Cidades

CRIME ORGANIZADO

Piloto preso em SP dava aula sobre rotas do tráfico ao PCC na fronteira

Ex-funcionário de político mineiro conhecia rotas sem fiscalização no Pantanal

RAFAEL RIBEIRO

26/04/2018 - 17h30
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Além da prisão de três pilotos e a apreensão de um helicóptero suspeito de ser usado no tráfico internacional de cocaína, na quarta-feira (25), em Arujá (SP), a Polícia Civil de São Paulo acredita ter desmantelado esquema em que os profissionais ensinavam rotas da fronteira do Pantanal com a Bolívia fora do controle das autoridades a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que controla a entrada de drogas e armas nos limites de Mato Grosso do Sul.

A aeronave era monitorada desde janeiro e, segundo a polícia, nos últimos quatro dias tinha 56 horas de viagem não registradas em bordo ou comunicadas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). "Não havia plano de voo, típico de facções criminosas que transportam drogas da Bolívia para São Paulo", disse Aldo Galiano Júnior, delegado seccional de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, e que comandou a operação, ao Portal Correio do Estado.

Entre os pilotos presos está Rogério Almeida Antunes, detido em 2013 pela Polícia Federal em Espírito Santo transportando 450 quilos de cocaína em helicóptero da empresa Limeira Agropecuária, do então deputado estadual mineiro Gustavo Perrella (SD), hoje diretor da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O inquérito do caso concluiu que ele não tinha envolvimento com a droga.

Antunes respondia o caso em liberdade e desde janeiro, no início das investigações, seu nome aparece vinculado ao tráfico aéreo de drogas na fronteira. Júnior aponta que foi detectado não só que o próprio piloto e os comparsas buscavam cocaína e utilizavam bases montadas em Corumbá, Ladário e cidades de Mato Grosso, mas também ofereciam ensinamentos sobre rotas para integrantes da facção criminosas cumprissem prazos e pedidos quando não estavam disponíveis para voar.

"É um 'know how' para o mal", disse o delegado paulista. "Com a ajuda da Polícia Federal e autoridades bolivianas, descobrimos que eles tinham muita penetração e respeito na facção por conta do conhecimento das pistas e hangares clandestinos naquela região."

Apesar do helicóptero apreendido ser todo adaptado para o transporte de drogas, com outros bancos senão o do piloto removidos, o grupo de pilotos realizava outros serviços. Felipe Ramos Moraes, piloto que é integrante do PCC e é apontado pela polícia como integranrte do grupo que matou dois líderes da quadrilha, em fevereiro, no Ceará, faz o transporte de lideranças para Puerto Suarez, na Bolívia, cidade usada como base para carregamentos das aeronaves com cocaína. Ele continua foragido.

"Moraes é quem controla o tráfico aéreo para a facção, determina a entrada de novos contratados, ministra cursos de como ecitar autoridades e compra as aeronaves. Ele usou o helicóptero que aprendemos pelo menos duas para ir à Bolívia neste ano. E era comum ele ser visto em cidades como Ladário e Corumbá antes da morte dos líderes, quando seu nome ainda não atrelado ao da quadrilha", disse Júnior.

A necessidade de recorrer a mão de obra especializada e abrir rotas na Bolívia cresceu para o PCC depois que o FBI (polícia federal dos EUA) e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai aumentaram o controle de voos não identificados em operações realizadas durante todo o ano passado para coibir o tráfico aérteo no país. Mais de 32 pistas e hangares clandestinos foram desmantelados em sete meses de atuação em Ponta Porã, Bela Vista e seus limites fronteiriços.

Além disso, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Repressão do Crime Organizado, desencandeou a Operação Icarus, que desde 2015 prendeu pilotos e traficantes acusados de adulterarem aeronaves furtadas e roubadas para que aguentassem viagens longas sem necessidade de abastecimento, chamando menos a atenção das autoridades.

"Foi um trabalho primoroso (a Operação Icarus), pois de uma só tacada toda a mão de obra criminosa precisou ser renovada e ter outro planejamento. As lideranças foram para a Bolívia e dificultou a contratação de mão de obra local (de Mato Grosso do Sul), obrigando a facção a pagar mais para pilotos e técnicos de outros locais", disse Júnior. 

SEQUESTRO

No início de março, a figura de Moraes ganhou mais notoriedade no crime após o Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo atrelar, no início de março, o nome dele com o de uma notória figura do crime organizado em Mato Grosso do Sul: Gerson Palermo, conhecido nacionalmente por sequestrar um Boeing-737-200 da Vasp, que fazia a rota Foz do Iguaçu (PR) a São Luís (MA), em 16 de agosto de 2000.

Ex-piloto de avião que acumula passagens pela polícia desde 1991, quando foi preso em Campinas (SP) transportando drogas, Palermo liderou o PCC na Capital e foi preso em março de 2017 pela Polícia Federal na Operação All In, que desmantelou parte do tráfico internacional de drogas em Corumbá e teve 18 presos ao todo. 

Em 2005, cumprindo sua pena por 30 anos pelo caso do avião no presídio da Gameleira, na Capital, Palermo iniciou uma série de rebeliões no local, uma delas no dia das mães, onde cerca de sete desafetos foram executados com requintes de crueldade.

Na avaliação dos promotores, Moraes substituiu Palermo e o responsabilizou para substituir funcionários e reconstruir pistas de pouso e hangares. Desta vez, toda a estrutura foi sediada na Bolívia, em tentativa da facção evitar perdas como as registradas na operação dos federais.

"Tipo 2"

Governo de MS abre licitação para construir Casa da Mulher em Corumbá

Valor estimado do pregão é de R$ 8.399.030,70

26/02/2026 09h25

Fachada da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande

Fachada da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande Gerson Oliveira

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Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), abriu licitação para construir a Casa da Mulher Brasileira – Tipo II, em Corumbá, município localizado a 416 quilômetros de Campo Grande.

O aviso de licitação foi publicado nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial Eletrônico (DOE-MS)

O valor estimado é de R$ 8.399.030,70. O critério de julgamento é o menor preço. O modo de disputa é aberto. O regime de execução é empreitada por preço unitário.

A abertura do pregão será em 17 de março, às 9h30min, neste site. O edital está disponível aqui.

Fachada da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande

CASA DA MULHER BRASILEIRA

Casa da Mulher Brasileira (CMB) é um centro de atendimento humanizado que integra, em um único espaço, diversos serviços especializados para mulheres em situação de violência.

Os serviços oferecidos no local são:

  • Acolhimento e Triagem: Apoio psicossocial imediato com psicólogas e assistentes sociais
  • Delegacia Especializada (DEAM): Registro de boletins de ocorrência no próprio local
  • Poder Judiciário e Ministério Público: Agilidade na solicitação de medidas protetivas de urgência
  • Defensoria Pública: Assistência jurídica gratuita para as vítimas
  • Autonomia Econômica: Orientação para inserção no mercado de trabalho
  • Alojamento de Passagem: Acolhimento provisório para mulheres em risco de morte
  • Brinquedoteca: Espaço seguro para os filhos enquanto a mãe é atendida

Atualmente, Mato Grosso do Sul possui apenas uma Casa da Mulher Brasileira: em Campo Grande, localizada na rua Brasília, Jardim Imá, próximo ao aeroporto internacional. 

A primeira do Brasil, foi inaugurada em 3 de fevereiro de 2015, com a presença da presidenta da república aquela época, Dilma Rousseff; governador da época, Reinaldo Azambuja; prefeito de Campo Grande da época, Gilmar Olarte; ministra Carmen Lúcia; farmacêutica inspiradora da Lei que leva seu nome, Maria da Penha; entre outras autoridades.

A previsão é que o Estado ganhe mais duas novas unidades, em Dourados (R$ 16 milhões) e Corumbá (R$ 8 milhões).

No Brasil, há 15 unidades: Campo Grande (MS), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), São Luís (MA), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Ceilândia (DF), Cruzeiro do Sul (AC), Santo Antônio do Descoberto (GO), Cidade Ocidental (GO), Hortolândia (SP), Japeri (RJ), Jataí (GO) e Mossoró (RN).

Novas unidades serão inauguradas em 2026, em Macapá (AP) e Aracaju (SE).

A fundação do local é resultado da luta de mulheres brasileiras durante décadas. O intuito é valorizar o público feminino e enfrentar todas as formas de violência contra a mulher. 

DRAMA

Hospital é condenado por insinuar infidelidade conjugal de parturiente

Falso-positivo de sífilis foi informado de forma inadequada e por conta de suspeitas, o marido chegou a abandonar a esposa e a recém-nascida

26/02/2026 09h17

Primeira Câmara Cível do TJMS manteve a condenação que já havia sido imposta pelo magistrado de primeira instância

Primeira Câmara Cível do TJMS manteve a condenação que já havia sido imposta pelo magistrado de primeira instância

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Em decisão unânime, a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul mantevea condenação de um hospital ao pagamento de indenização de R$ 20 mil por danos morais em razão da comunicação inadequada de um diagnóstico falso-positivo de sífilis a uma parturiente e à sua filha recém-nascida.

O julgamento ocorreu em sessão permanente e virtual concluída no dia 22 de fevereiro, sob relatoria do desembargador Sérgio Fernandes Martins.

No caso, o hospital recorreu de sentença que o condenou ao pagamento de R$ 10 mil a cada um dos pais da criança, alegando que o resultado reagente inicial para sífilis é uma intercorrência tecnicamente possível em gestantes e que todos os protocolos médicos teriam sido observados.

Além disso, sustentou ainda que não houve falha na prestação do serviço nem divulgação indevida do resultado, pleiteando a reforma da decisão ou, de forma subsidiária, a redução da indenização para R$ 1,5 mil por genitor.

Ao analisar o recurso, o relator destacou que a responsabilidade civil do hospital não decorreu do resultado laboratorial em si, mas da forma como o diagnóstico foi comunicado à paciente. Conforme o voto, embora o falso-positivo seja uma possibilidade prevista na literatura médica e nos protocolos do Ministério da Saúde, a equipe de saúde tinha o dever de agir com cautela redobrada, especialmente quanto ao sigilo e à forma de transmissão da informação.

As provas colhidas no processo demonstraram que o diagnóstico de sífilis foi comunicado à parturiente em ambiente coletivo, com insinuações sobre possível infidelidade conjugal.

“A comunicação inadequada e vexatória foi o gatilho para uma série de danos em cascata: a imposição de um tratamento invasivo e doloroso com penicilina à mãe e à recém-nascida, que se revelou desnecessário; o abalo psicológico profundo na autora; e a instauração de uma grave crise de desconfiança no seio familiar, que culminou no afastamento temporário do esposo, do convívio com a esposa e a filha recém-nascida. Portanto, ao contrário do que alega a apelante, não se trata de mero dissabor decorrente de um resultado de exame, mas de uma sucessão de falhas graves na prestação do serviço que geraram danos concretos e indenizáveis”, destacou o Des. Sérgio Fernandes Martins, ressaltando que a conduta violou o dever de sigilo profissional e os direitos à dignidade, honra e privacidade da paciente.

Quanto ao valor da indenização, o relator do processo entendeu que o montante fixado em primeiro grau atende aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, considerando a gravidade dos fatos e o caráter pedagógico da condenação. Para os magistrados do colegiado, a redução pretendida pela apelante banalizaria o sofrimento experimentado pelos autores.

Dessa forma, a 1ª Câmara Cível negou provimento ao recurso e manteve integralmente a sentença, inclusive quanto ao valor da indenização por danos morais.

(Informações da assesoria do TJ)

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