Campo Grande - MS, quarta, 15 de agosto de 2018

Lactalis

Multinacional francesa fecha laticínio
em Terenos e afeta preços na região

Desde que anunciado o fim das atividades, empresas reduziram preço

17 SET 2017Por Renata Prandini16h:07

A multinacional francesa Lactalis encerrou suas atividades em Mato Grosso do Sul. Conforme informações do Sindicato Rural de Campo Grande  (SRCG), o anúncio foi feito nesta semana e, segundo os motivos apresentados pela empresa estão falta de incentivos fiscais e a baixa oferta de matéria-prima. 

A Lactalis assumiu a unidade em setembro de 2014 depois de acordo com o grupo BRF. O laticínio de Terenos, na época, havia sido comprado em um pacote de 11 unidades, distribuídas em estados como Rio Grande do Sul (5), Pernambuco (1), Paraná (1), Minas Gerais (1), Santa Catarina (1) e Goiás (1) pelo investimento de R$ 1,8 bilhão.

Em nota, o presidente do Sindicato, Ruy Fachini Filho, afirmou que o encerramento das atividades impacta toda a cadeia do leite. "É uma perda grande para o Estado, afeta toda a cadeia do leite, atingindo diretamente o setor primário. Precisamos discutir saídas e parcerias para alavancar o setor", destacou.

Segundo Lucilia Rezende, presidente da Cooperativa Agrícola Mista da Pecuária de Corte e Leiteira e da Agricultura Familiar de Terenos (Cooplaf), desde fevereiro a empresa vinha reduzindo a quantidade de leite. "Passamos de 15 mil litros de leite por dia para apenas mil, nas últimas semanas, dando prioridade para outras empresas", destacou.

O anúncio do fechamento da unidade já impactou nos preços, segundo Lucilia. Até então, o valor médio pago ao produtor daquela região era de R$ 1,25 por litro, "reduziram em cinco centavos o valor". "Isso gera instabilidade e faz com que a gente fique refém do mercado", destacou. A presidente da cooperativa solicitou melhoria na política de incentivos fiscais para o setor para que se melhore a competitividade do setor.

A Lactalise tinha capacidade instalada para produzir 600 mil litros de leite por dia e com o seu fechamento ficou o gargalo para os produtores que pediram ajuda da Câmara Setorial e do Governo do Estado. 

LEITE

Levantamento elaborado pelo Sindicato Rural apontou que, entre os anos de 2015 e 2017, a produção de leite recuou de 337,547 milhões de litros para 269,716 milhões de litros neste ano. " Se compararmos os cinco primeiros meses deste ano com o mesmo período do ano passado a baixa é de 14%. O mês de maio, deste ano, registrou a menor captação, no Estado, desde 2011", alertou a instituição. A situação da produção leiteira de Mato Grosso do Sul é contrária à do restante do País, em que há crescimento. "De maio, para junho, por exemplo, subiu 6,81%. O aumento de produção em outros estados ajudou a segurar ainda mais os preços, fazendo com que, mesmo no período de entressafra, o valor pago ao produtor não subisse", disse.

ICMS

Segundo informações da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, da Produção e Agricultura Familiar (Semagro), a Câmara Setorial solicita que seja implantada a redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do leite sobre período determinado para tornar o setor mais competitivo frente a estados vizinhos. A ação é semelhante à medida adotada para socorrer o setor da carne, em julho deste ano, quando o governo do Estado reduziu de 12% para 7% o valor da alíquota para as operações interestaduais envolvendo o gado em pé. A redução encerra-se neste mês.

Ainda de acordo com  a Semagro, o secretário da pasta disse que irá levar a solicitação ao governador Reinaldo Azambuja. Verruck também ficou responsável por tentar fazer contato com a Lactalise, na próxima semana em São Paulo, para pedir a manutenção por um período adicional para manter os resfriadores. O governo do Estado se comprometeu a buscar uma solução para a manutenção temporária do uso dos resfriadores para que os produtores consigam continuar operando.

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