Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

MERCADO EXTERNO

Açúcar, minério e celulose puxam exportação recorde

14 JAN 2011Por Carlos Henrique Braga00h:00

A recuperação das economias mundo afora no ano passado turbinou as exportações de Mato Grosso do Sul, que aumentou as vendas de matéria-prima para industrializados e commodities (mercadorias não industrializadas vendidas em bolsas) para conter a demanda, principalmente de países emergentes.

O valor recorde de US$ 2,96 bilhões (R$ 4,94 bilhões), 52,8% superior ao registrado em 2009 (US$ 1,93 bilhão) foi movido em grande parte pela expansão da soja (+63,6%), pasta química de madeira (76,6%), carne (+13,7%), açúcar (+114,1%) e minérios (+179,1%), segundo relatórios do Ministério do Desenvolvimento. Ontem, cotada a R$ 48 em Campo Grande, a soja estava 34,9% mais cara do que em janeiro do ano passado (R$ 35,58). A arroba do boi gordo, a R$ 94, apresentava valorização de 36,2% em comparação ao mesmo período (valia R$ 69 em janeiro de 2010).

Esses produtos representam 63,8% do comércio internacional e haviam sofrido quedas vertiginosas no ano anterior, da crise que colocou freio no consumo dos estrangeiros mais ricos. Passado o pior, em 2010, a soja pulou de US$ 311,1 milhões para US$ 509,1 milhões em vendas, seguida pela celulose (de US$ 277,1 milhões para US$ 501,3 milhões); carne bovina (de US$ 326 milhões para US$ 371); açúcar (de US$ 154,5 milhões para US$ 331 milhões); e minérios (US$ 98,9 milhões para US$ 276,1 milhões).

As gigantes produtoras, claro, continuam encabeçando a lista de exportadoras. A Fibria Celulose e Papel, de Três Lagoas, aumentou sua fatia de 11,7% para 13,5% de tudo o que foi vendido (US$ 399 milhões). A companhia frigorífica JBS passou de 4,28% para 8,91% (US$ 263,9 milhões), assim como a Mineração Corumbaense, que acelerou seu índice de 1,57% para 6,26% (US$ 185,3 milhões).

Passivo
Bom, mas nada avassalador, segundo análise do economista Ricardo Sena. Apesar de o aumento ter superado o do País (31,4%), o Estado continua "a reboque do crescimento da economia brasileira", sem grandes viradas, e ainda passivo no jogo do comércio internacional.

A representatividade no total exportado pelo País, de 1,46% dos US$ 201,9 bilhões, continua em patamares ínfimos. "Mato Grosso do Sul responde muito passivamente aos movimentos do mercado, mas já começamos a ver algumas iniciativas, como as missões de empresários a outros países", argumenta.

O especialista em agronegócio, Lucas Rasi, lembra que as quebras da safra em países do hemisfério norte, como o trigo da Rússia, alavancaram as vendas brasileiras de produtos básicos saídos de MS. O açúcar, por exemplo, cresceu no mix das usinas sul-mato-grossenses para aplacar a fome dos emergentes, depois que a Índia, grande produtora, teve contratempos climáticos. A carne bovina, que apresentou valorização histórica e preços amargos, não foi evitada porque subiu em todo o mundo.

Leia Também