Campo Grande - MS, quarta, 22 de agosto de 2018

Acaba acareação entre menor e primo de Bruno

27 JUL 2010Por 23h:36
     

        A acareação entre o menor detido na casa do goleiro Bruno de Souza e o primo do atleta, Sérgio Rosa Sales, acabou pouco depois das 20h desta terça-feira (27). Os dois foram levados ao Departamento de Investigações (DI) e os depoimentos anteriores prestados à polícia foram lidos. Os delegados Edson Moreira e Wagner Pinto participaram do evento. O objetivo da polícia é esclarecer as divergências.

        Segundo os advogados, o menor e Sales confirmaram os últimos depoimentos prestados. Marco Antônio Siqueira, que representa Sales, disse que os dois choraram em alguns momentos.

        O advogado Eliézer Jônatas de Almeida Lima, que defende o menor, disse que seu cliente voltou a repetir que foi chamado apenas para "dar um susto" em Eliza e não sabia que ela seria sequestrada. Segundo Lima, o adolescente diz que "foi enganado" quando foi levado para o sítio de Bruno, em Esmeraldas (MG).

No primeiro depoimento, à polícia fluminense, no início deste mês, o menor disse que ele e Luiz Henrique Ferreira Romão, amigo de Bruno conhecido como Macarrão, levaram Eliza do Rio para o sítio do goleiro. Ainda segundo o relato inicial do adolescente, Eliza foi levada para uma casa e foi assassinada por um homem identificado como Neném. O menor também afirmou que Sales tomou conta de Eliza enquanto ela era mantida em cárcere privado, no sítio de Bruno, e que teria ido até o local onde a jovem teria sido morta.

Depois, em outros depoimentos, o menor mudou a sua história. O advogado já havia afirmado que o jovem foi "pressionado" e inventou alguns trechos dos depoimentos. Nesta terça, Lima disse que seu cliente "corrigiu" e "desmentiu" as primeiras versões.

        O advogado Marco Antônio Siqueira disse que esperava a realização da acareação. Ele afirma que Sales foi apenas uma testemunha e não teve envolvimento no sumiço e suposta morta de Eliza. "O menor disse que Sérgio não tem nada a ver com esse episódio", disse Siqueira, citando as declarações feitas nesta terça.

No primeiro depoimento à polícia, Sales disse que viu Eliza machucada no sítio de Bruno e afirmou que o atleta fazia parte do grupo que levou a jovem até o lugar onde ela teria sido morta. Mas o primo do goleiro também mudou a versão inicial e negou que Bruno acompanhou o assassinato de Eliza.

        Segundo Siqueira, nesta terça, Sales confirmou o que foi dito nas últimas vezes que conversou com a polícia e afirmou que Bruno não esteve no lugar onde Eliza teria sido assassinada.

Avaliação
        Os primeiros depoimentos do menor e de Sales são considerados importantes pela polícia, mas apresentaram pontos que não batiam. No início deste mês, os dois afirmaram que Eliza foi morta. O adolescente chegou a indicar o local onde teria ocorrido o assassinato. 

        A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que o delegado Wagner Pinto considerou a acareação "favorável e proveitosa".

        A advogada Cintia Ribeiro de Freitas, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), acompanhou a acareação e disse que não houve irregularidades.

        As mães do menor e de Sales estiveram no DI. Depois da acareação, a mãe do adolescente não deu entrevistas. Angela Maria Rosa Sales disse que acredita na inocência do filho. "Meu filho é honesto e não participou de nada disso. Estou confiante", comentou.

        O menor permanece, provisoriamente, em um centro de internação, em Belo Horizonte. Sales está preso no Centro de Remanejamento de Segurança Prisional (Ceresp) São Cristóvão, também na capital mineira.

        Entenda o caso
        Nascida em Foz do Iguaçu (PR), Eliza Samudio se mudou para São Paulo e posteriormente para o Rio. Em 2009, teve um relacionamento com o goleiro Bruno, engravidou e afirmou que o pai de seu filho é o atleta. O bebê nasceu no início de 2010 e, agora, está com a mãe da jovem, em Mato Grosso do Sul.

        A polícia mineira começou a investigar o sumiço de Eliza em 24 de junho, depois de receber denúncias de que uma mulher foi agredida e morta perto do sítio de Bruno. Até agora, não foram encontrados vestígios do corpo da jovem. Os delegados já consideram Eliza morta.

        Oito pessoas estão presas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por suspeita de envolvimento no desaparecimento da jovem, incluindo Bruno. Todos negam o crime.
         

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