Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

RETRAÇÃO

JBS tem queda de 28,13% nos
abates em Mato Grosso do Sul

Redução é resultado de nova onda de notícias negativas

21 OUT 2017Por Renata Prandini13h:45

Mato Grosso do Sul encerrou setembro com novo recuo no número de abates. Conforme relatório da Superintendência Federal de Agricultura no Estado (SFA), no mês passado, foram processados 229,784 mil animais em unidades frigoríficas do Estado.

O volume de animais é 16,57% inferior à agosto (275,422 mil abates) e fica muito próximo ao resultado registrado no mês de abril (217,154 mil abates), pior mês para o setor até o momento uma vez que concentrou os reflexos da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que deu início a uma série de escândalos políticos e econômicos  tendo a J&F, holding que controla a JBS, como pivô.

E é a instabilidade na maior empresa de proteína animal do mundo que afetou o resultado dos abates em Mato Grosso do Sul. Ainda segundo os dados fornecidos à inspeção sanitária, no mês passado, o processamento de carne nas unidades da JBS voltou a cair: de 111,928 mil cabeças, marca registrada no mês de agosto, o número de animais abatidos recuou para 80,436 mil, retração de 28,13%, ou 31,492 mil animais a menos. 

Somente em uma das plantas em operação em Campo Grande, a maior em todo o estado, os abates recuaram de 34,067 mil para 24,712 mil, o equivalente a 27,46%. 

O resultado, segundo o vice-presidente da Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Laucidio Coelho Neto, está diretamente relacionado à prisão dos empresários Joesley e Wesley Batista.

“Desde a delação da JBS, teve início uma crise de confiança do produtor e, desde então, a matança nos frigoríficos da JBS reduziram. A política de venda somente à prazo piorou ainda mais a situação”, destacou.

A política de venda somente à prazo foi adotada pela JBS logo após as delações premiadas. Em resposta, produtores rurais deram início à uma campanha de venda só à vista como garantia de recebimento em um momento de incertezas em torno do grupo.

No entanto, Coelho Neto afirma que, ao menos no momento, o produtor rural ainda precisa da JBS no Estado. “Os produtores rurais tentam vender para outros frigoríficos. Por falta de opções, acaba vendendo para a JBS. Por isso que eles continuam abatendo no Estado, mesmo em menor quantidade”, disse.

Por mais que queiram evitar a JBS, com quase metade da fatia no mercado , a companhia ainda é necessária para o setor, explicou o produtor rural. “Desde o começo dessa crise, os pequenos frigoríficos já vem abatendo acima da normalidade. Eles estão aumentando a capacidade, mas ainda não é suficiente para, em um curto espaço, suprir toda essa demanda. Do jeito que está montada a estrutura de abates no Estado, não há como suprir”. 

A força da JBS no abate de bovinos no Estado pode ser aferida em números. Em agosto, por exemplo, dos 275,422 mil animais processados, 40,64% foram nos frigoríficos dos Batista. Em setembro, essa participação retraiu, passando para 35%. 

BARGANHA

Júlio Brissac, analista-chefe de mercado e estrategista de mercado da pecuária de corte da Rural Business, concorda que “a avalanche” de notícias negativas no mercado fez com que produtores ficassem com o pé atrás com a JBS, assim como também avalia que não há como o setor permanecer sem a JBS no momento.

“Trem muita gente interessada na saída da JBS do mercado. Mas, o produtor precisa estar antenado. Se isso ocorrer, a concorrência irá nadar nos preços”, destacou.

Os produtores já sentiram os reflexos desse movimento da concorrência. Um dia depois do anúncio da paralisação de todas as unidades no Estado, o mercado do boi gordo parou. De um lado, produtores rurais estavam inseguros e aguardando novas notícias. Do outro, frigoríficos seguraram as compras para avaliar novas ofertas. 

CONCORRÊNCIA
O resultado só não foi pior no quadro geral graças aos concorrentes da JBS, que também fecharam em queda, mas em menor proporção. De 163,604 mil abates registrados em agosto, as unidades “não-JBS” recuaram para149,348 mil cabeças, uma redução média de 8,71% (14,256 animais a menos).

No primeiro mês de reativação, a planta da Marfrig em Paranaíba havia abatido 5.044 mil animais. A empresa é uma das maiores concorrentes da JBS dentro e fora do Estado. 

Nesta semana, a JBS voltou a preocupar o mercado do boi ao anunciar, na terça-feira, a suspensão das atividades nas sete unidades em operação por conta da insegurança jurídica criada pelo bloqueio financeiro de R$ 750 milhões da companhia, por meio de ação proposta pela CPI da JBS.

Porém, depois de acordo entre empresa, governo do Estado e a CPI , firmado ontem, colocou fim à paralisação. Os abates serão retomados na terça-feira (24).

 

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