Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

2010 pode terminar com 7,6 milhões de diabéticos no Brasil

23 OUT 2010Por 00h:01

Dados recentes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), apontam que 7,6 milhões de brasileiros entre 20 e 79 anos de idade devem apresentar o quadro de diabetes neste ano. As estimativas para os próximos 20 anos são ainda mais preocupantes. Segundo a IDF, em 2030, serão 12,7 milhões de brasileiros atingidos pela doença que pode cegar. Em praticamente todos os países desenvolvidos, o diabetes é classificado entre as principais causas de insuficiência renal, amputação de membros inferiores e cegueira. A maior causa de cegueira em pacientes com o quadro de diabetes é o edema macular. Trata-se de um inchaço na mácula, a região central da retina, local onde se formam as imagens de maior qualidade captadas pelos olhos, explica a oftalmologista do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Luciana de Sá Quirino.

Segundo a especialista, o edema macular diabético atinge principalmente pacientes de diabetes tipo 2, a mais comum. A médica afirma que o surgimento do inchaço está relacionado a fatores como pressão arterial, ao tempo que o portador tem o problema e ao controle do diabetes. “O paciente diabético, principalmente o descompensado (apresenta altas taxas de glicemia no sangue) pode ser acometido de grande fragilidade nos vasos sanguíneos retinianos, levando, muitas vezes, a ocorrência de vazamentos nessa região, o que causa o edema. Quanto maior for o tempo de diabetes, maiores as chances de desenvolver o edema”, assinala.

Visão - A perda na quantidade e na qualidade de visão são os primeiros sinais da presença do edema macular diabético, alerta a especialista do HOB. Ela observa que “como a mácula é a região responsável pela visão de qualidade, quando há o inchaço na área, a visão central sofre, o que leva o paciente a enxergar menos. Sem tratamento, a visão fica cada vez pior e as chances de retornar à qualidade e quantidade de visão anteriores são reduzidas.

Diagnóstico - Luciana Quirino lista alguns exames essenciais para o diagnóstico do edema macular diabético. “São basicamente três os exames necessários. O mapeamento de retina permite a avaliação da retina até sua extrema periferia. Já o OCT (Tomografia de Coerência Óptica) serve para quantificar e qualificar o edema. Por fim, a angiofluorescência consiste na injeção de contraste na veia para o registro fotográfico, através de instrumento específico, dos vasos que apresentam danos”, esclarece.

Tratamento - A forma de tratamento mais usual quando o diagnóstico de edema macular diabético e feito no início da doença é a fotocoagulação a laser. O procedimento consiste na cicatrização dos vasos rompidos por meio da ação de laser sobre área danificada. Existem basicamente dois métodos no tratamento de fotocoagulação, o focal e o grid. O primeiro direciona o laser para os vasos danificados. Já no segundo, o laser isola, como se fosse uma cerca, a área danificada, faz com que pare o vazamento na região e diminua o inchaço na mácula, descreve Luciana. Ainda segundo a médica do HOB, a fotocoagulação a laser diminui a concentração de Fator Endotelial Vascular (VEGF), um hormônio produzido pelo corpo humano, presente excessivamente em pacientes com quadro de diabetes. Se o diagnóstico de edema for obtido quando o paciente apresenta o estágio mais avançado do problema, o tratamento mais indicado é a injeção em cavidade vítrea de fatores anti-VEGF e/ou de corticóides.

A especialista destaca que “as injeções apresentam resultado em curto prazo. Entretanto, independente da injeção, o paciente deve fazer a fotocoagulação para que a mácula não volte a inchar”. Ela lembra que o edema macular diabético tem cura e o paciente pode recuperar tanto a quantidade quanto a qualidade de visão perdidas se o tratamento for realizado de forma correta e acompanhado por um especialista.

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