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CIDADES

Trens voltam aos trilhos em setembro

Comboios transportarão ureia da Bolívia e gigante da siderurgia já planeja terminal logístico em Corumbá

24 AGO 19 - 08h:30EDUARDO MIRANDA E DANIELLA ARRUDA

A demanda está de volta à ferrovia que atravessa Mato Grosso do Sul de leste a oeste, mas os investimentos para que a capacidade de escoamento de cargas e do trânsito de comboios seja incrementada é alvo de dura negociação. A partir do mês que vem, pelo menos 3 mil toneladas de ureia boliviana serão levadas para Bauru (SP) a partir de Corumbá, mas o interesse em transportar produtos pela ferrovia já aumenta, e a ampliação da capacidade, depende da empresa concessionária do trecho, a Rumo Logística. 

Ainda restam sete anos de concessão para a Rumo neste trecho, conhecido como Malha Oeste, mas a empresa - nas negociações com o governo federal, intermediada pelo governo de Mato Grosso do Sul - condiciona investir R$ 1,2 bilhão em melhorias na ferrovia, somente no trecho que atravessa o Estado, com a prorrogação do contrato por mais 30 anos. A Malha Oeste compreende os trilhos da centenária ferrovia Noroeste do Brasil, entre Bauru e Corumbá, passando por Três Lagoas, Campo Grande e Aquidauana, e com um ramal que liga a capital do Estado a cidades como Sidrolândia, Maracaju e Ponta Porã.

Conforme o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, há demanda para transportar 1,5 milhão de toneladas de carga, nos dois sentidos. Há mercado para o escoamento de pelo menos 500 mil toneladas de ureia, 250 mil toneladas de potássio e 250 mil toneladas de borato. Além disso, a multinacional da área de mineração e siderurgia, Arcellor Mittal, deve inaugurar, em breve um terminal de cargas em Corumbá. “A Bolívia ainda sinalizou na reunião de hoje, a implantação de um terminal de cargas em Campo Grande”, complementou Verruck. durante o evento “Diálogo para Integração Ferroviária do Brasil e a Bolívia”, realizado em Campo Grande. Houve representante dos dois países no encontro, e também das concessionárias. 

Com toda esta demanda surgindo já no curto prazo, a Rumo aproveita para pressionar o governo federal para ampliar o período de concessão da ferrovia. No governo federal, há quem tenha mais cautela, e acredite que o dever da empresa seria manter a ferrovia em boas condições de trafegabilidade, o que não existe no momento. 

O secretário de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul falou da importância, e de uma certa urgência na retomada dos investimentos na ferrovia. “Esse é um ponto importante. A Bolívia terminou recentemente a construção de uma ferrovia de 150 quilômetros, que liga Santa Cruz a Bulo Bulo, onde fica a fábrica de ureia, possibilitando assim trazer ureia de ferrovia de Bulo Bulo até a fronteira com Corumbá e consequentemente poderia trazer até Campo Grande e para o município de Três Lagoas”, avalia. “Nós temos um forte encaminhamento para lá, principalmente, de vergalhão de ferro. Então o Brasil é um exportador e nós precisamos também melhorar essa performance”, acrescentou, e voltou a citar a inauguração do terminal de transbordo da Arcellor Mittal. 

COMÉRCIO

O comércio entre Bolívia e Mato Grosso do Sul só aumenta. Como se não bastasse a importação de uréia, que deve começar agora em setembro, e deve ganhar mais escala até a conclusão da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Três Lagoas (UFN3), em 2022, quando a substância passará a ser produzida em território brasileiro. A Bolívia, aliás, por meio de sua estatal YPFB, é sócia da Acron na UFN3. 

Além deste produto, o Brasil também passou - recentemente - a importar gás liquefeito de petróleo (GLP) do país vizinho. O GLP é o gás de cozinha. A expectativa é que o produto seja transportado em vagões da Rumo. “O GLP vem de caminhão até Campo Grande, então é mais um produto que passa pela fronteira”, explicou Verruck. 

ALFÂNDEGA 

Outro tema discutido no evento da última sexta-feira foi a modernização alfandegária. Um dos grandes gargalos neste período de comércio crescente entre Brasil e Bolívia, na fronteira de Corumbá e Porto Quijarro. “Há pouco pessoal para atender. Por isso nesta reunião foi assinado um protocolo para solucionar esta e outras situações”, afirmou. “É preciso fazer uma desburocratização, que uma pessoa possa fazer o desembaraço em São Paulo e chegar com essa documentação digitalizada para entrar na Bolívia

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