Campo Grande - MS, quarta, 22 de agosto de 2018

Efeito JBS

Mercado pecuário sul-mato-grossense
vive sob incertezas e especulação

Especulações sobre continuidade das atividades do JBS gera preocupação

14 OUT 2017Por DANIELA ARRUDA16h:31

Além de passar por um período de entressafra crítico, com dificuldade de captação do gado gordo, mercado pecuário sul-mato-grossense enfrenta agora uma dificuldade extra: o “efeito JBS”. São as especulações e incertezas com a continuidade das atividades do grupo empresarial no Estado, situação que ficou ainda mais acirrada em decorrência dos desdobramentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, que investiga incentivos fiscais concedidos ao grupo no Estado.

Somente nos últimos quinze dias, três decisões judiciais favoráveis aos trabalhos dos parlamentares bloquearam R$ 730,6 milhões em valores do grupo. O mercado do boi fechou à véspera deste feriado prolongado, pagando ao produtor R$ 142,00, porém sem perspectiva de retornar à próxima semana nesse mesmo patamar. O cenário é indefinido e preocupante para a economia local. 

“O mercado está com muita dificuldade na captação e só na próxima semana poderemos fazer uma avaliação. Estamos passando por uma entressafra extremamente complicada.O mercado travou e há uma diminuição muito grande do volume de negócios, a gente não consegue ver um número de lotes significativo ser negociado, está muito baixo. Tem muita gente tentando colocar preço para baixo, numa tentativa de usar a JBS como inibidor do preço”, reconheceu Julio Brissac, analista-chefe e estrategista de mercado da pecuária de corte da Rural Business.

No caso de Mato Grosso do Sul, segundo Brissac, a JBS vem perdendo um pouco de mercado para a concorrência, embora ainda continue com forte participação no Estado; e um pouco desse mercado tenta explorar essa perda de espaço com “bobagens” de que o grupo vai parar de comprar boi. “Cada vez mais a JBS vem perdendo espaço, há muita especulação de que a JBS vai parar de comprar gado, mas o produtor deve ficar muito atento a essa onda de boatos, em função principalmente dos preços”, alerta.

Ele recomenda que o produtor deve estar bastante atento e que esse “é um mercado de fatos e não de boatos”. “O produtor deve ter muito cuidado na hora de negociar, por conta desse período (entressafra) e também de feriado prolongado, e lembrar que o boi é um produto de oferta e demanda”, enfatizou.

CENÁRIO

O analista-chefe de pecuária de corte da Rural Business avalia que o caso JBS é o maior escândalo envolvendo uma empresa multinacional que ocorre no mundo atualmente, mas está em linha com o que acontece com o mercado internacional e “os CPFs dos dirigentes e representantes é que devem ser punidos e não o CNPJ”, citando Samsung e Volkswagen como casos clássicos.  “A gente vê uma punição dos responsáveis por esse tipo de crime e não a empresa, que é uma grande fonte geradora de empregos, de tecnologia de tudo o mais que a JBS é, uma gigante no mercado”, comentou. 

Para Júlio Brissac, tem que ser lembrado, mais do que nunca, que a empresa precisa pedalar no mercado e pagar o seu esquema de corrução em forma de impostos. “Modificações internas estão acontecendo na empresa, o mercado internacional é cruel para que ela não cumpra o seu compromisso de colocação de carne no mercado, estão aumentando as pressões para que ela mantenha as operações e isso tudo pode ser muito sadio para a empresa, ao final. Porém, ao mesmo tempo é preciso muita atenção. Há muita gente interessada em desenhar cenários ruins para a JBS, interessada na aquisição da empresa; há grandes lideranças, incluindo chineses, de olho nessa operação. Não podemos esquecer da possibilidade de venda para um grande grupo internacional”, concluiu.

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