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Campo Grande - MS, sábado, 17 de novembro de 2018

MEMÓRIA

Tonelada abandonada de peixes faz de estrada para Rochedo a 'via do fedor'

Cheiro insuportável de pacus podres empesteou imaginário na Capital

8 NOV 2018Por RAFAEL RIBEIRO17h:00

ACONTECEU EM 1973...

Nunca uma viagem até Rochedo foi tão fedorenta...

Pelo menos essa é a conclusão que podemos tirar a partir da foto de capa da edição do Correio do Estado de 9 de novembro de 1973.

A montanha de peixes mortos às margens da rodovia que liga Campo Grande a Rochedo, hoje conhecida oficialmente por MS-080, intrigava viajantes e até moradores da região. Muito mais pela cena bucólica, o mau cheiro fazia lembrar da existência da cerca de uma tonelada de animais mortos abandonados no local.

"Contrabandistas perdem mil quilos de peixe", é a chamada da reportagem da página dois daquela edição. 

No texto é informado que há uma semana os peixes pacus apodreciam livremente no local, provavelmente abanonados por contrabandistas no retorno de pescarias ilegais em Rochedo e Coxim. "Pessoas ligadas à Secretaria da Fazenda Estadual acham que esta é a única versão que poderá explicar o fato", diz um trecho.

Moradores da região relataram que viram um caminhão estacionado nas proximidades. E que possivelmente o peixe, já em estado de putrefação, "alí teria sido largado."

O mistério criado em torno do abandono dos pescados figurou por pelo menos um mês nas páginas do Correio

Em época remota, sem as capacidades tecnológicas, todos queriam descobrir quem abandonou a tonelada de pacus, fazendo a rota até Rochedo ser conhecida como a "estrada do fedor." O apelido, prejorativo, felizmente foi esquecido com o passar dos anos. 

De concreto, como se informara no final daquele mês, apenas a informação do então Governo do Mato Grosso de que o motorista abandonou a gigante carga pelo fato do apodrecimento precoce dos peixes com o forte calor (sinal dos tempos, também).

Se moradores e motoristas tampavam os narizes ao passarem pelo local, quem saiu ganhando foram os criadores de porcos, que durante pouco mais de duas semanas tiveram comida grátis para seus animais. Uma boa lembrança em meio ao cheiro ruim impactante que embalou as lembranças de quem circulou pela MS-080 naquele novembro de 45 anos atrás.

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