Segunda, 18 de Dezembro de 2017

CORREIO EMPREGO&CARREIRA

A coragem de mudar de emprego e investir em uma nova profissão

2 FEV 2014Por GABRIEL PAVÃO16h:30

Cinco anos de estudos intensos durante a faculdade de Direito e o trabalho em um escritório de advocacia foram trocados pela paixão por maquiagem. Aos 25 anos, Mara Lenk teve coragem de mudar de emprego e investir em uma nova profissão. Ela diz que não se arrepende da troca e que os fatores decisivos para a mudança foram o lado financeiro e a qualidade de vida.

“Eu falo que a maquiagem foi uma coisa que aconteceu naturalmente na minha vida. Na verdade eu já havia tido contato com isso em São Paulo, em 2008, mas lá o mercado era diferente, por isso voltei para Campo Grande e comecei a fazer faculdade de Direito. Como o mercado daqui não era propício eu nem imaginei virar maquiadora. Quem me conheceu lá no começo da faculdade viu que eu era apaixonada pelo curso e que foi uma mudança muito radical depois de formada. Se eu tivesse começado com a maquiagem antes como profissão eu nunca teria feito Direito, mas como aconteceu de verdade no decorrer do curso, eu tinha que terminar pelo menos”, lembra.

Mara conta que durante dois anos tentou conciliar os estudos e o emprego de assistente jurídico com as maquiagens em amigas e parentes aos fins de semana, mas quando começou a ficar sobrecarregada decidiu optar entre as duas carreiras. “Antes fazia maquiagem de graça em uma amiga. A outra viu, gostou e me chamou novamente. Então vi que dava pra ganhar alguma coisinha de dinheiro e comecei a investir, comprar alguns produtos, mas ainda era uma brincadeira. Quando percebi que às vezes estava no escritório trabalhando e ao mesmo tempo pensando em maquiagem decidi optar por uma delas pra não acabar prejudicando as duas coisas”, explica.

A brincadeira ficou séria no começo de 2012, depois de terminar a faculdade. Apesar da paixão por maquiagem, Mara lembra que não foi tão fácil assim tomar a decisão. Questionada sobre o fator decisivo para a mudança, ela aponta o ganho salarial.

“Posso ser bem sincera? Eram duas paixões, mas chegou a um ponto em que a maquiagem me dava cinco vezes mais dinheiro do que o Direito. Aí tive que optar. Desde criança eu pintava as meninas na escola com canetinha. Com Direito eu trabalhava oito horas por dia, ganhava super mal, talvez por falta de talento, porque é um mercado difícil. Com a maquiagem hoje eu trabalho praticamente só fim de semana, tenho horário pra fazer atividade física, tenho tempo pra viajar. Tenho qualidade de vida”, avalia.

Apesar das vantagens da mudança, a maquiadora conta que a mãe não aceitou muito bem a troca. “Ainda hoje ela não aceita muito bem essa mudança. Fala que eu fiz uma faculdade e não vou atuar na área, que investi tempo, estudo, dinheiro. Mas, mãe é mais protetora mesmo, sempre fica com o pé atrás”, afirma. A busca pelo trabalho prazeroso também encorajou a jovem na decisão. Ela conta que em conversas com amigos também foi estimulada pelo dom e talento que eles afirmavam que ela tinha. “Acho que quando a gente tem talento é mais fácil se destacar e conseguir reconhecimento na profissão. Antes eu pensava em voltar para a área que me formei e prestar concurso público, mas hoje não penso mais. A maioria das pessoas passa a maior parte do seu tempo trabalhando. E se elas não são felizes no seu trabalho, vão ser felizes onde? Todo ser humano busca realização profissional. Então quando a gente encontra não tem por que mudar. Eu encontrei e não me arrependo da escolha”, reflete.

A mudança foi positiva, mas também tem o lado negativo, como por exemplo a incerteza do fluxo de trabalho e a dependência disso para ter renda. Mara conta que às vezes ganha em um dia o que recebia mensalmente no escritório e aproveita para ressaltar que isso também pode ser perigoso. “É mais arriscado, claro, porque agora eu dependo da quantidade de clientes, por isso preciso divulgar meu trabalho sempre, pra sempre ter trabalho”, afirma.

Atualmente Mara é sócia em um salão, onde é responsável pela maquiagem, principalmente de noivas, apesar de também fazer penteados. A nova profissão rende planos futuros. “Pretendo futuramente ter um estúdio focado para noivas e investir em uma escola de maquiagem pra formar profissionais da área porque acho que Campo Grande carece disso”, conta.

Nem tão raros

Casos como o de Mara não são tão raros, segundo a consultora de Recursos Humanos, Márcia Sayd Bellé. Ela afirma que as mulheres têm melhor capacidade de adaptação a diferentes condições e situações de emprego, mas que o sucesso na mudança depende da forma como a pessoa encara a situação.

“Quando o profissional age de forma madura, profissional e planejada, a probabilidade de dar certo é grande. O que acontece é que alguns profissionais buscam a mudança mais pela insatisfação dos rendimentos na atual profissão do que pelos dons, habilidades ou afinidades com a nova profissão. O que hoje em dia é bastante comum são profissionais altamente especializados, quando se aposentam, buscam uma atividade de realização, “dos sonhos”’, explica.

Sobre as principais dificuldades no processo de mudança, Márcia aponta a mudança de ritmo, a condição econômica diferente da que está acostumado e sair de uma situação onde “ensina” para uma de “aprendiz”. 

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