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Agronegócio exige corredores de exportação

14 MAI 2011Por PORTAL AVESITE00h:01

Há 20 anos, era preciso sair pelo mundo para vender. O quadro mudou, o mundo vem comprar. Essa chance não pode ser desperdiçada. A marcha do agronegócio rumo às novas fronteiras do Centro-Oeste e do Centro Norte/Nordeste permitiu que o Brasil ampliasse paulatinamente a capacidade de gerar excedentes exportáveis, tornando-o o segundo maior supridor do mercado internacional de exportações.

Enquanto no total desse mercado a participação brasileira beirava 1,5% em 2007, no segmento do agronegócio chegava a quase 7%.

Com a crise mundial e a valorização cambial, acentuaram-se as dificuldades da economia brasileira em competir no mercado mundial de manufaturas, determinando que o agronegócio e a mineração sustentassem o quanto possível às contas externas.

Em 2010, quando o saldo comercial do país atingiu US$ 20 bilhões, o do agronegócio foi de US$ 63 bilhões, e sem ele, o rombo comercial seria de US$ 43 bilhões.

Nesse contexto, há um fato decisivo. Em momentos de crise, adia-se a compra do carro novo, da TV ou do computador. Mas com a comida não dá -é uma necessidade de todos os dias, o que determina grande vantagem para a economia brasileira.

Embora o agronegócio tenha mercado franco e preços excepcionais, com a valorização cambial somada às deficiências de infra-estrutura viu estreitar as margens de rentabilidade e, em algumas regiões, determinou o abortamento da produção avaliada em 3 milhões de toneladas de soja e milho.

Os efeitos são devastadores. Perda de renda pode significar prejuízos e dívidas, aumento da pobreza, incapacidade de investimento, menos empregos etc.

A produção abortada representou perda de PIB, com potencial de gerar 50 mil empregos (cálculo feito com os índices de correlação do estudo "Setores Intensivos de Mão de Obra: Uma Atualização do Modelo de Geração de Emprego do BNDES 2001 -Najberg e Ikeda").

Perto de 200 mil jovens completam 18 anos a cada mês, ávidos por oportunidades. Logo, a situação é inaceitável. A análise do Orçamento da União de 2011 mostra um quadro alentador nos investimentos em infra-estrutura.

Melhorias na malha viária do "corredor" de Porto Velho (hoje operando um terço do exportado em Santos com soja/milho), pavimentação da rodovia Cuiabá/Santarém, Ferrovia Norte Sul, hidrovia Tocantins e suas malhas rodoviárias alimentadoras são esforços elogiáveis.

Contudo, se o aumento da produção acontecer e chegar lá nas pontas desses corredores, como exportar se não existe capacidade portuária?

Terminal portuário não se compra em supermercado - são anos de planejamento e de investimento. O Brasil precisa urgentemente rever sua política portuária, admitir a liberdade dos investimentos privados e aproveitar a liquidez financeira internacional.

Há 20 anos, era preciso sair pelo mundo para vender. O quadro mudou e o mundo vem comprar. Essa chance não pode ser desperdiçada. Chega de Copa, de trem-bala, de desarmamento das vítimas etc. O que o Brasil necessita urgentemente é expandir a estrutura portuária.

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