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INVESTIGAÇÃO

Peixes morreram por falta de oxigênio causada por produto

Laudo de universidade da Capital não conseguiu identificar se substância era química ou orgânica

7 DEZ 19 - 10h:00DAIANY ALBUQUERQUE

A morte de centenas de peixes no dia 26 de novembro no Rio Anhanduí, localizado na Avenida Ernesto Geisel, em Campo Grande, teria sido causada por despejo de algum produto – químico ou orgânico – na água, o que reduziu o nível de oxigênio.

A professora doutora em Piscicultura Milena Wolf, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), explica que a avaliação feita apontou que a água estava com níveis baixos de oxigênio, porém, que não eram letais.

“O nível de oxigênio na água na terça [26] era baixo, porém, não letal. Provável no dia anterior, na segunda-feira (25), quando se iniciou a mortalidade, o oxigênio estava mais baixo e a chuva pode ter melhorado os parâmetros de qualidade da água”, explicou.

O laudo foi elaborado com base na análise da água do rio coletada pela equipe da universidade. A ideia era também ter coletado uma amostra de peixe para fazer uma autópsia mais detalhada, porém, como eles já estavam mortos há muito tempo, os profissionais optaram por não fazer a análise, pois o resultado poderia ser afetado pelas substâncias liberadas durante a decomposição.

“Como pararam de aparecer peixes mortos no decorrer dos dias, podemos dizer que foi algum ‘produto’ químico ou orgânico lançado pontualmente que causou o problema e foi diluído pela chuva”, afirmou a especialista. Como a coleta ocorreu muito tempo depois do despejo do produto, a análise não conseguiu identificar que tipo de material causou as mortes.

O despejo do produto químico, inclusive, era a principal suspeita da pesquisadora, assim que o fato ocorreu. Segundo ela, apenas dois motivos causariam a morte de peixes no local, o despejo de algum produto químico em grande escala ou o processo de eutrofização (quando grande quantidade de matéria orgânica é depositada na água e há a multiplicação de algas, que consomem o oxigênio durante a noite e há a diminuição dele na água, o que causa a morte de peixes).

“Na eutrofização, a água fica esverdeada, porém, é um processo que ocorre lentamente. Dificilmente apareceriam peixes mortos de um dia para o outro, ainda mais na quantidade que foi. Então a causa mais provável é que tenha havido um despejo ilegal de composto químico”, avaliou a zootecnista.

MORTES

Os peixes mortos começaram a ser percebidos pela população que mora às margens do rio no início da tarde do dia 25 de novembro e, ainda na manhã do dia seguinte, era possível ver os animais mortos no local. A reportagem percebeu que os peixes mortos eram vistos a partir do Bairro Taquarussu até, pelo menos, no Bairro Coophavila II, uma extensão de 7 quilômetros ao longo da Avenida Ernesto Geisel.

De acordo com moradores, os primeiros sinais começaram por volta das 12h do dia 25. As pessoas sentiram um forte odor vindo do Rio Anhanduí e, ao verificar o que acontecia, os moradores perceberam que a água estava turva e que muitos peixes estavam morrendo.

Enquanto a reportagem esteve no local, foi possível perceber que  grande quantidade de peixes mortos estava na acumulada entre as ruas Bom Sucesso e do Aquário, no Bairro Marcos Roberto.

“Pode ser que naquele ponto o produto tenha reduzido o oxigênio na água e encontrado um cardume, o que causou a mortalidade. Mas, ao longo do rio, o oxigênio consegue ser elevado a nível suficiente para não matar mais peixes”, explicou o tenente-coronel da Polícia Militar Ambiental (PMA), Ednilson Queiroz.

Os peixes mortos eram todos tilápias e, conforme Queiroz, isso pode ser explicado pela fato de a espécie não ser da fauna da região. “Eles têm menor resistência à poluição, muito provável que por isso só eles morreram. Já os nativos, como o cascudo, são mais resistentes”.

Além dos acadêmicos da UCDB, a PMA, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) estiveram no local. Os militares fizeram imagens da situação e encaminhariam os registros para o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

O Imasul informou que todos os resultados levantados pelo órgão seriam encaminhados para a Semadur. A pasta por sua vez informou que ainda não tem as informações referentes à análise da água do Rio Anhanduí. 

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