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Campo Grande - MS, terça, 25 de setembro de 2018

TRAGÉDIA DO LAGEADO

Promessas não cumpridas de doações dificultam ainda mais condição de família

De favor na irmã, diarista luta para superar perda total em incêndio

11 JUL 2018Por RAFAEL RIBEIRO18h:30

Falsas promessas de itens básicos de consumo, eletrodomésticos e até dinheiro vêm atormentando a família atingida por um incêndio que destruiu a casa onde moravam, no Parque do Lageado, região sul de Campo Grande, na última terça-feira (10). Um dia após a tragédia, enquanto comida e roupas chegavam na casa onde a diarista Lucimara Cristina de Arruda Pinto, 26 anos, mãe das sete crianças que ficaram feridas, uma delas em estado mais grave, com 15% do corpo queimado, a lamentação era por várias das promessas não cumpridas em alguns dos telefonemas recebidos de supostos samaritanos.

"A gente está precisando de muita coisa, como fralda e dinheiro mesmo, mas não sei o que aconteceu, ligaram prometendo as doações, mas acho que desviaram", disse a diarista, humilde.

A dor pelas promessas não cumpridas só acrescenta à angústia pela situação difícil que a família sofre e sofria antes do incidente. O dinheiro é pouco. E as dificuldades são grandes. As lágrimas, inevitáveis.

Lucimara morava há cerca de dois meses na residência. Dividia o terreno com a irmã, que morava na casa da frente com seus três filhos. Assim, conseguia diminuir o preço do aluguel para R$ 300.

Sobre o incêndio, a preferência é pelo silêncio. Até porque é melhor mesmo não relembrar o momento mais difícil da sua vida. Diz que escutou dos Bombeiros que a fiação do banheiro teve um curto-circuito. E que só se lembra dos filhos chorando e gritando. Mais nada. Isso pouco importa agora. Está sem dormir desde então. Abalada. Sem poder descansar. Sem se alimentar direito, dividindo o tempo entre os seis filhos que também sentem os efeitos do episódio, e sua bebê de 9 meses, que continua internada na Santa Casa. Precisa de cirurgia para reconstituir a pele das mãos, sem previsão de alta.

"Temos que orar muito a Deus nesse momento. E pelas pessoas de bem que estenderam a mão. Todos vamos sair dessa tão logo as coisas de encaixem", disse a diarista, esforçando-se sorrir. Na verdade a força é para sobreviver. Ser forte perante os filhos, que mais do que nunca têm na mãe o espelho para superar a tragédia.

Para a superação é essencial o apoio. E Lucimara, em meio às dificuldades tem de quem mais esperava. Da outra irmã, que mora no bairro vizinho do Parque do Sol e a abrigou e da patroa, dona de uma empresa na região central. O novo endereço necessariamente precisa ser provisório. Não há colchões o suficiente para as 14 crianças no total que ali estão habitadas agora. Não há cobertores. O vento frio das noites recentes de Campo Grande gelam o pequeno espaço onde a diarista dorme com a prole. Gelam sua estrutura física e mental.

"Hoje voltamos à casa (incendiada) e não sobrou nada. As roupas estão com cinzas, os móveis detruídos, vamos ter que recomeçar", sintetiza Lucimara, encerrando educadamente o contato. Não há incomôdo, apenas a necessidade de ir ver a caçula no pronto-socorro. Como ela diz, as necessidades e suas soluções agora são instantâneas. Resolve-se os problemas comno eles vão surgindo. E a prioridade era arranjar dinheiro para pagar o Uber rumo à Santa Casa. De ônibus demora. É cansativo. Hora de se despedir, torcendo pela vaquinha para o aplicativo de caronas dar certo. E mais do que isso, para que as promessas de horas como estas não se tornem cinzas como a esperança de Lucimara em sua antiga casa. 

Quem quiser ajudar a família pode levar as doações até o endereço na Rua Elídio Pinheiro 492, Bairro Parque do Sol. 

*Matéria editada às 12:00 para acréscimo de informação

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