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Campo Grande - MS, quarta, 21 de novembro de 2018

COPA LIBERTADORES 2018

Para não desrespeitar religião, judeus fanáticos pelo Boca viajaram à Espanha só para ver final

9 NOV 2018Por RAFAEL RIBEIRO17h:48

Entre aqueles que se opuseram à realização do Boca Juniors x River Plate nas tardes de sábado, a expressiva comunidade judaica na Argentina expressou o seu pesar. Os presidentes de ambos os clubes manifestaram sua compreensão com a insatisfação dos judeus, já que o sábado representa um dia de descanso e respeito à religião. Entre o poente de sexta-feira e o início da noite de sábado, os fiéis observam o Sabá, no qual se abstêm de diferentes atividades. Sequer poderão ver a final da Libertadores na televisão. Alguns dos mais fanáticos, porém, deram o seu jeito. E para não romper os preceitos religiosos, vão viajar até a Europa apenas pelo jogo histórico.

A história é contada pelo jornal argentino La Nación. Segundo o periódico, cerca de 30% da comunidade judaica observa o Sabá. Entre eles está Jonatan, um rapaz de 30 anos que, além de judeu ortodoxo, é doente pelo Boca Juniors. Sócio do clube há anos, costuma ir a todos os jogos na Bombonera, exceto quando acontecem aos sábados. Pois desta vez, sem muitas alternativas, ele passou a discutir com um grupo de amigos o que fazer para não perder a decisão. A ideia foi cara, mas genial: viajar à Europa, onde o fuso horário é diferente. Assim, quando o jogo começar, o sol já terá se posto no sábado e eles poderão ver normalmente através da televisão.

Nesta quinta, 35 torcedores judeus do Boca saíram do aeroporto de Ezeiza rumo a Barcelona, sedentos pelo Superclássico. “Quando as datas das finais foram definidas, começamos a nos perguntar através de nossos grupos de Whatsapp como fazer. Alguém propôs a viagem à Espanha. Com a diferença no horário, em Barcelona o Boca x River começa as nove da noite e o Sabá já terminou, porque a primeira estrela apareceu no céu. Parecia um delírio, mas muito toparam. Chegam na madrugada de sexta, passam o Sabá por lá, veem a partida e voltam”, explicou Ramón, que preferiu não aderir à jornada. Ele ainda considerou outras maneiras de driblar as restrições, acompanhando o jogo à distância ou caminhando ao estádio e pedindo ajuda a alguém para passar seu bilhete nas catracas. Entretanto, desistiu das ideias.

No grupo que viaja à Espanha, há muitos familiares e amigos. A aventura, entretanto, provavelmente não se repetirá para o jogo decisivo no Monumental. Além das questões financeiras, alguns preferem estar em Buenos Aires para se juntar à festa quando o sol de pôr. Entretanto, darão seu jeito para, de alguma forma, seguirem conectados com a massa presente na Bombonera na ida.

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