Cidades

TRÂNSITO PERIGOSO

MS teve 15 pagamentos de indenizações por invalidez por dia até outubro

Número é maior que o dobro de outras causas apontadas, como as mortes

RAFAEL RIBEIRO

26/11/2018 - 16h32
Continue lendo...

Mato Grosso do Sul teve, em média, 15 pagamentos por dia neste ano, até outubro, de indenizações por invalidez permanente por meio do DPVAT, sigla para o conhecuido seguro público obrigatório para Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre ou por sua Carga a Pessoas Transportadas ou Não.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (26) por meio da seguradora que administra o fundo indenizatório do tributo, antes pago em conunto com o IPVA, imposto sobre veículos, e agora cobrado à parte dos portadores de carteira de motorista.

Segundo os números, o Estado teve, até o referido mês, 4.498 indenizações pagas por conta de invalidez permanente de vítimas de acidentes de trânsito. É o maior número de indenizados ante as 775 pessoas que tiveram pagas suas despesas médicas e outras 488 indenizados por morte.

Ou seja, entre janeiro e outubro, Mato Grosso do Sul teve 5.761 indenizações pagas por meio do DPVAT, segundo os dados da seguradora responsável, fazendo o Estado ficar à frente apenas do Distrito Federal no quesito em toda a Região Centro-Oeste (veja números abaixo).

O número de indenizações por invalidez permanente pagas é mais que o dobro dos outros tipos de segurados. Na média, para cada indenizado por morte ou despesas médicas, outros dois são contemplados por invalidez.   

Apesar dos números grandes, Mato Grosso do Sul consegiu, no entanto, reduzir o número de indenizações pagas na comparação com o mesmo período em 2017. De acordo com os dados, entre janeiro e outubro de 2017 foram 6.293 indenizações, 351 a mais que este ano.

A seguradora não divulga dados regionalizados sobre os agentes causadores dos acidentes, mas, nacionalmente, a maioria dos acidentes envolvem motos, 75% ao todo. Tendência que se mantém no Centro-Oeste.

OS NÚMEROS ABSOLUTOS

INDENIZAÇÕES POR MORTE
Goiás - 1.405
Mato Grosso - 973
MATO GROSSO DO SUL - 488
Distrito Federal - 272
CENTRO-OESTE - 3.138
BRASIL - 32.193
DADOS MS 2017 - 502


INDENIZAÇÕES POR INVALIDEZ PERMAMENTE
Goiás - 10.711
Mato Grosso - 6.922
MATO GROSSO DO SUL - 4.498
Distrito Federal - 1.145
CENTRO -OESTE - 23.276
BRASIL - 184.397
DADOS MS 2017 - 5.009


INDENIZAÇÕES PAGAS PARA DESPESAS MÉDICAS
Goiás - 3.374
Mato Grosso - 1.126
MATO GROSSO DO SUL - 775
Distrito Federal - 374
CENTRO-OESTE - 5.649
BRASIL - 51.960
DADOS MS 2017 - 782

*Dados entre janeiro e outubro apenas

OBRA ESTRUTURANTE

Riedel prevê R$ 36 milhões para obra que levou asfalto a amigos de Lula

Secretário de obras do Estado informou que a meta é ampliar a Avenida Wilson Paes de Barros, nos fundos do aeroporto de Campo Grande, em meio a pastagens e lavouras

19/09/2026 13h00

Asfalto da Avenida Wilson Paes de Barros acaba na entrada de uma chácara e a meta é ampliar a via até o anel viário

Asfalto da Avenida Wilson Paes de Barros acaba na entrada de uma chácara e a meta é ampliar a via até o anel viário

Continue Lendo...

Em anúncio feito nesta sexta-feira (19), o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul, Guilherme Alcântara de Carvalho, prometeu dar continuidade a uma obra que consumiu quase R$ 100 milhões e levou asfalto a uma região urbana de Campo Grande onde só existem plantações de soja, criação de bovinos e de equinos. 

Atualmente, a avenida Wilson Paes de Barros, nos fundos do aeroporto de Campo Grande, liga a Avenida Duque de Caxias à região do Bairro Santa Emília. Próximo deste bairro foi implantada uma grande rotatória e em uma das saídas foi construída uma pista que por sua vez dá acesso à região do Indubrasil e novamente à Duque de Caxias.

Desde o começo do projeto já existia a previsão de, futuramente, fazer uma nova via ligando esta rotatória ao anel viário de Campo Grande, em uma via paralela à Lúdio Martins Coelho (Marginal Lagoa). Se a promessa do secretário Guilherme Alcântara sair do papel, serão mais cerca de 2,5 quilômetros de uma uma ampla avenida asfaltada no meio de pastagens e lavouras.

Em alguns trechos, o tráfego da avenida Wilson Paes de Barros está liberado faz quase dois anos, mas até agora não existe iluminação pública, apesar do faturamento milionário da Cosip em Campo Grande. Somente em julho a administração municipal arrecadou R$ 21,8 milhões com a cobrança relativa à iluminação pública.

Asfalto da Avenida Wilson Paes de Barros acaba na entrada de uma chácara e a meta é ampliar a via até o anel viário Tráfego na Wilson Paes está liberado há cerca de dois anos, mas a via segue sem iluminação pública

Outra parte deste projeto, que inicialmente foi orçado em R$ 84 milhões e foi bancado por recursos federais, está liberado para o tráfego há cerca de oito meses, já que faltava concluir a ponte sobre o córrego Imbirussu, mas também está sem iluminação pública. Neste trecho, nem mesmo rede de energia existe.

O anúncio do secretário Guilherme Alcântara ocorreu durante evento organizado pela prefeita Adriane Lopes (PP) para assinar ordem de serviço para acrescentar cinco equipes aos serviços de tapa-buracos nas ruas de Campo Grande, que estão tomadas pela buraqueira desde o começo do ano.

Sem dar maiores detalhes, o secretário informou que o novo trecho da avenida está estimado em R$ 36 milhões e que a principal finalidade é desafogar o tráfego na Avenida Lúdio Coelho que, segundo ele, está sobrecarregada em horários de pico.

Embora liberada para o tráfego faz cerca de dois anos, a avenida, que se caracteriza por ser a maior obra da gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), nunca foi inaugurada oficialmente e até agora nenhum investimento privado foi feito ao longo de seu percurso. As margens seguem tomadas por pastagens e lavouras.

COINCIDÊNCIA

O curioso é que os investimentos levaram e agora vão levar novo trecho de asfalto para uma série de propriedades rurais de Glaucos da Costamarques e José Carlos Bumlai, que ganharam notoriedade nacional por conta de sua proximidade com o presidente Lula. Tanto Adriane quanto o governador Eduardo Riedel (PP) são rivais políticos do presidente. 

O primeiro é vizinho e o segundo é amigo do presidente Lula. Durante a operação Lava Jato, em 2015, o pecuarista Glaucos apareceu amplamente na mídia nacional por ser vizinho de porta de Luiz Inácio Lula da Silva. À época, Lula morava no apartamento 122 do edifício Hill House, em São Bernardo do Campo. 

Lula também ocupava o apartamento de número 121, como uma espécie de depósito, embora não aparecesse em seu nome. Os procuradores do Ministério Público Federal concluíram que ele teria recebido o imóvel como propina paga pela Odebrecht.

Foi aí que apareceu o nome de Glaucos Costamarques como sendo o proprietário deste imóvel. Ele alegou que alugava o apartamento para Lula e sua família e que havia comprado o imóvel para fazer  um investimento.

Segundo a investigação da época, Glaucos apareceu na trama por ser primo de José Carlos Bumlai, que por sua vez era amigo pessoal de Lula e tinha até livre acesso ao Palácio do Planalto durante os dois primeiros mandatos do atual mandatário do Brasil. Bumlai chegou a ser preso e condenado a quase dez anos de prisão pelo então juiz Sérgio Moro.

Enquanto falta dinheiro para os serviços de tapa-buracos em praticamente todas as regiões de Campo Grande, a avenida no meio das pastagens está equipada com ampla ciclovia e passeio público. Até piscinões com capacidade para 90 milhões de litros foram construídos para conter a enxurrada numa região onde praticamente não existe declive. Prova disso é que o aeroporto foi instalado na planície.

CHÁCARAS

Glaucos da Costamarques tem quatro propriedades que margeiam a nova avenida. Juntas, somam em torno de 180 hectares, área suficiente para cerca de 3,5 mil terrenos de 360 metros quadrados cada (12 por 30)

Embora localizadas em área urbana, a justiça lhe garantiu isenção de IPTU, uma vez que recolhe ITR, que é o imposto sobre imóvel rural, com valor muito menor. 

Ele recorreu à Justiça e conseguiu se livrar da cobrança de R$ 1.289.467,82 sobre uma das chácaras, de 75 hectares. De outra delas, esta com 81,5 hectares, conseguiu escapar de cobrança de R$ 1.188.775,68. A administração municipal entendia que ele deveria pagar IPTU, mas ao comprovar a criação e venda de gado no local, foi isento pelo Judiciário. 

Tem ainda uma quinta propriedade da família de Glaucos, registrada em nome de sua esposa, Regina Bruno Costamarques, que também foi indiretamente beneficiada pelo novo asfalto. Neste caso, porém, a benfeitoria não é limítrofe ao imóvel com cerca de 30 hectares. Este fica na margem direita do Córrego Imbirussu, nas imediações do Núcleo Industrial. 

Asfalto da Avenida Wilson Paes de Barros acaba na entrada de uma chácara e a meta é ampliar a via até o anel viário Avenida é dotada de passeio público, mas praticamente só bovinos transitam ao longo de seu percurso

E, além do vizinho, o amigo de Lula, o também pecuarista José Carlos Bumlai, tem propriedade na região que também foi indiretamente beneficiada pela obra já concluída e que agora será beneficiada diretamente pela avenida que o Governo do Estado promete implantar. 

Esta chácar tem em torno de 80 hectares e a a partir do momento em que chegarem as redes de água e energia, acompanhados dos loteamentos, as terras todas passarão a ter outro patamar de preço. 

Antes dos investimentos, a estrada que hoje virou a suntuosa Avenida Wilson Paes de Barros era sinônimo de descarte irregular de lixo e de cadáveres humanos. No dia 24 de julho de 2023, por exemplo, dois corpos carbonizados foram encontrados no interior de um Ford Fiesta destruído pelas chamas. A investigação apontou que foram vítimas de guerra de traficantes. 

A licitação para as obras foi concluída em agosto de 2022, quando Jair Bolsonaro ainda estava na presidência. O vencedor foi uma empreiteira do Espírito Santo, Engevil. Em Campo Grande, o comando do Executivo já estava nas mãos da bolsonarista Adriane Lopes quando as obras começaram. 

A justificativa da administração municipal para fazer o megainvestimento no meio de lavouras e pastagens é de que se trata de implantação de vias estruturantes. Do projeto também fizeram parte a pavimentação, drenagem e recapeamento de ruas nos bairros Nova Campo Grande e Jardim Carioca. 

No total, foram executados 13,3 quilômetros de asfalto, 15,2 quilômetros de drenagem e 11,6 quilômetros de ciclovia. Além disso, três piscinões para armazenar água da chuva. 

Asfalto da Avenida Wilson Paes de Barros acaba na entrada de uma chácara e a meta é ampliar a via até o anel viário Previsão é que o governo estadual dê sequência ao asfalto que acaba na rotatóris (centro da imagem) até o anel viário (BR-262)

Tragédia

Sobe para cinco o número de mortos em acidente na BR-163

Quinta vítima foi confirmada pela Prefeitura de Eldorado na manhã deste sábado (19); acidente envolveu van da Secretaria de Saúde e carro de passeio

19/09/2026 12h15

Foto: Portal do Conesul.

Continue Lendo...

O número de mortos no acidente entre uma van da Secretaria Municipal de Saúde de Eldorado e um carro de passeio subiu para cinco. A confirmação foi feita pela Prefeitura de Eldorado em nova nota oficial divulgada na manhã deste sábado (19). A vítima mais recente é Silvani Alves de Oliveira, que estava na van.

Segundo a administração municipal, a van transportava oito pessoas quando se envolveu na colisão frontal com o carro de passeio, na tarde de sexta-feira (18), no quilômetro 72 da BR-163, em Itaquiraí, no sul de Mato Grosso do Sul.

Além de Silvani, morreram na van Odair Torres e Edimárcia Oliveira. No carro de passeio estavam Jildson Vera Martins, morador da Aldeia Cerrito, em Eldorado, e Edimilson Lopes, morador da Aldeia Porto Lindo, em Japorã.

O acidente provocou o tombamento da van e deixou outras seis pessoas feridas. Três delas estavam em estado considerado grave, conforme informações repassadas anteriormente. A colisão também provocou a interdição parcial e total da rodovia por cerca de quatro horas, com congestionamento de aproximadamente dez quilômetros.

A van retornava para Eldorado após transportar pacientes que haviam buscado atendimento médico em Dourados, cidade localizada a quase 200 quilômetros do município.

A Prefeitura de Eldorado informou, na nova nota, que as circunstâncias do acidente continuam sendo apuradas pelas autoridades competentes. O município afirmou que divulgará apenas informações confirmadas, para evitar especulações sobre a dinâmica da colisão.

BR-163

Com a quinta morte, o acidente passa a integrar a recente sequência de ocorrências graves na BR-163. Em pouco mais de um mês, três grandes acidentes registrados na rodovia deixaram ao menos 13 mortos.

O primeiro ocorreu em 16 de agosto, entre Campo Grande e Bandeirantes, quando uma colisão envolvendo três carros e dois caminhões deixou cinco mortos. Uma das vítimas foi socorrida, mas morreu posteriormente no hospital.

A nova ocorrência, em Itaquiraí, é a terceira tragédia de grandes proporções registrada no período na principal rodovia de Ms.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).