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Campo Grande - MS, sábado, 15 de dezembro de 2018

Felicidade

Sorrir faz bem

6 NOV 2010Por Thiago Andrade00h:20

Aquilo que caracteriza o homem, entre outras coisas, é o riso. Portanto, nada mais justo que um dia em sua comemoração. Como explica o filósofo francês Henri Bergson, em seu livro “O riso – ensaio sobre a significação do cômico”, poderia-se definir o humano como ser que faz rir, pois, se algum outro animal ou objeto inanimado consegue fazer rir, é em razão de alguma semelhança com o homem, a marca que o homem lhe imprime ou ao uso que ele lhe dá. Celebrar o sorriso é celebrar o ser humano. No entanto, permanece a questão: por que o riso nunca é levado a sério?

“Conter o riso tem relação com a ideia de civilidade, ou seja, rir em excesso mostra que não tenho controle sobre meu corpo. Diante de valores civilizados, comportamentos como comer com as mãos ou gargalhar tornam-se indesejados”, comenta Mirian Goldenberg, doutora em Antropologia e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sobre certo descaso que existe com o ato de rir. No Brasil, entretanto, o valor de um sorriso é muito grande. “Ele é um capital no mercado profissional, matrimonial e de todos os relacionamentos. Um bom sorriso abre portas”, ressalta ela.

A ideia de que sorriso e seriedade nada têm a ver é bastante comum, no entanto, o psicólogo Rômulo Said Monteiro, de Campo Grande, que atua na área de psicodrama, acredita que ser sério não é ser sisudo. “A seriedade não elimina o bom humor. Tem gente, principalmente em cargos de chefia, que veste essa camiseta e não sorri, não faz nada para ser simpático em nome da seriedade”, critica.

Entre os nomes citados por Rômulo como pessoas que equilibram bem a leveza do riso e a seriedade, estão o presidente Lula e o empresário Steve Jobs, da Apple, os primeiros da lista.
Já deu para perceber que o sorriso é uma forma de se comunicar. Talvez, um dos principais elementos da comunicação não-verbal dos seres humanos. Contudo, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman teoriza sobre o riso no livro “Em busca da política”, no qual afirma que “há um pouco de ambivalência em todo o riso: um lado mau, por não serem as coisas tão estáveis e confiáveis como pretendem; e um lado bom, por não serem tão duras e sufocantes como parecem”. Mas ele também alerta que o riso e o medo nascem no mesmo caule.

Isso abre portas para lembrar que rir também é uma forma de escárnio. “Existe um riso negativo. Ele agride, violenta e causa mal-estar. O pior de tudo é que o limite que separa um do outro é muito delicado”, explica  Mirian Goldenberg. Para a antropóloga, no entanto, não é tanto o conteúdo que agride, mas, principalmente, quem faz a piada. “Permitimos certas brincadeiras de amigos íntimos, mas não aceitamos quando são feitas por desconhecidos. É sempre bom lembrar disso”, aponta. Rir com o outro é melhor que rir do outro; e nada é mais importante que saber rir de si mesmo.

Espontaneidade
Rômulo acrescenta que o riso é uma ótima forma de praticar a espontaneidade. “É possível perceber a risada como sinônimo de leveza, de graça no ambiente. Quando nos deparamos com alguém que não sorri, existe aquela impressão de que tudo foi ensaiado, de que falta expressão ou alegria”, afirma. Segundo Rômulo, o riso é uma forma de relaxar diante do mundo,  uma espécie de catarse que purifica a alma por meio da descarga emocional. “É fácil perceber como ele é utilizado na terapia”.

Para os brasileiros, o sorriso é uma constante em todos os relacionamentos. Ficar de cara fechada em determinados ambientes é certeza de ser excluído. “Gilberto Freyre já mostrou como, desde a nossa colonização, o riso e a risada estiveram presentes e aproximaram os diversos povos que vieram para cá. Difícil imaginar a ausência da risada na nossa cultura”, aponta Mirian.

No final das contas, o que importa é que sorrir faz bem, desde que seja saudável e honesto. “Ser autêntico é primordial, não preciso rir se não sinto vontade e não devo evitar quando quero sorrir”, defende Rômulo. Já a antropóloga Mirian acredita que o rir indica algo mais amplo, uma maneira de enxergar a vida e os problemas, sempre de forma positiva. “Podemos rir para superar os problemas cotidianos, não levar tudo tão a sério, nem nos levar tão a sério, ser mais simples e aproveitar os pequenos prazeres. Quem ri é mais positivo e leve”, pontua.

Funciona como terapia diária
O riso tem uso terapêutico. Sempre se ouve que rir é o melhor remédio e provou-se que o ditado popular tem lá suas verdades. Embora exista desde meados da década de 1960, a risoterapia vem se mostrando uma forma alternativa de cura que pode oferecer ótimos resultados. Em São Paulo, a criação do Espaço do Riso, completamente dedicado ao bom humor, é uma prova de como as risadas e gargalhadas devem ser levadas a sério. O local deverá promover palestras, consultorias, criar o Clube da Gargalhada de São Paulo e praticar ginásticas do riso.

Idealizado por Marcelo Pinto, que estudou Direito, mas decidiu se voltar para a saúde e os efeitos do riso sobre ela, o espaço é uma das provas de que o bom humor é uma terapia eficaz. Outro que decidiu levar a risoterapia a sério foi o clínico-geral e homeopata Eduardo Lambert, especializado em terapias sistêmicas e autor do livro “Terapia do riso – a cura pela alegria”. Para ele, o riso é um grande estimulante, fazendo com que o cérebro seja excitado, por meio do hipotálamo, que sintetiza as endorfinas, produzindo momentos de bom humor. As substâncias têm funções analgésicas, similares às morfinas.

Efeitos da gargalhada
Coração: O ritmo cardíaco acelera e, pulsando com mais vigor, faz circular mais sangue pelo organismo. Isso aumenta a oxigenação dos tecidos.

Pulmões: A risada aumenta a absorção de oxigênio pelos pulmões. A inalação de ar é mais profunda e a expiração, mais forte. Com a maior ventilação pulmonar, o excesso de dióxido de carbono e vapores residuais são eliminados, promovendo uma espécie de “faxina” nos pulmões.

Músculos Abdominais: O grupo muscular mais exercitado durante a risada é o abdominal. Esses movimentos funcionam como uma massagem para o sistema gastrintestinal. Portanto, rir facilita a digestão e o funcionamento do aparelho intestinal.

Vasos Sanguíneos: Com o maior bombeamento de sangue promovido pelo coração, os vasos sanguíneos se dilatam e a pressão arterial baixa.

Sistema Imunológico: A risada faz com que o nível dos hormônios responsáveis pelo estresse baixe. Com menos cortisol e adrenalina circulando no organismo o sistema imunológico se fortalece. A produção de células de defesa do organismo aumenta e elas se tornam mais ativas.

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