segunda, 23 de julho de 2018

NATAL

Ainda dá tempo de sanar dívidas para ter crédito

2 NOV 2010Por Infomoney00h:00

Todo mês, cerca de 1,5 mil pessoas buscam informações para tentar regularizar pendências e retirar o nome das listas de inadimplência. Em novembro, esse número costuma saltar para 2 mil e chegar a 2,5 mil às vésperas do Natal, como afirma o economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo.

E todo ano é assim: os consumidores tentam sanar dívidas para voltar a ter crédito e fazer as compras de fim de ano. Para quem pensa que não dá mais tempo para recuperar o poder de compra, pode começar a organizar as contas. “É possível regularizar as pendências para as compras de fim de ano e isso costuma ocorrer até a semana do Natal”, afirma Solimeo.

Segundo ele, o número de pessoas que buscam sanar os débitos cresce nessa temporada devido ao décimo terceiro salário, que ajuda os consumidores a pagar dívidas, e também porque as empresas facilitam a negociação. Afinal, com dinheiro no bolso e crédito na praça o consumidor passa a comprar mais. “Isso facilita e aumenta as vendas”, ressalta o economista.

Por isso, Solimeo aconselha os consumidores para que, se puderem, utilizem o décimo terceiro para deixar as contas em dia. Se não for possível e a única saída for mesmo a negociação, o economista alerta: “para normalizar a renda é preciso planejamento. Não adianta negociar se não for possível cumprir com o acordo”, afirma.

Reorganize as contas...
Seguindo o conselho do economista, o ideal antes de tentar limpar o nome é organizar o orçamento para saber se dá para pagar a dívida integralmente ou mesmo descobrir até quanto dá para comprometer a renda com uma negociação.

“O problema da inadimplência é, além de uma falta de planejamento financeiro do próprio consumidor, a concessão de crédito pelas financeiras superior à capacidade de pagamento das pessoas”, acredita o presidente do Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudos e Defesa das Relações de Consumo), José Geraldo Tardin. “Assim, os deslizes são inevitáveis”, completa.

Para evitar esses deslizes, Tardin recomenda atenção e dá algumas dicas para se livrar ou amenizar o impacto das dívidas no orçamento. Uma delas, como já aconselhou Solimeo, é aproveitar o décimo terceiro para quitar os débitos. Caso tenha dívidas no cartão de crédito, o Ibedec recomenda que o consumidor procure a administradora do cartão para ver a possibilidade de acordo para cancelar ou suspender o cartão, reduzir a dívida e parcelar o pagamento.

Trocar a dívida cara pela mais barata também pode ajudar o consumidor a regularizar as contas. Contratar um empréstimo tipo CDC sai mais em conta que deixar o cartão no rotativo, porque os juros costumam não ultrapassar os 3% ao mês contra os mais de 10% da moeda de plástico. O mesmo vale se a dívida for no cheque especial.

Segundo Tardin, caso o consumidor não consiga um acordo ou uma linha de financiamento para quitar a dívida, ele pode recorrer à Justiça.

...e limpe o seu nome
Depois que você planejou os meios e formas de pagar as dívidas, é hora de colocar o plano em ação. Para a advogada do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) Mariana Feltrin, é preciso ficar atento com as contas, porque se o consumidor deixar de efetuar o pagamento na data do vencimento, o nome dele já pode ser encaminhado para os registros de inadimplência. “Uma notificação será encaminhada ao consumidor para prevenir a inclusão do nome nas listas”, explica Mariana.

A advogada também ressalta que o fornecedor não pode se abster de vender para o consumidor que tiver o nome inscrito. “Entendemos que essa discriminação é abusiva”, afirma. Mariana aconselha os consumidores a buscar seus credores a fim de negociar seus débitos, mas ressalta que as empresas não são obrigadas a aceitar o acordo. Depois da negociação, a instituição tem até cinco dias para retirar o nome do consumidor da lista.
 

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