terça, 14 de agosto de 2018

EMBARGO

Suspensão de venda da carne aos EUA gera preocupação ao mercado pecuário de MS

Cinco plantas frigoríficas de MS estavam habilitadas para vender aos EUA

23 JUN 2017Por GLAUCEA VACCARI18h:30

Decisão dos Estados Unidos, que suspenderam todas as importações de carne bovina “in natura” do Brasil, é preocupante para o mercado pecuário de Mato Grosso do Sul, segundo avaliação do secretário Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimeto Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck.

De acordo com o Governo Federal, das 17 plantas frigoríficas brasileiras habilitadas para vender para os EUA, cinco estão instaladas em Mato Grosso do Sul.

No ano passado, os EUA representaram 0,34% das exportações da carne sul-mato-grossense, com 426 toneladas do produto. Apesar do pequeno volume de exportações, setor teme que embargo possa provocar reação de outros países importadores.

“Num primeiro momento, o impacto sob o ponto de vista quantitativo, não altera significativamente o mercado. O problema maior é o impacto subjetivo. A percepção de uma não qualidade da carne brasileira é o maior impacto. A suspensão da importação dos EUA não vai travar a pecuária brasileira, mas a questão subjetiva é o problema”, afirmou o secretário.

As vendas externas desse setor são lideradas pela China, com 20,93%, seguido pelo Chile (18,55%), Rússia (11,06%), Irã (7,32%), Egito (7,21%), Holanda (6,09%) e Arábia Saudita (4,69%).

Para a pecuária do Estado, o mercado externo representa 22% das vendas, sendo os 78% restantes da produção absorvidos pelo mercado nacional.

“Para o mercado pecuário local a situação preocupa, ainda que o volume seja baixo. Temos cinco plantas credenciadas para exportar para os EUA. Não estamos num bom momento, com queda de preço, de demanda e de exportação”, afirmou Verruck.

SUSPENSÃO

Governo americano anunciou ontem a suspensão de toda a compra da carne bovina "in natura" do Brasil, devido a preocupações relativas à sanidade do produto.

Segundo o Departamento da Agricultura dos EUA, desde março deste ano, após a Operação Carne Fraca (envolvendo fiscais sanitários), o país barrou 11% das carne bovina "in natura" exportada pelo Brasil.

Uma das consequências da operação da PF é que os EUA passaram a investigar 100% da carne brasileira que quer entrar no país.

Essa taxa de reprovação, ainda segundo o governo dos EUA, é muito maior do que a média global: de 1%.

O mercado americano só se abriu para o produto brasileiro no ano passado e ainda é pouco relevante para as exportações do país. Porém, mais importante que o tamanho atual é o impacto futuro, já que os EUA não são apenas um grande consumidor de carne, como a imagem brasileira sofre novo abalo.

AUDITORIA

Ministério da Agricultura determinou que seja feita uma auditoria nos frigoríficos que possuem autorização para exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos. A informação foi dada hoje pelo secretário executivo da pasta, Eumar Novacki.

Novacki declarou ainda que será feita uma verificação da qualidade das vacinas, já que os abscessos identificados na carne podem ser consequência de imunizações do gado contra a febre aftosa.

O secretário disse também que há uma pressão dos produtores americanos para que sejam erguidas barreiras à entrada de carne brasileira, mas que "quer crer" que haja um comportamento ético em relação ao problema.

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