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ACORDO

Estatal boliviana de gás natural
vira sócia da russa Acron na UFN3

O principal reflexo desse acordo é a retomada da fábrica de fertilizantes inacabada em Três Lagoas

13 JUL 19 - 09h:33DANIELLA ARRUDA

A YPFB, empresa estatal de energia da Bolívia, selou acordo com a gigante russa de fertilizantes Acron para fornecer gás às unidades da empresa no Brasil, entre elas a fábrica de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul (UFN3).

O acerto foi divulgado pelas duas partes nesta semana e possibilitará a venda de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia pela empresa pública boliviana para o grupo russo por um período de 20 anos, válido a partir de 2023.  

De acordo com informações da agência Reuters, além de se tornar fornecedora da Acron no Brasil, a YPFB também será sócia da empresa russa na UFN3 em Três Lagoas, com uma fatia de 12% na fábrica e a opção de ampliar a participação para 30%. “Hoje, consolidamos um novo mercado para o gás boliviano”, disse o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Luis Alberto Sánchez.

Para Mato Grosso do Sul, o principal reflexo desse acordo é a retomada da fábrica de fertilizantes inacabada em Três Lagoas desde dezembro de 2014 e com 83% das obras já concluídas. 

“A matéria-prima da UFN3 é gás, já que ela é uma separadora e são três produtos separados: ureia, amônia e CO2. Não existe UFN3 sem o gás natural. Do ponto de vista do fornecimento de longo prazo, é fundamental porque resolve o problema de matéria-prima. Mato Grosso do Sul ganha, porque são 2,2 milhões de metros cúbicos que passarão pelo gasoduto, gerando arrecadação em ICMS”, destacou o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck.

Ainda segundo o titular da Semagro, o acordo selado entre YPFB e Acron implica que a Bolívia terá de reduzir preço. 
“Foi fechado o volume, o prazo, que é de 20 anos, e o valor, que não foi divulgado. A validade é a partir de 2023, portanto, é um prazo condizente com o que vem sendo tratado até agora pelos russos com o governo do Estado”, comentou. 

Outra sinalização importante é que a empresa ingressou com pedido na Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems), com a intenção de abrir escritório de representação em Campo Grande.

Incerteza

Porém, se existe um cenário positivo para a redução de preços do gás em função do acordo Bolívia-Rússia, incertezas relacionadas à desregulamentação do mercado trazem preocupação. Na última semana, por exemplo, a Petrobras assinou acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no qual se comprometeu a vender ativos de gás no país, entre eles a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG, com participação da Petrobras de 51%). 

Além disso, vence no fim deste ano o prazo de contrato da Petrobras para importação de gás por meio do Gasbol. O gasoduto passa por cinco estados, tem capacidade para transportar 30 milhões de metros cúbicos por dia e começou a operar em 1999.

Essa conjuntura deve ser objeto de reunião das equipes de governo em breve. “Estamos com um conjunto de variáveis e ainda não conseguimos definir quais serão os impactos. Temos um gasoduto de 30 milhões de metros cúbicos e isso impacta sobre a arrecadação. Haverá o vencimento do contrato da Petrobras com a Bolívia, que hoje é de 24 milhões de m³ e termina agora [fim de 2019]. Nosso ponto de vista é acerca do volume de gás que será comprado da Bolívia. O que se tem sinalizado até agora são 6,5 milhões de m³ e a MSGás lançou um edital para 3 milhões de m³, do qual a Bolívia está participando. Então, existe um cenário positivo, que é a redução de preços do gás, mas temos a questão do ICMS. Em junho, passaram pelo gasoduto 13 milhões de m³ e isso reflete sobre o ICMS”, completou.

Fornecimento

O ministro boliviano Luis Alberto Sánchez disse ainda que a YPFB e a russa Gazprom concluíram a negociação de contrato para exploração da área de Vitiacua, um reservatório de gás natural com fontes renováveis estimadas em 2,13 trilhões de pés cúbicos.

De acordo com a autoridade da Bolívia, o projeto necessitaria de um investimento de cerca de US$ 1,1 bilhão e poderia produzir ao redor de 12 milhões de metros cúbicos diários de gás até 2028.

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