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sábado, 23 de fevereiro de 2019 - 18h04min

A doença do vampiro existe

4 JUL 10 - 00h:21
SCHEILA CANTO

Todo mundo já ouviu falar de Drácula. Verdade seja dita: a quantidade de pessoas que leu o livro de Bram Stoker que deu origem à lenda é ínfima em comparação com aqueles que a conhecem por meio de filmes ou desenhos. Mas, o fato é que algo na lenda partiu de uma história real, embora algumas características biológicas do personagem, tenham sido aumentadas, deformadas e exageradas para que a ficção tivesse impacto. O sucesso e mito em volta de seres estranhos como lobisomen, vampiros e dráculas rendem até hoje, basta ver a estupenda performance da saga “Crepúsculo”, da autora Stephenie Meyer, que acaba de estrear nos cinemas brasileiros o penúltimo filme da série composta de “Crepúsculo”, “Lua nova”, “Eclipse” e “Amanhecer”.
A doença que deu origem a toda lenda é a porfiria, uma patologia hereditária, causada por uma deformidade das enzimas que compõe o sangue. De acordo com a hematologista, Eveny Cristine Luna Oliveira, a doença é subdividida em sete tipos. As mais comuns são as cutâneas e agudas. “A porfiria eritropoiética congênita quando não tratada faz com que o indivíduo apresente dentes vermelhos, pele desfigurada por lesões graves, excesso de pelos e tornam-se notívagos, sugerindo aí a lenda do lobisomen”, exemplifica a especialista, do Hospital Universitário.
Mas, voltamos aos tipos principais: a aguda intermitente e a cutânea tarda. Nas agudas, predominam os sintomas neuropsiquiátricos e viscerais. A dor abdominal aguda é o sintoma mais comum, ocorrendo também, confusão mental, fobia, alucinações e convulsões. Algumas porfirias agudas podem também desenvolver sintomas cutâneos. Nas porfirias cutânea tarda, os sintomas em geral se restringem à pele, nas partes expostas ao sol, com formação de bolhas, cicatrizes, escurecimento, espessamento e aumento de pelos. É este tipo de porfiria que deu margem às lendas sobre vampirismo em todo o mundo.
Segundo a especialista não há pesquisa sobre a incidência desta doença no Brasil, mas de acordo com pesquisa americana a proporção é de 1/500.000. Fazendo um paralelo com a população brasileira, acredita-se que deva existir 19 mil portadores no País, de ambos os sexos, a partir dos 10 anos de idade.

Tratamento
Segundo a hematologista Eveny Luna, a doença tem tratamento e requer medicamento que não é produzido no Brasil, a hematina. Outras medidas são: transfusões de sangue, flebotomia (sangria), ou seja, há uma retirada do sangue para diminuir excesso de ferro e da enzima na corrente sanguínea.
Porém, a maior dificuldade é a falta de conhecimento sobre as porfirias. É difícil o diagnóstico, assim como é difícil o tratamento. Não existem laboratórios e hospitais de referência, nem particulares, nem do SUS (Sistema Único de Saúde).
O tempo de tratamento depende de cada caso. Sendo uma doença genética, convive-se com ela a vida toda. “No entanto, muitos dos portadores da mutação genética nunca vão desenvolver uma crise, pois é necessário um ou mais fatores desencadeantes (exposição solar, álcool, estresse e hormônios) para que isso aconteça”, acrescenta.

Preconceito
No Brasil existe a Associação Brasileira de Porfiria (www.porfiria.org.br), cuja a missão é a de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, lutando por melhor diagnóstico, atendimento e tratamento. Além disso, tenta desmitificar a doença, para que o preconceito em torno dela diminua.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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