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CIÊNCIA

Pesquisadores defendem abordagem personalizada para o envelhecimento

Estudiosos da Universidade do Arizona sugerem levar em conta todas as variáveis que impactaram a trajetória do paciente

21 JUL 19 - 03h:00G1

Um time de pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, defende que é inviável pensar num modelo padronizado (o chamado “one-size-fits-all”) quando se trata do processo de envelhecimento do cérebro. De acordo com a professora Lee Ryan, chefe do departamento de psicologia da instituição, já está mais do que na hora de a abordagem dos idosos com declínio cognitivo levar em conta todas as variáveis que impactaram a trajetória do indivíduo e também a sua capacidade de absorver e lidar com os problemas.

“As pessoas estão vivendo mais, mas nem sempre a saúde do cérebro acompanha a longevidade. Há fatores de risco individuais que contribuem para o declínio cognitivo, como o estresse crônico ou a doença coronariana. No entanto, esses fatores afetam as pessoas de forma diversa, dependendo de outras variáveis, como genética e estilo de vida. O envelhecimento é incrivelmente complexo e cada pesquisa tende a focar num só aspecto, quando é preciso analisar todo o conjunto para traçar um cenário. Há muitas formas de envelhecer”, explica.

Embora a maior parte dos idosos – cerca de 85% – não desenvolva a Doença de Alzheimer, algum tipo de perda cognitiva faz parte do envelhecimento. Por isso, num estudo publicado no “Frontiers in Aging Neuroscience”, Lee e seus colegas propõem um modelo de avaliação que sirva para guiar futuros diagnósticos e pesquisas. Através dele, seria possível reunir um maior volume de dados que resultaria numa prevenção mais eficiente.

Os estudiosos delimitaram três grandes campos, a saber: categorias de risco; estimuladores cerebrais (“brain drivers”); e variações genéticas. Nas categorias de risco para o comprometimento cognitivo na velhice estão doenças coronarianas, obesidade, diabetes e hipertensão. Os estimuladores cerebrais englobam os mecanismos biológicos que interferem no cérebro, associados a alterações no organismo. Por fim, as variações genéticas podem proteger ou predispor a pessoa à doença – apesar da importância do estilo de vida, não podem ser ignoradas. O cruzamento dessas informações dá origem a um mapeamento personalizado, onde cada paciente terá à sua disposição mais ferramentas para envelhecer bem.

 

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