Terça, 20 de Fevereiro de 2018

TERMINAL

Aeroportos do País sofrem com protesto do Santos Dumont

22 DEZ 2010Por IG NOTÍCIAS09h:44

Mesmo com a greve dos aeronautas e aeroviários anunciada para a próxima quinta-feira (23), os aeroportos brasileiros enfrentam problemas nesta quarta-feira, em reflexo dos protestos realizados, por aeroviários, no terminal Santos Dumont. Por volta das 5 horas, cerca de 50 pessoas estavam nos acessos do aeroporto para impedir que os funcionários trabalhassem. Policiais do 13º Batalhão de Polícia foram chamados para conter a manifestação, que terminou por volta das 8 horas.

Segundo a Empresa Brasileira Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), no período do protesto, dos 44 voos programados, oito foram cancelados e quatro registraram atraso superior a 30 minutos. O maior problema aconteceu em um voo da Webjet com destino Guarulhos, em São Paulo, por motivos operacionais. Os passageiros foram acomodados em um avião da Gol. A Infraero também informou que vai programar um reforço de segurança em todo o aeroporto, na quinta-feira.

Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), Selma Balbino, os funcionários estão revoltados com a decisão das empresas em reajustar os salários da classe em 13%. “Não está fácil conter a revolta da categoria. Faremos outras paralisações durante esta quarta-feira”, informou.

Selma Balbino, ainda afirmou que não teme a revolta dos passageiros que forem prejudicados com a paralisação. “A população que culpe o sindicato patronal”. Opinião diferente do sentimento encontrado no terminal.

A advogada Adriana Lopes Bocaiúva, de 34 anos, tinha um voo programado para São Paulo às 7 horas, no Aeroporto Santos Dumont, mas até as 7h40 ela não havia conseguido embarcar. Ela vai viajar a trabalho e pretendia voltar ainda hoje para o Rio. “É um absurdo. O que a população tem haver com isso? Promover um protesto desses próximo do Natal é inconcebível. Alguém tem que fazer alguma coisa. Isso vai ficar um caos amanhã”.

Por volta das 10 horas, o País registrava 24,1% de seus voos atrasados, sendo que 194, dos 806, não cumpriram os horários agendados entre a meia-noite e o momento, segundo informações da Infraero.

No aeroporto Santos Dumont, das 47 partidas programadas, oito foram canceladas, representando 17% do total, enquanto outras cinco partidas registravam problemas com atraso (10,6%). Já no terminal Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, não há registro de cancelamentos, porém, dos 40 voos agendados entre a meia-noite e as 10 horas, 12 estavam atrasados, equivalente a 30%.

Em Cumbica, na cidade de Guarulhos (SP), a situação também estava complicada no início desta quarta-feira, com 48,3% de atrasos, com 29, das 60 operações, fora do horário. Em Congonhas, 22,6% dos voos programados no período sofreram atrasos, enquanto outros nove foram cancelados.

No momento, a Tam era a companhia com maior número de atrasos, com um índice de 40,4% em seus voos. Das 260 operações, 105 partiram fora do horário. A Gol figura em segundo lugar, com taxa de 23,4%, tendo 61, dos 261 voos, atrasados. Já a Webjet apresentava problemas em 18,9% das atividades.

Voos Internacionais

A situação nos aeroportos internacionais brasileiros segue melhor do que no dia anterior, quando houve pico de 25% de problemas nas operações para fora do País, em reflexo aos problemas enfrentados na Europa, por conta da forte nevasca que atinge o Continente. Nesta quarta-feira, os terminais internacionais do País registram 20%. Das 55 atividades previstas, 11 não partiram no horário.

Greve

O fracasso nas negociações com as empresas aéreas, em reunião que ocorreu na terça-feira, em Brasília com intermediação do Ministério Público do Trabalho, fez com que aeroviários e aeronautas mantivessem a data de início da greve das duas categorias a antevéspera de Natal. A greve deve acontecer por conta de um impasse salarial, no qual as empresas não aceitam o reajuste de 15% nos salários dos aeronautas e 13% para os aeroviários. As empresas - representadas pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) - não querem avançar além do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 6,08%, acumulado dos últimos 12 meses (até novembro).

Leia Também