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ÁGUAS MANSAS

Seca fora de época tranquiliza
produtores rurais no Pantanal

Pantaneiros mantêm gado no pasto e esperam cheia com pouca influência sobre pecuária

9 ABR 19 - 09h:30SILVIO ANDRADE

A Embrapa Pantanal ainda não se pronunciou em relação ao comportamento das águas esse ano no Pantanal, contudo o ambiente seco onde ocorreram inundações anteriormente e o pouco volume do Rio Paraguai prenunciam a ocorrência de uma  cheia pequena nas regiões de Corumbá e Porto Murtinho. Na Nhecolândia, maior centro de pecuária, que recebe águas do Taquari, Rio Negro, Abobral, Miranda e Aquidauana, os fazendeiros mantêm o gado no pasto.

“Apesar das chuvas, que beneficiam o Pantanal, está muito seco e tudo indica que teremos um ano tranquilo”, afirmou Luciano Leite, presidente do Sindicato Rural de Corumbá, município que detém o segundo maior rebanho de bovinos do Brasil, estimado em 1,9 milhão de cabeças. Segundo ele, o período atual está muito diferente dos anos anteriores devido ao atraso das chuvas, que ocorrem com maior intensidade entre dezembro e fevereiro.

Os pantaneiros aguardam um ano sem grande cheia, mas esperam o movimento das águas em abril para terem essa certeza. “Não tem como prever com as mudanças climáticas”, explicou Luciano Leite. Com propriedade no Paiaguás, ao Norte do Pantanal de Corumbá, o fazendeiro Martins relata que ocorre uma seca não normal, citando o baixo volume de água no Corixão, no centro da Nhecolândia. “Mas abril tem nos surpreendido, é melhor aguardar”, observou.

Em fevereiro de 2018, os transbordamentos dos rios Miranda e Aquidauana causaram grande cheia na Nhecolândia, quebrando pontes e obrigando a retirada de milhares de cabeças de gado pela MS-184 (Estrada-Parque) ou pelos campos inundados. Esse ano, os pastos estão secos. O Aquidauana, que atingiu 10,42 metros em 2018, não passou do nível de alerta (6 metros) no mês passado. Os rios Abobral e Rio Negro estão com níveis abaixo do normal.

CHEIA

As inundações que ocorreram em Porto Murtinho, no extremo sudoeste, são resultantes das fortes precipitações, que chegaram a 500 milímetros em uma semana. A região é a última a sofrer uma eventual cheia, em meados do ano. As chuvas, no entanto, elevaram o nível do Rio Paraguai em 2,12 metros na cidade em apenas cinco dias, atingindo 6,57 metros no dia 25 de março. Ontem, a marca do rio era de 5,78 metros, 79 centímetros inferior, em declínio.

A subida rápida do Rio Paraguai também foi influenciada pelo transbordando do Apa, seu afluente. Os pantaneiros de Murtinho informaram que as fortes chuvas chegaram depois de 90 dias de estiagem, causando inundações na área urbana da cidade, e está previsto uma frente fria vinda da Patagônia argentina. O presidente do sindicato rural local, Italívio Coelho Neto, não atendeu a reportagem para relatar a situação naquela região, que voltou ao normal.

A maior cheia da história ocorreu em abril de 1988, quando o rio Paraguai, atingiu a marca de 6,64 metros na régua de Ladário, superando os 6,62 m de maio de 1905.

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