Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

A verdadeira religião

10 JUL 2010Por 20h:50
ivemos numa sociedade que se encontra em meio a uma crise de valores sem precedentes. Existem muitas pessoas de bem, pessoas honestas, justas e corretas que procuram orientar suas vidas e suas ações nos princípios éticos e religiosos. E em certos casos sofrem muito para se manterem nesses princípios. E nem sempre conseguem ser bem-sucedidas.
Existem outras que pouco se importam com esses mesmos princípios e vivem bem e são bem-sucedidas em seus empreendimentos. Fica difícil querer estabelecer normas de conduta, normas de honestidade e mesmo de religiosidade. Sabemos que todo o ser humano de uma forma ou de outra sente a necessidade em seu íntimo de ter alguma divindade em quem crer e em quem buscar luzes que lhe garantam um caminho seguro de realização e de encontro com a felicidade.
Essa divindade pode ter muitas denominações, ou muitas religiões. As principais podem ser assim estabelecidas: Cristianismo, Islamismo, Hinduismo, Confucionismo, Budismo, Sikhismo, Judaísmo, diversas religiões populares chinesas e outras religiões éticas indígenas. Além dessas existem outros grupos que cultuam forças e poderes sobrenaturais.
Cada religião tem seus ritos, suas leis e suas normas de conduta. Tem como objetivo oferecer aos seus adeptos doutrinas e ensinamentos que proporcionem garantias de uma vida honrada neste mundo e um lugar, uma recompensa, ou a certeza de uma vida gloriosa e feliz quando deixar essa habitação terrena e entrar na mansão celeste.
São muitas e variadas as promessas. E surgem as mais diversas especulações. Cada qual oferecendo o melhor e mais precioso lugar na outra vida. Muitas são as mentes que andam perturbadas e querendo ver mais claramente qual seria a religião mais sólida, mais segura e mais verdadeira. Pois todas se apresentam como verdadeiras e como soberanas.
Talvez esse seja o momento para uma reflexão mais séria e mais profunda. Cada qual tem o direito de ser instruído e orientado para o bem e para a verdade. Ninguém pode ser enganado e muito menos forçado a seguir esse ou aquele modo de crer e de viver. Mas seguir aquilo que a própria consciência lhe inspira e lhe revela.
É bom saber que o verdadeiro crente, o verdadeiro religioso não é aquele que sabe muito a respeito de Deus, dos ritos, das leis e dos mandamentos. Mas aquele que, mesmo não conhecendo esses ritos, essas leis e esses mandamentos, sabe colocar a vida e a dignidade das pessoas acima de tudo.
Mesmo não crendo em Deus, mesmo não praticando religião alguma, sabemos que o bem praticado com o coração já é um culto prestado a Deus.
O apóstolo Tiago diz: “Se alguém pensa que é religioso e não sabe controlar a língua, está enganando a si mesmo e sua religião não vale nada. Religião pura e sem mancha diante de Deus, nosso Pai, é esta: socorrer os órfãos e as viúvas em aflição, e manter-se livre da corrupção do mundo” (Tg.1,26-27).
O verdadeiro religioso é aquele que diante de alguém caído e ferido não pensa com a cabeça, mas age com o coração. Não se prende a ritos, mas busca meios para aliviar a dor e salvar.

Frei Venildo Trevizan

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