Já é rotina encontrar ônibus do transporte público enguiçados nas vias de Campo Grande. E não é força de expressão. De acordo com os próprios funcionários do Consórcio Guaicurus, responsável pela prestação do serviço, veículos da frota quebram diariamente e deixam usuários desassistidos. A prefeitura reconhece que a fiscalização é deficiente.
A reportagem do Correio do Estado recebeu informação da leitora Sirley dos Santos, ontem, que testemunhou falhas mecânicas em dois ônibus da linha 080, cujo trajeto conecta os terminais Aero Rancho, na região sul, e General Osório, no lado norte.
De acordo com ela, os dois veículos enguiçaram ainda na Avenida Gunter Hans, pouco depois de deixar o Terminal Aero Rancho, pela manhã. As imagens encaminhadas pela leitora mostram dezenas de pessoas à espera de um carro substituto.
Segundo funcionário do Terminal Aero Rancho, cuja identidade será preservada, ao menos um ônibus quebra por dia entre as linhas que passam pela plataforma de transbordo da região sul. O local conta com uma média de seis carros reservas – estacionados dentro do terminal e nos arredores – e dois motoristas “de plantão”, que são acionados quando há falhas mecânicas.
Praticamente todos os usuários de transporte público ouvidos pela reportagem têm uma história sobre ônibus enguiçado para contar. O autônomo Jhonny Suzuki, 22 anos, passou pela situação pelo menos duas vezes.
“Comigo aconteceu no 302 (linha Caiobá). Já demora para chegar e ainda quebra, né? Você tem que sair de casa umas três horas antes do seu compromisso, porque o ônibus pode atrasar, pode quebrar, e você não pode perder o horário”.
Suzuki ainda lamenta a estrutura precária dos ônibus, o que já causou até discussões no meio da viagem. “Tem carro que a cordinha [para pedir parada] não funciona, nem os botões. Aí você puxa, o ônibus não para e o motorista acha ruim se reclamar. Além disso, tem elevador que está quebrado e quem é cadeirante tem que esperar o próximo veículo”.
A estudante Thalita Alves, 23, conta que se atrasou para a aula por causa de um ônibus quebrado. “É horrível. E a passagem é cara, o custo-benefício é péssimo”.
Já a servidora pública Nágila Maria Moreira, 41, já foi obrigada a descer de um veículo que faz a linha 073 – Terminal Nova Bahia/Terminal Júlio de Castilhos. “Os ônibus estão sempre cheios, são muito antigos, parecem sucatas”.
O Consórcio Guaicurus foi procurado, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem. O diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Janine de Lima Bruno, não atendeu ou retornou as ligações.
TERCEIRIZAÇÃO
Já o titular da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Vinícius Leite Campos, defende que as quebras diárias de ônibus não foram constatadas em auditoria interna. Ele aposta na terceirização da inspeção dos carros para minimizar o problema.
“A Agetran é responsável pela fiscalização, mas nós percebemos, ainda no ano passado, que ela não tem servidores suficientes para isso. Por isso abrimos uma licitação, que está para ser homologada, para contratar uma empresa terceirizada que vai fazer a inspeção desses veículos. A análise vai ser mais efetiva e de mais qualidade”, detalha.
De acordo com o portal de licitações em que o pregão eletrônico foi realizado, o serviço será prestado pela empresa Otimiza Inspeção Veicular Ltda. – EPP. O valor negociado foi de R$ 154.896,00 para realização de 600 inspeções durante 12 meses. A frota de ônibus em operação na Capital é composta de 585 veículos.