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Campo Grande - MS, sábado, 15 de dezembro de 2018

MEMÓRIA

O que parecia impossível aconteceu. E o Papa veio a Campo Grande...

Com supercobertura, Correio relatou visita de líder religioso à Capital

18 OUT 2018Por RAFAEL RIBEIRO13h:00

ACONTECEU EM 1991...

Os sul-mato-grossenses ainda festejavam o 14º aniversário da divisão do Estado quando, no dia 14 de outubro de 1991, o Correio do Estado quebrou recorde de circulação anunciando o presente que todos esperavam em sua manchete: "Confirmada a vinda do Papa".

Pois é nobre leitor, o 'Memória' desta semana volta ao tempo 27 anos para relembrar a segunda visita oficial de um Chefe de Estado à nossa Capital, ele mesmo, o Papa João Paulo II, líder da Igreja Católica e do Vaticano.

O papado do polonês Karol Józef Wojtyła começou em 16 de outubro de 1978. Foi o terceiro maior pontificado documentado da história, só terminando em sua morte, em 2 de abril de 2005.

De caráter progressista, João Paulo II eternizou o lema "o Papa é pop." Foi um dos líderes católicos que mais viajou, visitando oficialmente 129 países em mais de 1,7 milhão de quilômetros percorridos. Na bagagem, levou soluções para conflitos, ajudou no término de ditaduras e pacificou a relação da Igreja Católica com outras religiões.

No Brasil, João Paulo II esteve oficialmenmte em três oportunidades. A primeira, em 1980, marcou a primeira visita de um papa ao Brasil, com o pontífice percorrendo 13 cidades em 12 dias. Na última, em 1997, ficou por quatro dias no Rio de Janeiro (RJ) em um encontro de jovens católicos. 

Mas é a segunda visita, em 1991, que marcou os campo-grandenses, afinal a capital de Mato Grosso do Sul foi uma das dez visitadas pelo líder católico.

A BENÇÃO JOÃO DE DEUS

A princípio, João Paulo II apenas viria ao Brasil para beatificar Irmã Dulce, em cerimônia marcada para Salvador (BA). Mas em agosto daquele ano, lideranças do Vaticano atenderam pedido do então presidente Fernando Collor de Mello para que o Papa circulasse pelo País. 

Abriu-se as 'candidaturas' para quem quisesse receber o pontífice. E o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul se prontificou a ser uma das 'sedes'. Em 25 de setembro, na primeira visita ao terreno no bairro Santo Amaro, região norte, que hoje todo campo-grandense conhece como 'Praça do Papa', o grupo de diplomatas do Itamaraty se assustou com as condições da obra e colocou em cheque a vinda do Papa.

"O secretário do Itamaraty, Fernando Jablonski, recuperou-se na quinta-feira do susto que levou no dia 25 de setembro, quando vistoriou pela primeira vez o local onde o Papa vai rezar a missa. Percorrendo o local pela segunda vez, afirmou: "Agora posso dizer que o Papa virá a Campo Grande", diz o texto que alegrou os corações campo-grandenses.

João Paulo II já estava no Brasil quando o Correio foi às bancas. Na reportagem, números impressionantes: missa para 300 mil pessoas, acompanhada por 700 jornalistas credenciados de todo o mundo. Nunca uma cobertura em Mato Grosso do Sul mobilizou tanta gente.

Não foi só. Campo Grande se transformu para receber o pontífice. A região do Santo Amaro ganhou outdoors até em quintas, moradores vendiam de tudo, de água, refrigerante e cerveja (por que não para combater o calor) até salgados, vagas de estacionamento em garagens, uso de banheiro e outros. Cenário tradicional de grandes eventos. Faltava o ingrediente principal.


Nem todo mundo ficou feliz com a vinda do papa, como reportagem na capa do Correio mostrou...

E ELE CHEGA

João Paulo II chegou a Campo Grande às 19h28 de 16 de outubro, vindo do Nordeste. Ainda na Base Aérea, o Pontífice quebrou protocolos, como ter a mão da então primeira-dama municipal, cumprimentou funcionários do local e demonstrou ampla simpatia no trajeto até o bairro Santo Amaro, distribuindo acenos a populares que já se acotovelavam para vê-lo.


A estadia do Papa em Campo Grande durou exatos 23 horas, conforme o Correio revela em suas páginas. No dia 17, o pontífice visitou pela manha o Hospital São Julião, onde benzeu doentes e cumprimentou presentes.

Simpático, João Paulo II não se abateu com o calor que ultrapassava 30ºC. Na saida do hospital, na troca de carros em uma travessa, onde enfim en]mbarcaria no mundialmente conhecido 'papamóvel' para ir até a praça onde celebraria a missa, não se intimidou pelo aviso de segurança e foi cumprimentar as cercas de 300 pessoas que disputavam cada centímetro da estreiuta via para vê-lo.

A missa, com cerca de 100 mil presentes, número bem menor que oe stimado inicialmente, entrou para a história como o maior evento religioso já ocorrido em Mato Grosso do Sul. Os católicos saíram felizes poor verem seu líder espiritual em sua terra, os ambulantes reclamaram do prejuízo e da ação dos fiscais da prefeitura. E o Correio quebrou recordes de circulação com uma cobertura histórica, com mais de dez páginas, que você pode conferir abaixo. 


 

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