SOCORRO A NOIVA

“Não podia fazer nada, <br>só segurar na mão e fazer carinho”, diz empresário

Ivanildo voltava do MT e seguia para Dourados, quando se deparou com o 4º acidente
08/09/2015 11:45 - VÂNYA SANTOS


 

“Sentimento é de impotência porque me vi lidando com a vida e a morte ao mesmo tempo. Não podia fazer nada, só segurar na mão e fazer um carinho na cabeça. Era uma pessoa que não conhecia, mas parecia ser da família”, contou o empresário Ivanildo Soares Sales, de 48 anos. Ele foi o primeiro a socorrer a médica Yuri Vanessa de Oliveira Tomonaga, de 31 anos, que morreu no último domingo (6), em capotamento na BR-060, em Paraíso das Águas.

O empresário foi o segundo a chegar no local do acidente, mas o primeiro a se aproximar da noiva, que voltava de Campo Grande, onde entregou convites para o casamento que aconteceria no mês que vem.

Ivanildo voltava do Mato Grosso e seguia para Dourados. Aquele era o quarto acidente que havia presenciado na viagem.

Ele contou que um casal que seguia na frente do carro da médica, sentido Camapuã/Paraíso das Águas, viu pelo retrovisor quando Yuri Vanessa perdeu o controle da direção e capotou o carro. O casal então retornou para o local e o empresário chegou em seguida. Impressionado com a situação, os dois não se aproximaram da médica, mas Ivanildo sim.

“O carro estava com as rodas para cima. Percebi que saía muita fumaça, mas me aproximei e vi que a bateria havia sido arremessada, que a fumaça era do óleo do veículo e não tinha risco de incêndio. Ela estava como cinto de segurança, presa e com a cabeça para baixo. Tentei falar com ela e ela reclamou que não estava conseguindo respirar. Sangrava pelo nariz, pela boca e estava se afogando com o sangue. Eu soltei o cinto e coloquei ela deitada para respirar melhor”, relembrou.

Além de reclamar da dificuldade em respirar, Yuri Vanessa se queixava de dor e pediu para que Ivanildo a soltasse, a puxasse. Momentos depois, passou a dizer palavras desconexas, em tom baixinho, que não podiam ser compreendidas pelo empresário. Aos poucos, perdeu a consciência.

“Percebi que ela não tinha mais movimento no corpo. Não mexia os pés, nem as mãos. A vontade era de colocar no carro e levar para o hospital, mas fiquei com medo da reação da família, de receber processo, então aguardei no local, orando pela vida dela”, relatou o empresário.

Ivanildo contou que pegou o celular da noiva para avisar a família, mas não conseguiu fazer ligação porque o aparelho estava bloqueado. Enquanto procurava o contato de algum parente da vítima, ele encontrou a carteira do Conselho Regional de Medicina (CRM) e foi então que descobriu que ela era médica.

Testemunhas acionaram equipe do Corpo de Bombeiros, de Chapadão do Sul, que demorou cerca de 1h10min para chegar.

Yuri morreu minutos depois do acidente, ocorrido no domingo, na BR-060 (Foto: Brito News)

ACIDENTE

Yuri Vanessa era médica e dava aula na Faculdade de Medicina em Rio Verde, Goiás. Ela era noiva de um engenheiro agrônomo que mora em Costa Rica.

A mulher voltava de Campo Grande, onde entregou convites do casamento a parentes e amigos. O casamento dela estava marcado para o dia 10 de outubro.

No caminho de volta para casa, a médica perdeu o controle da direção do veículo Renault Clio e capotou várias vezes. O carro parou às margens da rodovia e quem passava pela pista tentou ajudar a médica, que não resistiu aos ferimentos.

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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".