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CÂMBIO

Após bater R$ 3,77, dólar fecha em forte alta e sobe mais de 40% no ano

Preocupações com contas públicas influenciaram subida da moeda

2 SET 15 - 17h:23G1

Após chegar a valer R$ 3,77 nesta quarta-feira (2), o dólar fechou em alta pelo quarto dia seguido, pressionado por preocupações com as contas públicas do Brasil e o risco de o país perder o grau de investimento (selo internacional de bom pagador).

A moeda norte-americana subiu 1,94%, a R$ 3,7598 para venda. Veja a cotação. Este é o maior patamar de fechamento desde 12 de dezembro de 2002, quando a moeda terminou o dia cotada a R$ 3,785, segundo a Reuters.

No ano de 2015, o dólar acumula alta de 41,41%.

Na semana e no mês, há valorização de 4,87% e 3,66%, respectivamente.

Essa forte valorização do dólar comercial reflete na cotação nas casas de câmbio, que vendem o dólar turismo, valor que é sempre maior que o divulgado no câmbio comercial. 

"Tanto na política quanto na economia, a situação está muito difícil. É provável que o dólar suba ainda mais", afirmou à Reuters o superintendente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca, que espera que a moeda norte-americana se aproxime de R$ 4 nas próximas semanas.

Na segunda-feira (31), o governo enviou ao Congresso proposta para o Orçamento de 2016 prevendo gastos maiores do que receitas, acontecimento inédito. Operadores entenderam que a decisão aumenta a chance de o Brasil perder seu selo de bom pagador (grau de investimento) nos próximos meses, o que pode provocar fuga de capitais do país.

Essa perspectiva vem levando investidores a vender ativos denominados em reais, pressionando o câmbio. O movimento resistia mesmo à queda do dólar em relação a outras moedas emergentes, como os pesos chileno e mexicano, um respiro após fortes altas recentes provocadas por preocupações com a desaceleração da economia chinesa.

Intervenção do BC no câmbio
A atuação do Banco Central também tem sido um foco importante para o mercado, que questiona se pode aumentar sua intervenção no câmbio para desacelerar o avanço da moeda norte-americana. Cotações mais altas tendem a pressionar a inflação ao encarecer importados.

"A questão é que o BC não vai usar armas poderosas demais, como leilões (de dólares) no mercado à vista, porque aí a sinalização vai fazer o mercado testar a disposição dele (de intervir cada vez mais)", afirmou o operador de um importante banco nacional.

"Mas, por outro lado, os leilões de linha não têm grande impacto no mercado, e ele (o BC) já está rolando totalmente o lote de swaps", acrescentou.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 9,45 mil contratos de swap cambial tradicional, que equivalem a venda futura de dólares, para a rolagem do lote que vence no próximo mês. Ao todo, o BC já rolou US$ 915 milhões, ou cerca de 10% do total de US$ 9,458 bilhões e, se continuar neste ritmo, vai recolocar o todo o lote.

Prejuízo bilionário
O Banco Central registrou prejuízo de cerca de R$ 71,93 bilhões com os contratos de swap cambial de janeiro até a última sexta-feira (28), segundo números divulgados pela própria autoridade monetária nesta quarta. Apesar das perdas geradas pelas intervenções no câmbio, o BC não impediu a alta do dólar que, no fim do ano passado, estava em R$ 2,65.

O BC tem destacado que, se por um lado há perdas com os contratos de swap cambial, por outro também há valorização das reservas internacionais brasileiras (atualmente em US$ 370 bilhões). Esse valor, de acordo com o BC, supera as perdas com os swaps cambiais.

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