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Campo Grande - MS, sábado, 22 de setembro de 2018

CRIME ORGANIZADO

Novo chefe da PF em MS quer melhorar
estrutura e atuar contra o PCC

Luciano Flores de Lima assumiu função em fevereiro

8 MAR 2018Por RAFAEL RIBEIRO15h:10

Há 14 anos na Polícia Federal, o delegado Luciano Flores de Lima já sabe o que é a fama. Afinal foi ele que, em 2016, conduziu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento pela Operação Lava Jato ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba (PR).

Agora, dois anos depois, o desafio é outro: a superintendência do órgão em Mato Grosso do Sul, assumida no mês passado. Os problemas das fronteiras e das facções organizadas, os mais emblemáticos do Estado, não são necessariamente uma novidade para o gaúcho, que atuou também em áreas limites do País no Paraná e chega do Espírito Santos, onde estava alocado, com uma diretriz clara: a revitalização das sedes da PF ao longo das áreas consideradas mais problemáticas.

O Estado tem ao todo quatro delegacias da PF espalhadas ao longo de sua área de fronteira. E o próprio Lima reconhece que algumas estão em condições longe do ideal. E por isso o superintendente tem como prioridade pedir mais verbas e assim dar início às reformas, melhorando a estrutura e assim planejando com maior eficácia o combate principalmente ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa de São Paulo que comanda atualmente o tráfico de drogas e armas de Bolívia e Paraguai.

"O tema é tão sério que merece um bom planejamento e necessita de verbas. Esperamos que possamos fazer um planejamento adequado e ter esse apoio ao orçamento", disse o novo superintendente sul-mato-grossense, em entrevista exclusiva ao Portal Correio do Estado em sua sala, na sede do órgão, nesta semana.

A prioridade no combate ao crime organizado não poderia ser mais propício. As duas maiores metrópoles do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, se vêem diante de sérios problemas de segurança pública após racha interno de grandes proporções no PCC. A questão virou bandeira do presidente Michel Temer (PSDB),  que criou o Ministério da Segurança Pública e impôs intervenção militar na capital fluminense.

Diante de um cenário de caos, Mato Grosso do Sul é peça fundamental do tabuleiro do jogo contra o crime organizado. E Lima mostra-se ciente do dever. "A gente percebe e concorda com a importância de se ter uma PF mais atuante e ao mesmo tempo integrada com as demais forças de segurança", disse.

O objetivo do novo superintendente é nos próximos dias organizar reuniões com todos os demais órgãos de segurança, como a Polícia Rodoviária Federal e as polícias Civil e Militar, para traçar operações e atuações conjuntas em um momento de vulnerabilidade na fronteira.

Conforme o Correio do Estado revelou, a execução de líderes do PCC em São Paulo e Nordeste, além da mudança de comando da facção na fronteira prometiam momentos de instabilidade. Na última terça-feira (6), o investigador Wescley Dias Vasconcelos, do Setor de Investigações Gerais de Ponta Porã, foi morto a tiros de fuzil quando seguia para casa em uma viatura descaracterizada.

Para Lima, é evidente que o PCC tem raízes fixas em Mato Grosso do Sul. "Precisamos de um trabalho completo, de identificação e prisão das principais lideranças e também seguirmos com as operações habituais, para asfixiarmos financeiramente a fcção", disse.

Entretanto, além dos recursos e estrutura, o novo superintendente admite outra falha, o efetivo. Por isso espera pelo cumprimento da promessa de Temer em aumentar o número de agentes que atuam nas fronteiras. "Não é segredo para ninguém o problema de efetivo da Polícia Federal. Atualmente temos cerca de 10 mil. Só para cuidar das fronteiras a agência dos Estados Unidos tem 60 mil agentes", comparou.

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