estamos de volta!" e "Nós somos a maioria!",

Na esquina do outro lado, as mulheres com camisetas vermelhas pró-governo cantavam: "Ô! A! Chávez não se vá!".

A polícia, incluindo a tropa de choque, bloqueou ruas na região e acompanhou de perto de helicóptero.

Além de poucas brigas isoladas, não houve nenhum dos problemas que afetaram comícios passados.

Chávez, de 56 anos, diz que precisa governar por decreto para acelerar a reconstrução urgente após as enchentes de dezembro, que destruíram a infraestrutura do país e deixaram mais de 140 mil desabrigados.

Ele insiste que está governando em nome de uma maioria pobre oprimida por décadas, até que ele tomou posse em 1999.

"Liberdade"

Todos os lados estão de olho na próxima eleição presidencial em dezembro de 2012, quando Chávez vai tentar a reeleição. A oposição espera encontrar um candidato de unidade que consiga derrotá-lo.

A nova coligação da oposição ganhou cerca de metade do voto popular nas eleições legislativas de setembro, ficando com 40 por cento dos assentos no Parlamento e ganhando um impulso simbólico em sua longa batalha e em grande parte infrutífera contra Chávez.

Em uma primeira sessão tensa da Assembleia, os legisladores de ambos os lados cantaram slogans e se insultaram mutuamente.

Os deputados da oposição carregaram cartazes dizendo "52 por cento" em uma referência ao seu total de votos em setembro, e gritaram "Liberdade" por dois colegas ausentes, preso por acusações de homicídio e corrupção, que, segundo eles, são politicamente motivadas.

Deputados da situação gritaram de volta: "lacaios do império!" e "não vão voltar (ao poder)!".

A oposição retornou à Assembleia depois de cinco anos de ausência por causa de seu boicote à eleição legislativa de 2005, com a qual pretendia denunciar a parcialidade da Justiça eleitoral em relação ao governo, mas sua ação não surtiu efeito e os antichavistas ficaram sem representação na Casa.

Só um pequeno grupo distanciado do chavismo atuou no Legislativo nesses últimos anos.

A Assembleia anterior aprovou em dezembro duas leis para reduzir pela metade suas sessões e as reuniões das comissões, assegurar que os governistas presidam as comissões e impedir que os deputados votem contra seu partido, entre outras medidas.



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