Cidades

PANDEMIA

Paraguai fecha as fronteiras e proíbe a entrada de brasileiros

Paraguaios que retornarem ao País deverão ficar isolados durante 14 dias

Continue lendo...

Na tarde desta quarta-feira (18), o exército paraguaio fechou a fronteira com o Brasil em Pedro Juan Caballero, cidade que faz divisa com a cidade sul-mato-grossense Ponta Porã. Conforme informações dos comerciantes que atuam na fronteira, os policiais paraguaios estavam na divisa dos países informando que a partir desta quinta-feira (19) nenhum brasileiro entra. 

De acordo com o radialista de Ponta Porã, Reinaldo Jalasca, informa em vídeo enviado ao Correio do Estado, a partir de amanhã os brasileiros não conseguirão entrar no Paraguai. “Estamos em frente ao shopping West Garden na linha internacional, os policiais estão orientando que amanhã os brasileiros não podem mais entrar no Paraguai. Para conter o coronavírus essa foi a atitude tomada”, disse Jalasca.

Segundo o presidente da Câmara de Comércio e Turismo de Pedro Juan Caballero, Victor Barreto, a fronteira já estava sendo controlada. “A entrada e saída já estava restrita. Tem paraguaios que moram em Ponta Porã que estavam entrando e saindo. Aqui em Pedro Juan ainda não temos nenhum caso confirmado, por isso o Paraguai quer controlar a entrada”, disse.

O empresário Alejandro Aranha, disse que somente os estrangeiros ou pessoas em tratamento médico estão passando. “Ninguém entra ou sai a partir de amanhã. Apenas os estrangeiros que estejam passando por aqui ou os que precisam de tratamento médico”, informou ao Correio do Estado.

PONTE DA AMIZADE 

Durante a tarde de hoje, a Ponte Internacional da Amizade, que faz fronteira entre a Ciudad Del Este e Foz do Iguaçu já havia sido fechada após determinação do governo do Paraguai. Conforme informações do jornal O Dia, o bloqueio será de 15 dias.

O Paraguai contabiliza nove casos confirmados para Covid-19 de acordo com as notícias locais. O país vizinho determina que os turistas sem documento paraguaio que estejam voltando para o Brasil, caminhoneiros e veículos com mercadorias podem entrar. Já os paraguaios que estejam voltando serão obrigados a ficar em quarentena por 14 dias.

 

ATENDIMENTO

Servidores do Detran-MS podem entrar em greve a partir de quarta

Sindicato da categoria diz que, caso não houver proposta na reunião de amanhã, agências da entidade no Estado podem amanhecer fechadas no dia seguinte

27/04/2026 08h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

Em estado de greve desde o dia 25 de março, os servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) esperarão até amanhã por uma proposta por parte da diretoria da entidade. Caso ela não venha, eles prometem paralisar as atividades por tempo indeterminado em todas as agências do departamento.

A categoria alega sete motivos para a possível greve a partir de segunda-feira: reestruturação da carreira; reconhecimento da carreira como segurança viária; reconhecimento de todos os servidores como agentes de trânsito; valorização salarial; oito promoções atrasadas; direito pelo tempo de serviço perdido durante a pandemia; e concurso público.

Ainda segundo o sindicato, a categoria não tem um concurso público há mais de 10 anos, por causa disso, eles reclamam de sobrecarga de trabalho e também do que eles chamaram de terceirização de algumas atividades.

Os servidores fizeram uma paralisação no dia 1º de abril e projetaram a possível greve para o dia 6, porém, a diretoria do Detran-MS pediu que a categoria esperasse até o dia 28 para que a autarquia pudesse tentar apresentar alguma proposta.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Detran-MS (Sindetran-MS), Bruno Alves, a categoria está disposta a uma paralisação caso nenhuma alternativa seja apresentada durante a reunião de amanhã.

“Nós mantemos o indicativo de greve e a possibilidade de paralisação. A existência da reunião não era o condicionante para a gente estabelecer isso ou não. Nós precisamos de resultado. Não basta uma reunião, porque de reunião em reunião a gente já está guardando aí há uns quatro anos. E nós deixamos isso muito claro ao governo, que se não tiver proposta para a categoria, se não tivermos resultado, no dia 29 o Estado inteiro pode amanhecer em greve”, afirmou Alves.

“Nós esperamos que a greve não seja necessária, porque é o último recurso, traz transtornos à sociedade. A gente sabe como uma greve começa, mas não sabe como termina. Entretanto, o servidor está disposto a enfrentar uma greve contra um governo forte, caso ele não traga solução para a nossa crise”, completou o presidente do sindicato.

Alves ainda afirmou que ele tem consciência de que nem todas as reivindicações podem ser atendidas, principalmente em relação ao reajuste salarial, já que em ano eleitoral a administração tem um prazo legal para conceder aumento para seus servidores, e esse prazo encerrou no dia 7.

“Nós já tivemos algumas conversas nesse meio do caminho, as nossas pautas estão na mesa, o Detran-MS tem consciência e ele [o governo] vai ter que nos apresentar aquilo que é possível de ser feito. E dentro daquilo que ele nos apresentar, vai ser na terça-feira, ele vai dizer se nós teremos greve ou não”, afirma.

Sindicato espalhou faixas cobrando a diretoria do Detran-MS em frente à sede de Campo Grande - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

DIGITALIZAÇÃO

Entre as reivindicações da categoria, uma das reclamações feitas pelos servidores é a digitalização dos serviços do Detran-MS, um motivo de orgulho para a administração da entidade.

De acordo com o Sindetran-MS, o processo vem sendo feito “sem a segurança necessária, o que teria facilitado fraudes e o uso indevido do nome do Detran-MS”. Servidores também relatam falhas frequentes nos sistemas.

No entanto, a diretoria do Detran-MS vê a digitalização com muito entusiasmo. No dia da paralisação, a autarquia afirmou à reportagem que, apesar do protesto, os usuários não ficaram desassistidos com a falta dos servidores, justamente por conta das medidas implantadas para ampliar o atendimento digital.

“Referência nacional na digitalização dos serviços, o Detran de Mato Grosso do Sul destaca que os canais digitais estão à inteira disposição da sociedade. São eles: portal de serviços – www.meudetran.ms.gov.br; aplicativo Meu Detran-MS (disponível na PlayStore e na Apple Store); e Glória – assistente virtual do Detran-MS – WhatsApp (67) 3368-0500”, divulgou o Detran-MS.

*Saiba

O Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) tem só em Campo Grande 11 agências, além de mais de 80 pontos espalhados pelos demais municípios do Estado.

Assine o Correio do Estado

Ultima Ratio

Alvo da PF, advogado da JBS recebia valores acima do mercado

Especialistas afirmam que os R$ 20 milhões pagos a Rodrigo Pimentel superam com folga os padrões da advocacia em MS

27/04/2026 08h00

Advogado Rodrigo Pimentel, cujo escritório recebeu R$ 20 milhões da JBS em menos de um ano

Advogado Rodrigo Pimentel, cujo escritório recebeu R$ 20 milhões da JBS em menos de um ano Arquivo/Divulgação

Continue Lendo...

O pagamento de R$ 20 milhões em honorários advocatícios ao escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados pela JBS S.A., um dos gigantes mundiais da produção de proteína animal, chama atenção pelo alto valor, muito acima dos praticados no mercado de Mato Grosso do Sul.

A maioria dos advogados consultados pelo Correio do Estado, alguns preferiram manter seus nomes em reserva, afirma que os valores recebidos pelo escritório de Rodrigo Pimentel, que foi indiciado por corrupção passiva na Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal (PF), ao atingir a casa das dezenas de milhões de reais, deixam muito para trás até mesmo alguns grandes escritórios do estado de Mato Grosso do Sul com clientes importantes e alto faturamento.

A vultosidade dos valores chama ainda mais atenção no mercado pelo fato de as transferências verificadas da JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel terem ocorrido em período inferior a 12 meses, entre dezembro de 2022 e agosto de 2023.

No intervalo, o gigante mundial da proteína animal transferiu R$ 20.857.199,71, indica o relatório final de um dos inquéritos que compõem a Operação Ultima Ratio.

Um advogado, proprietário de uma das maiores bancas do Estado e com atuação consolidada na advocacia local, disse ao Correio do Estado, sob condição de anonimato, que é muito difícil identificar os serviços prestados pelo escritório Pimentel & Mochi e, mais ainda, verificar o valor deles.

“Para se ter honorários de R$ 20,8 milhões em menos de um ano, seria preciso uma causa ou mais causas, no contencioso ou no consultivo, de mais de R$ 200 milhões pelo menos”, comentou.

Outro advogado, cuja banca também se destaca em Mato Grosso do Sul e em ações em cortes superiores, comentou os altos honorários de Pimentel citados no relatório da PF e defendeu a necessidade de investigar a origem deles.

“Um trabalho ser remunerado por milhões, em tese, não é errado, trata-se de livre negociação privada, mas valores milionários podem levantar suspeitas, que devem e podem ser investigadas”, disse o advogado.

O advogado André Borges, que também lidera uma das maiores bancas de Mato Grosso do Sul e atua em casos de grande repercussão, comentou os mais de R$ 20 milhões pagos pela JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel em menos de um ano.

“Consultoria jurídica pode ser dos mais variados tipos, importância e valores. Honorários remuneram o trabalho e contam com respaldo legal. Normalmente, são ajustados livremente. O mercado jurídico do nosso estado não é dos maiores, raramente gerando milhões em honorários, mas há clientes com problemas grandes, e com riqueza maior ainda, que podem pagar milhões”, analisou.

Pagamentos milionários

Os pagamentos feitos pela JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel ocorreram entre 2 de dezembro de 2022, quando foram transferidos R$ 6 milhões, e 31 de agosto de 2023, quando a JBS fez o único dos seis pagamentos via Pix, no valor de R$ 1.266.975,00.

Em 31 de janeiro de 2023, a JBS pagou mais R$ 3.974.956,05, em 27 de março, outros R$ 1.638.018,66, em 12 de maio, mais R$ 5.631.000,00 e, em 1º de junho de 2023, mais R$ 2.346.250,00.

O delegado da Polícia Federal Marcos André Araújo Damato afirmou, ao relatar o primeiro dos inquéritos da Operação Ultima Ratio, que Rodrigo Pimentel pode ter recebido ainda mais da empresa.

“Como a quebra de sigilo bancário foi determinada até o mês de setembro de 2023, os pagamentos podem ter prosseguido”.

Fac-símile

Trecho do relatório da Polícia Federal em que os relatórios de inteligência financeira do Coaf mostram os valores recebidos pelo escritório de Rodrigo Pimentel pela JBA S.A.

Advogado Rodrigo Pimentel, cujo escritório recebeu R$ 20 milhões da JBS em menos de um ano

Patrimônio

Para o delegado, apesar de explicar sua relação com a JBS, Rodrigo Pimentel não conseguiu justificar o recebimento de aproximadamente R$ 20 milhões da multinacional, conforme números obtidos pela PF por meio de quebras de sigilo e de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“A respeito dos recebimentos acima [ele comenta os créditos da JBS na conta do escritório], Rodrigo Pimentel manifestou-se por escrito [...], contudo, não apresenta explicações sobre sua relação com a JBS que justifique o recebimento de cerca de R$ 20 milhões, limitando-se a dizer que são serviços advocatícios”, explicou o delegado.

Para a PF, o escritório de Rodrigo Pimentel afirmou que a divulgação do volume financeiro recebido da JBS “não foi vinculado a qualquer atividade minimamente descrita como ilícita”.

Na sequência, sustenta que a publicidade dos valores recebidos por Rodrigo da JBS macula sua imagem.

“Essa situação, de forma irreparável, macula a reputação do requerente, que, contratado, prestou os serviços advocatícios, emitiu as notas fiscais e pagou os correspondentes tributos”, afirmou Pimentel, em nota enviada à Polícia Federal.

Na investigação, o delegado Marcos André Araújo Damato ainda verificou um aumento patrimonial difícil de ser explicado.
Pimentel declarou crescimento significativo em seus rendimentos anuais: de R$ 52.500,00, em 2017, para R$ 3.310.068,00, em 2018 (aumento de mais de 62 vezes), e para R$ 9.226.989,95, em 2022 (aumento de mais de 174 vezes em 6 anos), o que foi considerado fora da normalidade.

Em nota, a JBS informou que “o escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados já atuou em diversas ações da empresa relacionadas a inúmeros temas e recebeu honorários por isso, como qualquer outro escritório que atue em defesa da JBS”.

Indiciamento

A Polícia Federal indiciou Rodrigo Pimentel por corrupção passiva no âmbito da Operação Ultima Ratio. Segundo a investigação, em 20 de junho de 2018, a empresa dele, a Ipê Assessoria Consultoria, recebeu R$ 275 mil da advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva.

Emmanuelle é esposa do ex-juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior, aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça em 2022, após investigações por suposta venda de sentenças, corrupção e lavagem de dinheiro.

No mesmo dia da transferência para a empresa de Rodrigo, ela recebeu mais de R$ 5 milhões por meio de guia de levantamento expedida por ordem dos magistrados Paulo Afonso e Julio Roberto Siqueira Cardoso, em recursos apontados como oriundos de fraude judicial contra um aposentado.

De acordo com o relatório final da PF, as justificativas apresentadas por Rodrigo Pimentel para o recebimento dos R$ 275 mil foram consideradas falsas. A investigação sustenta ainda que ele e o advogado Fábio Leandro teriam intermediado a venda de decisões judiciais.

Além disso, a PF identificou que Rodrigo e sua esposa firmaram, dois dias antes da transferência bancária, contrato com Emmanuelle para aquisição de um terreno avaliado em R$ 1 milhão, mas negociado por R$ 400 mil.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).