Cidades

NA FRONTEIRA

Polícia apura 'pastel com maconha' produzido por traficantes no Paraguai

Brasileiros foram 'premiados' com quitute recheado nos vizinhos

RAFAEL RIBEIRO

10/08/2018 - 18h01
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A polícia do Paraguai investiga provável nova forma de atuação do tráfico de drogas após três trabalhadores da construção civil, brasileiros, de 42, 30 e 16 anos, precisarem serem hospitalizados por intoxicação após comerem pastéis que podem ter sido contaminados com maconha, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã.

Segundo a polícia local, os três homens voltaram para o local onde estavam abrigados na tarde da última quarta-feira (8), quando decidiram comprar o popular quitute de uma vendedora ambulante na rua. 

A degustação durou menos de dez minutos. Imediatamente o trio, do interior de Mato Grosso do Sul, começou a apresentar sinais como vômito e diarreia, sendo necessário que fossem encaminhados a um pronto-socorro.

No local, com o resultado dos exames em mãos, a divisão de narcóticos da polícia paraguaia foi acionada, pois foi confirmada a intoxicação por ingestão de maconha. 

Os agentes colheram o depoimento do trio e saíram as ruas da cidade em busca da tal ambulante 'vida louca', como foi chamada, mas é claro que não foi localizada. O caso continua investigado e os três homens permanecem internados, em estado regular.
 

CENSO ESCOLAR 2026

Campo Grande concentra 1 em cada 4 alunos da rede pública de ensino de MS

Capital reúne 151,4 mil matrículas em 2026, enquanto Mato Grosso do Sul soma mais de 560 mil nas redes estadual e municipais.

25/09/2026 17h37

Campo Grande reúne 151,4 mil matrículas e concentra 27% dos registros das redes estadual e municipais de Mato Grosso do Sul em 2026.

Campo Grande reúne 151,4 mil matrículas e concentra 27% dos registros das redes estadual e municipais de Mato Grosso do Sul em 2026. Foto: Prefeitura de Campo Grande.

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Mato Grosso do Sul contabiliza mais de 560 mil matrículas presenciais na educação básica das redes estadual e municipais em 2026, e pouco mais de uma em cada quatro está concentrada em Campo Grande. A Capital reúne 151.490 estudantes, o equivalente a aproximadamente 27% do total registrado no Estado.

Os números fazem parte dos resultados preliminares do Censo Escolar da Educação Básica de 2026, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

O levantamento considera as matrículas presenciais efetivas em creches, pré-escola, anos iniciais e finais do ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) das redes estadual e municipais.

Ao todo, a soma das etapas apresentadas no levantamento chega a 560.637 matrículas em Mato Grosso do Sul.

O tamanho da rede de Campo Grande fica ainda mais evidente na comparação com os demais municípios. Dourados aparece em segundo lugar, com 46.879 matrículas, número que representa menos de um terço das 151.490 contabilizadas na Capital.

Na sequência aparecem Três Lagoas, com 26.867; Ponta Porã, com 23.893; e Corumbá, com 19.957 matrículas.

Somente Campo Grande possui, portanto, mais estudantes matriculados do que Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá somados. Juntas, as quatro cidades reúnem 117.596 matrículas, cerca de 33,9 mil a menos que a Capital.

Capital lidera em diferentes etapas

A concentração não ocorre apenas no número geral. Campo Grande ocupa a primeira posição em diferentes etapas da educação básica contempladas pelo levantamento.

Nas creches, são 13.888 matrículas na Capital. Na pré-escola, o número chega a 16.788.

A maior quantidade está nos anos iniciais do ensino fundamental, etapa em que Campo Grande reúne 53.892 estudantes. Outros 38.305 estão matriculados nos anos finais.

Já no ensino médio regular, são 27.041 matrículas, o equivalente a aproximadamente 30% das 89.869 contabilizadas em Mato Grosso do Sul.

A Capital ainda registra 1.542 matrículas na EJA do ensino fundamental. Na EJA presencial de nível médio, porém, o cenário é diferente: são apenas 34 matrículas, conforme o resultado preliminar.

Ranking das maiores redes

A diferença entre os municípios também aparece quando são observadas as dez cidades com maior número de matrículas no Estado.

1º - Campo Grande: 151.490;
2º - Dourados: 46.879;
3º - Três Lagoas: 26.867;
4º - Ponta Porã: 23.893;
5º - Corumbá: 19.957;
6º -  Sidrolândia: 11.128;
7º - Naviraí: 10.486;
8º - Aquidauana: 10.360;
9º - Nova Andradina: 9.925;
10º - Amambai: 9.652

As cinco primeiras colocadas concentram, juntas, 269.086 matrículas, correspondentes a aproximadamente 48% do total estadual. Ou seja, praticamente metade das matrículas contabilizadas está concentrada em apenas cinco dos 79 municípios sul-mato-grossenses.

Campo Grande, isoladamente, possui quase 3,2 vezes o número de matrículas de Dourados e mais de cinco vezes o registrado em Três Lagoas, terceira colocada.

Ensino fundamental concentra estudantes

Quando os dados são observados por etapa, o ensino fundamental representa a maior parcela das matrículas da educação básica consideradas no levantamento.

Mato Grosso do Sul contabiliza 201.599 matrículas nos anos iniciais e outras 142.403 nos anos finais. Somadas, são 344.002, correspondentes a aproximadamente 61% das 560.637 matrículas consideradas.

A educação infantil também representa uma parcela significativa. São 53.951 crianças matriculadas em creches e outras 65.385 na pré-escola, totalizando 119.336 matrículas. Já o ensino médio regular reúne 89.869 estudantes.

Os resultados são preliminares e correspondem às matrículas presenciais efetivas apresentadas no levantamento para as redes estadual e municipais.

Por isso, os números representam o recorte estabelecido pelo documento e podem sofrer alterações na consolidação definitiva dos dados.

Matrículas influenciam repasses do Fundeb

Além de dimensionar o tamanho da rede pública de ensino, o número de matrículas também influencia o financiamento da educação.

Os dados do Censo Escolar são utilizados como um dos critérios para a distribuição dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) entre estados e municípios.

O cálculo, porém, não depende apenas da quantidade de estudantes, já que as matrículas recebem pesos diferentes conforme fatores como etapa de ensino, modalidade e jornada escolar.

Como os números de 2026 apresentados no levantamento ainda são preliminares, eles não devem ser confundidos com a base já utilizada para definir os repasses do Fundeb deste exercício.

 

Campo Grande

Patrimônio de delegado que traficava cocaína salta de R$ 100 mil para milhões em 2 anos

Ex-chefe da Denar preso pelo Gaeco construiu acumulou carros zero, e construiu mansão no Alphaville, com elevador de R$ 89 mil e gastos milionários enquanto liderava na delegacia, esquema de repasse de drogas para outros traficantes

25/09/2026 17h37

Delegado Hoffmann posa com cocaína apreendida de traficantes; Gaeco revelou que ele desviava parte do material para o mercado ilegal

Delegado Hoffmann posa com cocaína apreendida de traficantes; Gaeco revelou que ele desviava parte do material para o mercado ilegal Gerson Oliveira/Arquivo

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No fim de 2023, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, 56 anos, declarou à Receita Federal um patrimônio líquido de pouco menos de R$ 100 mil. Em 2025, a mesma declaração registrava bens de R$ 1,226 milhão, dois carros zero-quilômetro e uma casa em construção no condomínio Alphaville 1, em Campo Grande, cujo acabamento sozinho, segundo uma planilha guardada pelo próprio delegado, custaria R$ 1,649 milhão.

A evolução patrimonial é um dos pilares do pedido de prisão do Gaeco contra o ex-chefe da Denar, preso na Operação Infiltrados, em Campo Grande, na quinta-feira (24) sob acusação de comandar um esquema de desvio de drogas apreendidas. Os dados vieram da quebra dos sigilos bancário e fiscal.

“No final de 2023, com vários anos de carreira como Delegado de Polícia, o patrimônio de Hoffman era de R$ 100.000,00”, resumem os promotores. Nos anos anteriores, o saldo era negativo: dívidas superavam bens em 2020 e 2021. A virada, segundo a peça, coincide com o período em que o grupo passou a desviar cargas maiores de cocaína, a apreensão de 643 quilos em Bela Vista, chefiada por Hoffman em maio de 2024, é o episódio central da investigação.

Delegado Hoffmann posa com cocaína apreendida de traficantes; Gaeco revelou que ele desviava parte do material para o mercado ilegalMansão do delegado Hoffmann levantada no Alphaville, em Campo Grande

No OneDrive, nuvem de arquivos da Microsoft, vinculado ao e-mail do delegado, o Gaeco localizou o arquivo “PAGAMENTOS OBRA ATUALIZADO.xlsx”. O documento lista, item a item, o que estava sendo gasto na casa no Alphaville 1: R$ 300 mil em madeiras, R$ 214,5 mil em revestimentos, R$ 170 mil em automação, R$ 190 mil em eletrodomésticos da marca Elettromec, R$ 89 mil no elevador, R$ 81 mil em ar-condicionado, R$ 21,5 mil na churrasqueira. 

O total é R$ 1,6 milhão, dos quais R$ 1,2 milhão já estavam pagos quando a planilha foi atualizada, em 2025.

O terreno foi registrado em 2024 por R$ 400 mil, “com grande parte pago em dinheiro vivo”, segundo a peça. O imóvel foi um dos 38 endereços de busca e apreensão cumpridos na quarta-feira.

Dinheiro em espécie

Os extratos do delegado mostram 32 depósitos em dinheiro entre outubro de 2021 e junho de 2025, somando R$ 328,5 mil. Em 11 de março de 2024, uma entrada de R$ 276 mil em espécie no caixa de uma agência bancária. No mesmo dia, um “saque com cartão para pagamentos” de R$ 265 mil. A conta da esposa recebeu outros 80 depósitos em dinheiro, de R$ 108 mil, no mesmo período.

Para justificar parte do patrimônio, Hoffman declarou no Imposto de Renda de 2025 um empréstimo de R$ 750 mil tomado junto à W Martins Representações e Comércio de Artigos de Mercearia Ltda. O Gaeco lista alguns motivos para não acreditar na operação. Segundo o relatório, a empresa é do ramo alimentício, tem capital social de R$ 20 mil, o dinheiro não aparece entrando na conta do delegado e não há qualquer amortização nas declarações seguintes. Os promotores tratam o contrato como “empréstimo simulado”, usado para dar aparência lícita ao dinheiro. O titular da empresa não é investigado.

Em 2025, o delegado ainda comprou um Honda HR-V, financiado, e uma Toyota Hilux registrada em nome da mulher, juntos, mais de R$ 400 mil, e vendeu um Jeep Compass por R$ 150 mil. Seus rendimentos declarados naquele ano foram de cerca de R$ 519 mil.

Outro fluxo chamou a atenção dos investigadores. Em agosto, setembro e outubro de 2025, Hoffman fez três transferências de R$ 25 mil cada para a Ateliê Raro Fabricação e Comércio de Móveis, empresa do investigador Douglas Tobias, seu subordinado na Denar, também preso na operação. 

A mesma empresa recebera, em outubro de 2024, R$ 130 mil do investigador Nelson Ricardo Barros de Oliveira, logo depois de Nelson receber R$ 313 mil em depósitos em dinheiro. Entre a conta pessoal de Douglas e a da empresa, o Gaeco contou cerca de R$ 500 mil em depósitos sem origem identificada desde 2021.

A relação de Hoffman com o grupo, segundo a peça, é antiga. Em setembro de 2021, o investigador Neverson Vieira de Araújo, apontado como o policial que recrutou o traficante LK, fez três Pix ao então chefe, somando R$ 5.900. Em dezembro de 2022, os dois viajaram juntos a Brasília para um encontro nacional de combate ao tráfico, representando a Denar.
 

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