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COMÉRCIO

Desemprego e queda de consumo derrubam índice de inadimplência

Famílias da Capital e de Dourados estão saindo das dívidas, mas estão evitando consumir, aponta SCPC

23 MAI 19 - 10h:00EDUARDO MIRANDA

A inadimplência em Campo Grande e em Dourados, as duas maiores cidades de Mato Grosso do Sul, está em queda constante em 2019. Em março deste ano, a redução no índice foi de 1,8% na Capital, quando comparado com fevereiro, o mês anterior. Quem pensa que a redução no número de pessoas com nome sujo, porém, está enganado. Trata-se de um cenário gerado pelas quedas no consumo e no nível de emprego.

O economista Vitor França, da Boa Vista SCPC, empresa que administra o Serviço de Proteção ao Crédito, atribui à maior cautela das famílias, que estão cortando gastos para evitar o endividamento e também pela capacidade de consumo reduzida. “Esta capacidade e o endividamento das famílias estão comprometidos pelo elevado nível de desocupação e pelo fraco crescimento da renda”, explica França. 

Um terceiro fator que gera a redução da inadimplência no comércio e no setor de serviços, conforme o economista da SCPC, é a alta restrição de crédito por parte dos bancos. “Há um efeito defasado da maior seletividade dos bancos na concessão de empréstimos nos últimos anos de crise”, afirma. 

Em Campo Grande, por exemplo, o índice de descumprimento de obrigações financeiras caiu 3,5% nos primeiros meses do ano, entre fevereiro e março, como já afirmado, a queda foi de 1,8%. Em Dourados, os índices são ainda mais expressivos. Houve queda de 2,7% comparando março ao mês de fevereiro, e de 8,3% no acumulado do ano. 

Os números da recuperação de crédito mostram a dificuldade em fazer a população consumir. Em 2019, o acumulado na capital sul-mato-grossense foi de 6,4%, e de fevereiro para março (o número mais recente), de 2,8%. Em Dourados, a recuperação de crédito é 8,3% menor neste ano, e, de fevereiro para março, caiu 3%.

Vitor França arremata sobre sua visão do mercado em Mato Grosso do Sul e no restante do País. “Com isso, a inadimplência hoje está próxima aos menores patamares da história, o que tem contribuído para a retomada das concessões. Por outro lado, as famílias seguem cautelosas, o que, somado à fragilidade do mercado de trabalho e ao aumento da incerteza na economia, tem resultado em desaceleração do consumo desde o ano passado”.

METODOLOGIA

O indicador de inadimplência é elaborado a partir da quantidade de novos registros de dívidas vencidas e não pagas. Já o indicador de recuperação de crédito é feito a partir das exclusões de registros informadas pelas empresas credoras. 

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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