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terça, 19 de fevereiro de 2019 - 01h38min

Entenda

Por que os beagles são usados em pesquisas de medicamentos?

22 OUT 13 - 00h:00Terra

Na última sexta-feira, ativistas de direitos dos animais invadiram o Instituto de Pesquisa Royal, em São Roque (SP), para libertar centenas de cachorros da raça beagle que seriam usados em testes para a fabricação de medicamentos. Mas por que esta raça de cachorro é utilizada nas pesquisas?

A resposta, segundo a professora de farmacologia e toxicologia veterinária da Universidade de São Paulo (USP) Silvana Gorniak está na padronização genética dos beagles. "Para testar a eficácia de um medicamento não se pode pegar um animal gordo, outro magro, um grande, outro pequeno. Com cacarcterísticas diferentes, as respostas também seriam diferentes. Então precisa-se ter um padrão igual para não ter variável", explica a pesquisadora.

Segundo ela, os beagles têm esse padrão porque correspondem a uma raça muito antiga, que já se fez o mapeamento genético. "O cruzamento é feito de maneira racional, controlada. Eles são geneticamente iguais", afirma a especialista, que também é representante do Conselho Federal de Medicina Veterinária. Silvana diz que também conta na decisão de usar os beagles o porte dos animais – são cachorros pequenos – e a característica de serem dóceis.

Sobre a utilização de cachorros – em vez de camundongos, por exemplo – ela explica que em alguns casos se faz necessário por apresentarem fisiologia mais próxima do ser humano. "Quando o medicamento vai ser usado por muito tempo, como oncológico (para tratar o câncer), ou anti-aids, o teste em cachorros é preciso para preservar a saúde do ser humano", afirma ao ressaltar que os testes em ratos, ou apenas em culturas de laboratório, podem não ser tão eficientes.

Ela ainda explica que qualquer pesquisa com animais precisa passar pela avaliação do Conselho Nacional de Experimentação Animal (Consea), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Entre as exigências do conselho estão que as pesquisas não causem nenhum tipo de maus-tratos aos animais e que seja formado um comitê dentro de cada local de teste, composto por um veterinário, um biológo, um pesquisador e um representante de ONG de proteção animal. Cada teste passa, necessariamente, pela supervisão deste comitê.

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