Cidades

EX-GOVERNADOR

Cabral diz que pagou US$ 2 milhões por 9 votos para o Rio sediar Olimpíada

A escolha ocorreu em Copenhague, na Dinamarca, em 2 de outubro de 2009

Continue lendo...

Preso desde novembro de 2016 e já condenado a 198 anos e seis meses de prisão, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) afirmou nesta quinta-feira à Justiça Federal no Rio que comprou por US$ 2 milhões (cerca de R$ 7,67 milhões, no câmbio atual) os votos de nove integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) para garantir que o Rio fosse escolhido sede da Olimpíada de 2016. Segundo Cabral, a negociação foi feita com o senegalês Lamine Diack, presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) de 1999 a 2015, e um dos votos comprados foi do ex-nadador russo Alexander Popov, dono de quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1992 e 1996.

A escolha ocorreu em Copenhague, na Dinamarca, em 2 de outubro de 2009. A votação ocorreu em três turnos. No primeiro, Madri teve 28 votos, o Rio recebeu 26 e Tóquio, 22. Chicago ficou em último, com 18, e foi eliminado. Em teoria, sem os nove votos comprados, o Rio teria 17 e ficaria em último, sendo eliminado. No segundo turno, o Rio teve 46 votos, Madri, 29, e Tóquio, 20 - a capital japonesa foi eliminada. Na última etapa, o Rio teve 66 votos e Madri, 32. Os nove votos só fizeram diferença, portanto, no primeiro turno.

Cabral é um dos réus em uma ação que tramita na 7ª Vara Federal Criminal, no Rio, e investiga se houve compra de votos para eleger o Rio sede da Olimpíada. A investigação teve origem na Operação Unfair Play, que em outubro de 2017 prendeu o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, e Leonardo Gryner, ex-diretor de marketing do COB e de comunicação e marketing do Comitê Rio-2016

Além dos dois e de Cabral, é réu na ação o empresário Arthur Soares Filho, conhecido como "Rei Arthur", que manteve contratos milionários com o governo do Rio nas gestões de Cabral. Ele está foragido. A investigação brasileira sobre compra de votos para a Olimpíada foi motivada por um pedido feito no fim de 2016 pelo Ministério Público francês, que, durante investigação sobre doping no atletismo, encontrou indícios de corrupção na candidatura do Rio.

Em depoimentos anteriores, Cabral havia negado a compra de votos, mas em dezembro passado mudou de advogado e em fevereiro passou a admitir outras acusações de que foi alvo. Sua defesa pediu ao juiz Marcelo Bretas o depoimento desta quinta-feira, para Cabral discorrer sobre a compra de votos. Ele contou ao magistrado que em agosto de 2009, dois meses antes da votação, foi procurado por Nuzman, que pediu um "encontro urgente" após um evento esportivo em Roma. "Nuzman vira pra mim e me fala: 'Sérgio, quero te abrir que o presidente da IAAF, Lamine Diack, ele é uma pessoa que se abre para vantagens indevidas. Ele pode garantir cinco ou seis votos. Ele quer, em troca, US$ 1,5 milhão", narrou o ex-governador do Rio.

Cabral disse que então perguntou a Nuzman de onde viriam os votos e qual era a garantia de que eles seriam de fato obtidos. Nuzman teria respondido que viriam de membros africanos do COI e também de representantes do atletismo. O ex-governador teria então autorizado Nuzman a seguir com a negociação.

"Eu chamei o Arthur Soares e falei pra ele da necessidade de conseguir o dinheiro para os votos. Isso foi debitado do crédito que eu tinha com ele. Fui eu que paguei. Eu dei o telefone do Léo (Leonardo Gryner, ex-diretor de operações da Rio 2016) e eles acertaram com esse Papa Diack, filho de Lamine Diack", contou o ex-governador.

Em setembro de 2009, dias antes do jantar que ficou conhecido como a "Farra dos Guardanapos", Gryner e Nuzman teriam avisado Cabral sobre a possibilidade de garantir mais votos: "Em Paris, no hotel, eu fui chamado no canto pelo Léo e pelo Nuzman, que me falaram de um problema. O Nuzman falou que Papa Diack disse que conseguiria mais votos. Ele disse que poderíamos chegar em nove votos no total, mas que precisava de mais US$ 500 mil. Eu disse pra ele que seria feito", contou Cabral. Segundo ele, essa conversa ocorreu em 14 de setembro e o pagamento foi feito 15 dias depois, por intermédio do "Rei Arthur".

Até as 17 horas, a reportagem não havia conseguido contato com as defesas de Nuzman e Gryner.

INVESTIGAÇÃO

Após sair do trabalho, campo-grandense desaparece no Japão

Trabalhador que vive há 20 anos no país asiático não faz contato desde o dia 22 de dezembro e família pede apoio das autoridades brasileiras

11/01/2026 15h30

Kennedy teria deixado a fábrica onde trabalha no fim do expediente e seguiu com colegas até um bilhar da cidade

Kennedy teria deixado a fábrica onde trabalha no fim do expediente e seguiu com colegas até um bilhar da cidade Reprodução

Continue Lendo...

Um campo-grandense de 38 anos, morador da cidade de Oizumi, na província de Gunma, Japão, está desaparecido desde o dia 22 de dezembro e a família vive dias de angústia sem qualquer informação sobre seu paradeiro. Kennedy Kashiwabara, que vive há cerca de 20 anos no país asiático, foi visto pela última vez após sair do trabalho e, desde então, não fez mais contato com parentes, amigos ou colegas de serviço. 

De acordo com o portal RPJ News, Kennedy deixou a fábrica onde trabalha no fim do expediente e seguiu com colegas até um bilhar da cidade. Amigos relatam que ele teria comentado que voltaria a pé para casa, mas não chegou ao destino e não retornou mais ao serviço, o que chamou atenção de pessoas próximas, já que o comportamento é considerado totalmente fora do padrão. 

O pai do rapaz, Cassemiro Kashiwabara, contou que, no mesmo dia, o filho havia se envolvido em uma discussão no ambiente de trabalho. Kennedy teria suspeitado que um colega brasileiro teria adulterado a máquina que ele operava, o que gerou um desentendimento. Para tentar acalmar a situação, os supostos colegas o convidaram para ir ao bilhar após o expediente, última vez que ele foi visto.

Desde então a família não teve mais nenhum tipo de contato com Kennedy. O desaparecimento foi oficialmente registrado junto à polícia japonesa, que já iniciou os procedimentos de apuração, mas até o momento não apresentou novidades sobre o caso.

Ainda segundo informações repassadas à família, a polícia japonesa entrou em contato com o chefe de Kennedy, que estaria fora do Japão, em viagem às Filipinas. Paralelamente, familiares também tentaram buscar apoio da Embaixada do Brasil e de consulados brasileiros, mas relatam que, até o momento, não obtiveram retorno. 

No Brasil, um dos irmãos de Kennedy também tem tentado levantar informações, mas enfrenta dificuldades até mesmo para conseguir fotos recentes do rapaz, o que tem limitado a divulgação do caso e a mobilização de redes de apoio.

Kennedy é divorciado e pai de dois adolescentes, de 14 e 15 anos, que moram na mesma cidade japonesa onde ele vivia. Segundo o pai, os filhos ainda não foram informados sobre o desaparecimento.

“A intenção é poupá-los, assim como a ex-esposa, que está grávida, desse sofrimento até termos alguma informação concreta", disse.

Especialistas apontam que, após 15 dias sem notícias, o desaparecimento de um adulto passa a ser classificado como de longa duração, o que aumenta a necessidade de investigações mais aprofundadas e ações coordenadas entre autoridades locais e representações diplomáticas.

Assine o Correio do Estado

Janeiro Branco

Saiba onde procurar atendimento psiquiátrico pelo SUS em Campo Grande

Atualmente, a Capital possui sete centros de atendimento psiquiátrico (CAPS), mas os pacientes podem procurar pelo primeiro atendimento também nas unidades de saúde da família de cada região

11/01/2026 15h00

CAPS Aero Rancho

CAPS Aero Rancho FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

O mês de janeiro é um período voltado para a atenção e conscientização sobre a saúde mental e emocional. 

No entanto, o serviço do Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cuidados para a saúde mental durante o ano inteiro em sua rede, com atendimentos voltados de acordo com a gravidade do paciente. 

Em Campo Grande, o atendimento gratuito é oferecido pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), não apenas nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O acolhimento é feito de forma humanizada, garantindo acesso ao tratamento adequado. 

Além desses pontos de atendimento, os pacientes também podem ser encaminhados a cuidados através das Unidades de Saúde da Família (USFs) e pelo Ambulatório da Saúde Mental, novamente, de acordo com a complexidade das situações. 

Para a médica psiquiatra e coordenadora do Ambulatório de Saúde Mental, Maria Letícia Nantes, as unidades básicas desempenham um papel fundamental no processo, já que “a equipe do território já conhece o histórico do paciente”. 

Por isso, ao necessitar de auxílio, o paciente pode procurar a USF de referência da região em que mora, onde será acolhido e passará por uma avaliação clínica que vai definir o local mais adequado para o seu tratamento. 

Em casos considerados mais leves, o atendimento é feito na própria unidade de saúde através do médico da família, que pode fazer orientações, realizar um acompanhamento contínuo e, se preciso, receitar algumas medicações. 

Nas unidades com equipe e-MULTI, os cuidados também incluem acompanhamento psicológico, conforme a necessidade do paciente. 

Já nos casos considerados moderados, os pacientes são encaminhados para um atendimento mais especializado em um dos ambulatórios de saúde mental da cidade, onde recebem atendimento psicológico e psiquiátrico. 

Os casos graves ou situações de crises, o atendimento é realizado diretamente pelo CAPS.

“O CAPS é destinado para aqueles pacientes que apresentam um quadro grave, ou que estão em crise, e para atendimento no local não é necessário que o paciente seja encaminhado, lá o atendimento é por demanda espontânea e 24 horas”, explica a médica. 

Em Campo Grande, atualmente, existem sete CAPS, sendo dois voltados para pessoas com dependência alcoólica e de drogas, e um exclusivo para crianças e adolescentes. Há também unidades destinadas ao atendimento de adultos com transtornos mentais graves e persistentes. 

Veja o endereço de cada um deles:

  • CAPS AD IV – Rua Theotônio Rosa Pires, 19 – Bairro Jardim São Bento 
  • CAPS AD III – Avenida Manoel da Costa Lima, 3272 – Bairro Guanandi 
  • CAPS III Margarida – Rua Itambé, 2939 – Bairro Vila Rica 
  • CAPS III Vila Almeida – Rua Marechal Hermes, 854 – Bairro Vila Almeida 
  • CAPS III Afrodite Doris Contis – Rua São Paulo, 70 – Bairro São Francisco 
  • CAPS III Aero Rancho – Avenida Manoel da Costa Lima, 3272 – Bairro Guanandi 
  • CAPS III Infanto-Juvenil – Rua São Paulo, 70 – Bairro São Francisco

Janeiro Branco

A campanha Janeiro Branco é uma ação nacional voltada à promoção da saúde mental criada em 2014 com o objetivo de sensibilizar a população para a importância do bem-estar psicológico e estimular a busca por cuidados e atendimento especializado quando necessário. 

Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é líder do ranking mundial de transtornos de ansiedade, atingindo 9,3% da população, o equivalente a 18 milhões de brasileiros. 

A depressão também é uma preocupação, já que desde a pandemia da Covid 19, os casos de transtornos mentais no País cresceram 25%. 
 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).