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COLUNA CRÔNICA

Tintas marcadas

“Malhação: Toda Forma de Amar” toca em temas pesados, mas maior destaque é nas relações humanas
07/04/2020 06:00 - Márcio Maio/TV Press


Já há algum tempo, a Globo usa a faixa ocupada por “Malhação” para criar um espaço de reflexão e debates a respeito de questões sociais. Não foi diferente na temporada que se encerrou na Globo, “Toda Forma de Amar”, mas que ainda pode ser encontrada no Globoplay. Porém, desta vez, para que as minorias tivessem voz e a realidade das periferias ganhasse espaço, Emanuel Jacobina acabou optando por caminhos mais pesados, quando se pensa em um seriado adolescente. Afinal, a história começou com o assassinato de um jovem e explora o submundo da milícia. Foi assim que alguns dos principais personagens se encontraram: testemunhando um crime. Inusitado, ainda mais pelo horário vespertino de exibição.

A trama policial aconteceu mesmo no início e no final da história. Na maior parte do tempo, foi a proposta de mostrar diferentes formas de amor que mais funcionou. E no sentido mais amplo mesmo, como a disputa da mãe biológica e a mãe adotiva por uma criança, a aproximação de duas irmãs que se descobriram já na adolescência e até o garoto gay que, além de sair do armário para a família e os amigos de classe média alta, ainda assume o namoro com um jovem negro e de comunidade.  

A pluralidade de cenários e de relações humanas enriqueceu os debates. O tempo todo, a história interligava os personagens abastados da Zona Sul carioca com os menos favorecidos, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O casal principal, Felipe e Rita, vividos por Pedro Novaes e Alanis Guillen, foram os que mais passearam nos dois ambientes. Mas, como de costume na história do folhetim juvenil, não chegaram a ser os principais destaques. Não por demérito. O fato é que “Toda Forma de Amar” se mostrou um verdadeiro acerto na escolha do elenco. E isso vale tanto para a galera jovem quanto para o grupo mais experiente.

De maneira geral, a temporada foi dominada pelas mulheres. Foram as atrizes que mais chamaram atenção, encabeçadas pela segura e carismática Paloma Duarte. A atriz, que encarnou a amorosa Lígia, roubou a cena como a médica que, depois de adotar um bebê, se vê numa batalha judicial com a mãe da menina, que achava que a filha tinha morrido pouco depois do parto. Além dela, nomes como o de Mariana Santos, Olívia Araújo, Gabz e Gabriella Mustafá, assim como a estreantes Dora de Assis e Caroline Dallarosa, também brilharam.

Ninguém, porém, teve um trabalho tão notável de construção de personagem quanto Giovanna Rispoli. A paulistana, de 17 anos, já tinha se destacado na primeira fase de “Em Família” e nas novelas “Boogie Oogie” e “Totalmente Demais”. No entanto, foi certamente em “Malhação” que ela teve a melhor oportunidade de sua carreira até hoje. Milena, sua personagem, demandou um trabalho intenso de prosódia e expressão corporal, em função de sua surdez.

Por outro lado, alguns pontos que estavam totalmente alinhados com o tema “Toda Forma de Amar” foram mal explorados. Foi o caso do amor entre Guga e Serginho, papéis de Pedro Alves e João Pedro Oliveira. A dupla passou boa parte do tempo agindo como se os dois fossem apenas amigos muito próximos. De repente, a emissora exibiu um beijo entre eles, o que parecia ser uma quebra de paradigmas na faixa das 17h. Está certo que foi aberto, ali, um caminho para o namoro ser tratado de maneira mais franca. Contudo, não o suficiente para que os beijos se tornassem naturais nesse namoro.

 

Felpuda


Outrora afinadíssimo com o presidente Jair Bolsonaro, parlamentar sul-mato-grossense começou a ser escanteado em consequência de uma das crises políticas de grande repercussão. A figura entrou em campo e botou falação sobre o que estava ocorrendo, e isso soou que só como crítica pesada ao governo, que, como não poderia deixar de ser, não gostou nadica de nada. Há quem diga que o dito-cujo é muito levado “pelo sangue”. Então, tá!...