O Hospital Regional Rosa Pedrossian juntamente com o Estado de Mato Grosso do Sul terão o prazo de até 30 dias para adquirir todo o estoque de remédios e insumos de todas as farmácias e produtos de almoxarifado. A exigência é do Ministério Público Estadual (MPE) que instaurou pedido de urgência na compra dos materiais que há um mês está em falta no hospital.
No mês passado, o hospital foi alvo da operação Reagente, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que investigou prejuízos de, no mínimo, R$ 3 milhões na compra de produtos hospitalares.
Conforme o MPE, o pedido de urgência foi realizado por meio da 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública, e o Hospital Regional juntamente com o estado terá que garantir tanto o estoque quanto a renovação dele em todas as farmácias, central e satélite, almoxarifado e depósito com cronograma de aquisição prévia, para evitar novamente a falta dos medicamentos e demais insumos. Ainda conforme o MPE, caso o hospital e o estado não cumpra com a exigência, será aplicado multa diária no valor de R$ 50 mil.
Para saber se o Estado vai acatar a exigência do Ministério Público, a reportagem entrou em contato por telefone com o Secretário de Saúde do Estado Carlos Coimbra, mas ele não atendeu as ligações.
PACIENTES PREJUDICADOS
A falta de medicamento no HR prolongou aproximadamente até o Natal, celebrado no dia 25 de dezembro, o tratamento de quimioterapia do marido da dona de casa Elaine Biz, 35 anos. O ciclo de oito sessões, que encerra o tratamento, não foi iniciado, em razão da falta do medicamento Mesna, utilizado em pacientes com câncer.
OPERAÇÃO
O Gaeco estima prejuízos de mais de R$ 3 milhões aos cofres públicos envolvendo a compra de produtos hospitalares do HRMS. Na sexta-feira (30), foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, além de 14 de busca e apreensão na Capital, em Ribeirão Preto (SP) e em São Paulo (SP) – um deles, na casa do diretor-presidente do hospital, Justiniano Vavas, que acabou detido por posse irregular de arma de fogo.
Também foram presos o gerente de laboratório da instituição, Adriano César Augusto Ramires, e o empresário Luiz Antônio Moreira, dono da empresa de produtos hospitalares Neo Line. O terceiro alvo dos mandados de prisão preventiva não teve o nome divulgado.
Conforme o MPE, apenas dois mandados de prisão foram cumpridos. A ação desarticulou esquema de corrupção passiva e ativa e fraudes em licitações de materiais para exames laboratoriais na unidade de saúde.
REAGENTE
O nome da operação deflagrada pelo Gaeco tem relação com um dos materiais adquiridos fraudulentamente pelo Hospital Regional e refere-se a reagentes químicos utilizados na realização de exames laboratoriais
*Colaboraram: Natalia Yahn e Tainá Jara