terça, 14 de agosto de 2018

LITERATURA

A obra do vencedor do prêmio “Camões 2011”

15 MAI 2011Por Agência Estado10h:00

Nunca editado no Brasil e pouco conhecido por aqui, o jornalista e escritor português Manuel António Pina, vencedor do Prêmio Camões 2011, no valor de 100 mil euros, o mais destacado da língua portuguesa. Ele foi escolhido por um júri formado por dois brasileiros, dois portugueses, um angolano e um são-tomense (das ilhas africanas de São Tomé e Príncipe).
Manuel António Pina nasceu na província de Beira Alta, no norte de seu país, e se formou advogado antes de começar a trabalhar como jornalista – em jornal, rádio e televisão. Tem 67 anos e grande prestígio, sendo reconhecido principalmente por seu lado cronista.
Sua obra é “acessível e ao mesmo tempo de grande complexidade”, nas palavras do jurado português Abel Batista, pesquisador especializado nas literaturas brasileira e portuguesa, composta por mais de 40 títulos. É poeta, autor de livros infantis utilizados em escolas e tradutor.
Alguns foram adaptados para o teatro e inspiraram programas de TV. O primeiro livro de poemas veio em 1974: “Ainda não é o fim nem o princípio do mundo. Calma é apenas um pouco tarde”. Em 1973, estreara na literatura infantil com “O país das pessoas de pernas para o ar”. Em 2003, fez a primeira incursão na ficção adulta: “Os papéis de K”.
Pina já havia sido premiado anteriormente, dentro e fora de casa. Já foi traduzido para o inglês, alemão, espanhol, holandês e russo. Seus livros saem atualmente pela editora portuguesa Assírio & Alvim.
Prêmio
O prêmio, de 100 mil euros, é pago pelos governos do Brasil e de Portugal, que o instituíram em 1988. De lá para cá, foram laureados dez portugueses (com Pina), nove brasileiros (os últimos foram Lygia Fagundes Telles, João Ubaldo Ribeiro e, ano passado, Ferreira Gullar), um moçambicano, um cabo-verdiano e dois angolanos.
O critério utilizado pelo júri do Camões, nomeado pelos ministérios da Cultura daqui e de lá, é a representatividade da obra para a língua e a cultura dos países lusófonos. Não há concorrentes – o vencedor só sai quando se chega a um consenso.
Do Brasil, votaram os escritores Edla Van Steen e Antonio Carlos Secchin, este membro da Academia Brasileira de Letras. Os dois lembraram que a iniciativa objetiva tornar autores portugueses e africanos mais conhecidos aqui. “É importante despertar o interesse do público e das editoras para os não brasileiros”, disse Secchin.

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