Pelo menos parte dos inúmeros problemas financeiros denunciados durante a campanha eleitoral deste ano pelos candidatos que concorreram pelo União Brasil em Mato Grosso do Sul está começando a ser solucionada.
De acordo com liderança política da sigla em Campo Grande (MS), que não quis se identificar, após cobrança pública por parte dos cabos eleitorais, a senadora Soraya Thronicke, presidente estadual da sigla no Estado, iniciou nesta quinta-feira (13/10) o pagamento daqueles que foram contratados para trabalhar para a campanha dela à Presidência da República.
Segundo essa mesma fonte, a senadora tinha combinado de pagar os cabos eleitorais de Campo Grande na última semana antes do 1º turno das eleições, porém, somente agora, depois de 15 dias do prazo estabelecido, teve início o pagamento das 300 pessoas contratadas.
A quitação do débito só está sendo feita depois que muitos cabos eleitorais ameaçaram denunciar a então candidata a presidente da República para a imprensa.
Falta de recursos
Os cabos eleitorais contratados pela senadora Soraya Thronicke em Campo Grande não foram os únicos que reclamaram da falta de pagamento.
A própria candidata a governadora pelo União Brasil, deputada federal Rose Modesto, anunciou desfiliação da legenda dizendo que deixava a sigla “por conta do desrespeito, da falta de diálogo e do descumprimento de compromissos firmados pela direção do partido com candidatos”.
Conforme o Correio do Estado apurou, além de Rose Modesto, dezenas de candidatos do União Brasil que disputaram vaga para deputado estadual ou federal também passaram por dificuldades financeiras em razão da falta de repasses de recursos do Fundo Eleitoral.
Dados divulgados pelo DivulgaCand, ferramenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que mostra o que cada candidato arrecadou e gastou durante a campanha, aponta que Rose Modesto recebeu R$ 6.153.473,94 de doações, maior parte do Fundão, e teve R$ 4.837.243,44 de despesas gerais.
Por meio de nota, Soraya Thronicke rebateu o que a ex-colega de partido disse. “O União Brasil-MS esclarece que sempre mantivemos o diálogo e prestamos todo o apoio possível aos nossos candidatos no MS, sendo a sigla que mais distribuiu recursos proporcionalmente no estado nestas eleições”, completando que mais de R$ 21 milhões em recursos do Fundo Eleitoral foram repassados às candidaturas majoritárias e proporcionais de acordo com as regras eleitorais.
“A baixa performance nas urnas não pode ser atribuída ao partido que, reitera, foi a sigla com maior envio de recursos e tempo de rádio e TV para suas candidaturas no Estado”, comentou na nota, trazendo ainda que "sempre esteve aberta ao diálogo e preza pela manutenção das boas relações com seus membros para construção de candidaturas viáveis no futuro, que possam trabalhar verdadeiramente em prol do Mato Grosso do Sul e não por projetos pessoais”.
A respeito do atraso no pagamento dos cabos eleitorais, Soraya respondeu da seguinte forma:
"Não há atrasado nos pagamentos dos cabos eleitorais contratados. Aqueles que ainda não receberam o valor total é por problemas como documentação incompleta ou inconsistência de dados, o que já está sendo resolvido com seus respectivos coordenadores. Além disso, a campanha tem até o dia 30 de outubro para finalizar e entregar as contas, portanto, não há atrasos no pagamento."


