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terça, 19 de fevereiro de 2019 - 01h38min

MEMÓRIA

Em 1971, Correio anunciava com todo o destaque: nascia o Lago do Amor

Ameaçado, ponto da Capital era esperança de charme a mais em futura Capital

7 FEV 19 - 00h:05RAFAEL RIBEIRO

ACONTECEU EM 1971...

Bom dia, boa tarde,  boa noite estimados leitores... Como estão vocês? Esperamos que tudo bem...

Desde o nascimento desse espaço, já há alguns meses (quem diria!) existem alguns temas recorrentes pedidos por vocês, a parte mais importante desse trabalho de resgate da memória. Quase sempre uma certa 'bruxa de um bairro' e um certo 'disco voador que apareceu em um jogo de futebol' lideram as mensagens enviadas por vocês.

Ok, fazemos nossa meia culpa e prometemos que vamos um dia trazer esses dois gigantescos causos campo-grandenses(fica aqui a propaganda para nossa outra coluna).

Mas por enquanto é hora de realizar outro desejo de vocês para o Memórias do Correio: resgatar inauguração, construção ou quem sabe a mera intenção das grandes obras ou pontos turísticos da bela Cidade Morena.

Fizermos isso uma vez, com o Bidezão (O quê? Você perdeu? Só clicar aqui, ora bolas). 

E agora chegou a vez da 'praia campo-grandense', um dos cenários mais bonitos da Capital, o Lago do Amor. Até como forma de felicitar nossa casa, agora uma bela senhora de 65 anos. Parabéns Correio do Estado.

Em 1971: jornal festejou a construção de mais um símbolo daquela que viria se tornar capital depois da divisão do Estado
47 anos depois: no clique do fotógrafo Luiz Alberto, as mudanças forçadas pelo tempo. E pelo descuido do homem: risco de acabar

ÍCONE NA CIDADE

O texto traz a ressalva, três pessoas já haviam morrido afogadas no espaço, mesmo sem ter sido inaugurado.

Mas no principal espaço da capa do dia 8 de janeiro de 1971, o Correio anuncia o que os moradores queriam ouvir: "Lago do Amor será grande atração de Campo Grande."

A reportagem traz fotos históricas da área do lago, integrante do grande projeto de urbanização do entorno da hoje Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no bairo Universitário, na região sul, que engloba também a Cidade Universitária e, claro, o Morenão, cujo nome oficial é o do mentor de toda a obra: Pedro Pedrossian.

Com cinco mil metros quadrados e 3,50 metros de profundidade em sua inauguração, o Lago do Amor se tornou, à época, o segundo maior lago artificial do Brasil, sendo ultrapassado apenas pelo Paranoá, em Brasília (DF).

De acordo com o texto, além de trazer "mais diversões aquáticas" ao campo-grandense, o lago também teria como objetivo amenizar o clima da cidade.

Se cumpriu hoje, 47 anos depois, o objetivo, sabemos que não. Enquanto você, nobre leitor, se delicia com o texto primoroso de 1971, esse escriba lhe faz obrigatório a saber da condição atual do Lago do Amor, ainda um grande ponto turístico e de encontro da hoje Capital, mas com sérios problemas.

Em março de 2017, relatório da UFMS obtido pelo Correio mostrou que há o sério risco do espaço desaparecer em 21 anos. Isso devido ao processo de assoreamento, que começou a ser monitorado em 2002. De lá pra cá, o corpo d’água já perdeu mais de 30% de sua capacidade de volume, dando lugar aos sedimentos. Em área, a perda corresponde à extensão de três campos de futebol.  

Entre agosto de 2008 e março de 2017, o volume do lago havia reduzido o valor correspondente a 58.500 metros quadrados, o mesmo que 23 piscinas olímpicas.

A principal razão do assoreamento é a ação humana, seja através de obras e construções no entorno das Bacias dos córregos Bandeira e Cabaças, que fornecem água ao lago, ou ao jogar lixo nas galerias pluviais.

Sem água e sem animais. Os espécimes que são atração e fazem do lago um zoológico a céu aberto, como capivaras e jacarés, somem, ameaçados com o grande volume de lixo e poluição do entorno.

Por isso, nos despedimos, mais do que com uma mera lembrança saudosista, mas um alerta: que nossa página de 1971 não entre para a história como a do Bidezão: um empreendimento público falido que precisará ser descartado com a imprudência e o pouco interesse em sua preservação.

Como fãs de história, assim torcemos.

*Rotineiramente nossa equipe convida você, leitor, a embarcar com a gente na máquina do tempo dos 65 anos de história do jornal mais tradicional e querido de Mato Grosso do Sul para reviver reportagens, causos e histórias que marcaram nossa trajetória ao longo desse rico período. Você encontrará aqui desde fatos relevantes à história do nosso Estado até acontecimentos curiosos,que deixaram nossas linhas para fomentar, até hoje, o imaginário da população sul-mato-grossense. Embarque com a gente e reviva junto conosco o que de melhor nosso arquivo tem a oferecer.

E você leitor, gostaria de relembrar um fato, uma reportagem, uma história de nossa história. Nos envie sua sugestão pelo nosso whatsapp: (67) 99922-6705.

Leia edições anteriores da seção Memória do Correio e viaje com a gente pelo tempo. Um abraço.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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