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Suspeita

Patrimônio de chefe da pirâmide dos bitcoins se resume a moto de R$ 4,1 mil

Veículo não condiz com a realidade financeira mostrada pelo investigado

20 ABR 18 - 09h:25RENAN NUCCI

Advogado, empresário, detentor de dois diplomas de curso superior, pós-graduado em direito tributário e CEO da Minerworld, "multinacional" especializada em tecnologia financeira. Este é o perfil de Cícero Saad Cruz, um dos chefes do império milionário criado em Campo Grande, a partir de pirâmide financeira fomentada pela suposta mineração de bitcoins (criptomoedas). Apesar do status, seu patrimônio se resume a uma moto popular.

Pelo menos de acordo com o que foi apurado até o momento pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, o único bem registrado em nome do empresário é, de forma no mínimo suspeita, uma moto Honda CG 125 Fan KS preta, ano 2011. O veículo está avaliado em R$ 4,1 mil, conforme consulta atualizada da Tabela Fipe, que expressa preços médios no mercado nacional, como parâmetro para negociações ou avaliações.

A moto é um veículo popular e não condiz com a realidade financeira de quem operava cifras milionárias, apostando em negócio que prometia lucros exorbitantes e aquisição instantânea de riquezas.  Por meio de vídeos nas redes sociais, Cícero aparecia em veículos luxuosos, trajado como executivo, explicando a respeito dos investimentos e benefícios da mineração dos bitcoins. A relação desproporcional é apurada pelo Ministério Público.

O juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da Capital, determinou pelo bloqueio de R$ 300 milhões em bens de todos os investigados, incluindo Cícero, a Minerworld, as empresas BitOfertas e Bitpago, além de mais sete pessoas. O detalhe é que, assim como o CEO da Minerworld, os demais também apresentam patrimônio declarado incompatível com o estilo de vida ostentado.

O veículo mais caro é um Mercedes-Benz CLA 250 com valor superior a R$ 150 mil, em nome da Bitpago. Além deste, há uma moto esportiva Yamaha YZF R1, em nome de Jeová das Graças Silva. Os demais são veículos comuns como um Fiat Punto, um Palio, um Ka, uma Honda Biz e outra Honda Fan KS. Segundo investigações, o grupo fez aproximadamente 50 mil vítimas em todo o país, por meio da exploração da pirâmide dos bitcoins.
 

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