Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

POSTURA

Alckmin defende voto distrital na reforma política

23 FEV 2011Por ESTADÃO00h:00

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu ontem que a reforma política em discussão no Congresso se concentre em um ponto: o voto distrital. De acordo com ele, o voto distrital corrige problemas do voto proporcional, em vigência hoje nas eleições brasileiras. "Eu acho que, se fizesse apenas o voto distrital, a reforma política já teria dado um grande passo", disse Alckmin, após participar do 1.º Fórum do Mercado de Capitais Brasil-China, na capital paulista. "O grande problema hoje da política, com o voto proporcional, é que o cidadão comum não tem a menor chance de ser candidato. Só se elege se estiver atrelado à máquina pública, dinheiro, mídia ou corporações", criticou.

O governador ressaltou ainda que o voto distrital possibilita que as regiões mais pobres sejam representadas. "Eu me concentraria na questão do voto distrital", sugeriu à Comissão de Reforma Política, do Senado Federal. "Aliás, puro, não precisa nem ser misto."

De acordo com Alckmin, se o voto distrital valesse em 2006, os parlamentares envolvidos no escândalo do mensalão, denunciado em 2005, não seriam eleitos novamente. "Se você for verificar, em 2006, aqueles envolvidos no mensalão e nos escândalos, todos seriam derrotados em seus distritos. Mas todos foram reeleitos porque foram buscar votos em outros distritos."

O governador disse ainda ser favorável ao fim das coligações partidárias, mesma opinião manifestada hoje pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG). Conforme Alckmin, as coligações criam um cenário de fragmentação partidária. "É claro que é bom não ter coligação porque isso fortalece o partido político", afirmou. "Na Assembleia Legislativa de São Paulo, há 15 partidos. No Congresso Nacional, há 22 partidos. Você não tem 22 ideologias", analisou.

O Senado iniciou ontem as discussões em torno da reforma política. A comissão criada para tratar do tema pretende examinar, no prazo de 45 dias, 11 pontos estratégicos para uma efetiva reforma, entre eles o financiamento público de campanhas eleitorais e o voto distrital. "Há uma lista de mudanças, mas quando se quer fazer muitas coisas acaba não saindo nada. Eu me concentraria no voto distrital", voltou a recomendar o governador paulista.

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