UFMS

Professores pedem para investigar vestibular

Pelo menos sete candidatos teriam perdido a vaga após revisões
23/01/2020 09:30 - ADRIEL MATTOS


 

Estudantes que fizerem as provas do vestibular e do Programa de Avaliação Seriada (Passe) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul foram surpreendidos com diversos erros na edição do ano passado. Com falhas nas correções e na elaboração, professores denunciaram o caso ao Ministério Público Federal (MPF).

Algumas questões foram anuladas após candidatos entrarem com recurso. Isso levou a professora de Biologia Milena Costa Basso a procurar a Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec), entidade ligada à UFMS que elabora provas de vestibular e de concursos, para questionar os motivos. “O que me disseram foi que alunos de outras regiões reclamaram por acreditar que duas perguntas foram repetidas de outros exames”, detalhou. Por outro lado, uma questão de Matemática foi mantida apesar de serem apontados erros.

Candidatos foram surpreendidos ainda ao verem que tiveram a redação zerada. Após recurso, todos receberam nota 600. “Parece que padronizaram a nota”, afirmou Milena. Com tantas alterações, pelo menos sete estudantes perderam a vaga na universidade, nos cálculos da professora e de outros docentes.

PASSE

A correção das provas do Passe também foi alvo de questionamento. O programa leva em conta a nota do estudante no 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio, calculando uma média no último ano e garantindo uma vaga conforme a nota. Porém, alguns candidatos tiveram pontuações incomuns após a Fapec não usar o último número para calcular a média.

“Alguns alunos perceberam e outros não. A Fapec não alertou e a classificação acabou mudando”, explica Milena. Uma aluna perdeu a vaga após as revisões acolhidas pela fundação.

PREOCUPAÇÃO

Milena e outros professores se mostraram preocupados com tantos problemas. “Ninguém entende os critérios. Nem os pais nem os estudantes. São jovens de 16 anos, que não têm maturidade para compreender a dimensão disso. A Fapec não abre espaço para diálogo”, afirmou.

Na avaliação da docente, os processos das universidades do Estado precisam ser melhorados. “Passamos por uma época em que só se usava a nota do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e agora estão voltando os vestibulares. É preciso melhorar o processo, ter mais lisura e mais transparência. Comparado a outros estados, nós estamos virando chacota”, argumentou.

A professora e outros dois docentes de cursos pré-vestibular procuraram o MPF para pedir providências, já que muitos estudantes não tiveram conhecimento das falhas e nem tempo para recorrer. O órgão não deu detalhes sobre o caso para a reportagem.

Procurada, a UFMS não respondeu aos questionamentos do Correio do Estado até o fechamento da edição.

MAIS DE 15 MIL CANDIDATOS

Fizeram as provas do vestibular mais de 15,6 mil candidatos e outros 7,3 mil participaram de uma das etapas do Passe, aplicadas em dezembro de 2019, em Campo Grande e mais 10 municípios. Nos dois processos e no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a universidade ofereceu 5,2 mil vagas. A prova do vestibular teve 60 questões objetivas e de múltipla escolha, sendo 15 questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias; 15 de Ciências Humanas e suas Tecnologias; 15 de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; 15 de Matemática e suas Tecnologias; e a Redação.

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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".