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Campo Grande - MS, segunda, 10 de dezembro de 2018

MOEDA DE TROCA

Município oferece terreno
a moradores de área pública

Famílias vivem na área conhecida como Rotunda há mais de dez anos

7 DEZ 2018Por TAINÁ JARA E NATÁLIA YAHN07h:00

Lotes avaliados em mais de R$ 50 mil serão a moeda de troca utilizada pela prefeitura para convencer seis famílias ocupantes de parte da Esplanada Ferroviária, conhecida como Rotunda, no Bairro Cabreúva, em Campo Grande. Algumas vivem no local, tombado como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), há mais de dez anos. 

Alvo de vandalismo e depredação há pelo menos 14 anos – quando o contorno ferroviário foi retirado da área urbana do município –, a Rotunda agora é parte do projeto de revitalização da região central, por isso, precisa ser retomada pela administração municipal. O diretor-presidente da Agência Municipal de Habitação (Emha), Eneas Carvalho, pediu a suspensão da reintegração de posse expedida pela Justiça para tentar negociar uma alternativa com as famílias. “Como eles vão morar lá nesses lotes, barraco ou edificação, aí é por conta deles”.

Os terrenos, localizados na região urbana do Anhanduizinho, serão pagos pelas famílias dentro das regras para aquisição de moradia social, ou seja, com valor diluído em parcelas. A prefeitura ainda garante auxílio às famílias na mudança. “É isso que nós temos. Se eles não quiserem, eu vou informar o Ministério Público, vou informar ao juiz que nós ofertamos a área e vou pedir o cumprimento da reintegração de posse”, afirma Eneas. 

ABANDONO

As famílias vivem em prédios da época do funcionamento da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB). Além disso, há um barraco construído sob cobertura que abrigava os trens. Em todo o terreno é possível constatar o abandono, pois, sem manutenção, o mato toma conta da área onde está a Rotunda. O pouco que ainda resta está pichado e sujo. 

Os moradores que vivem nas construções próximas, de forma improvisada, confirmam que foram notificados para deixar a área, mas reclamam do pouco tempo dado para sair do local.“Vieram na terça-feira e deram dois dias. Prometeram nos dar terreno e material de construção, mas eu só acredito vendo. Mesmo assim, precisamos de uns meses pra construir e sair daqui”, afirmou Jussara de Oliveira, 50 anos. Ela e o filho moram em um dos prédios há 10 anos. 

Outros dois moram em outras construções próximas. As famílias transformaram em moradia a parte da edificação onde funcionava o escritório da Rede Ferroviária Federal S.A. São dois cômodos com banheiro para cada grupo de moradores. As ocupações são apenas onde funcionava o escritório. No entanto, a construção circular está abandonada. No teto alto, faltam telhas e diversas paredes estão pichadas. Dos trilhos de ferro, nada restou. 

Outra moradora do local, a diarista Leonice Ferreira de Andrade, 65 anos, alega que se mudou para a área há apenas 3 meses e concorda em sair. “Eu vim para ficar mais perto do centro, para atender meu filho, que está fazendo tratamento de saúde. Aqui é perto do CEM [Centro de Especialidades Médicas]. Mas vou voltar para o bairro onde morava, o Nova Lima. Só preciso de um tempinho para alugar uma casa”.

Ela diz que a irmã vive no local há 10 anos, na casa onde o filho – que foi funcionário da NOB – vivia. “Meu sobrinho morava aqui quando era funcionário, isso foi há 20 anos. Quando ele resolveu sair, ela passou a morar no lugar dele. Agora, está todo mundo atrás de atualizar o cadastro na Emha, eu mesma tenho que fazer isso, para tentar conseguir uma casinha. Aqui é perigoso, tem muitos usuários de drogas e violência”, relata.

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