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NOVO PLANO

Mobilidade urbana em Campo Grande passará por revisão

Prefeitura já procura empresa para estudar os fluxos de deslocamento na cidade; especialista sugere retirada de ônibus da Avenida Afonso Pena

29 JUL 19 - 08h:31EDUARDO MIRANDA

A Prefeitura de Campo Grande vai rever, a partir do ano que vem, o Plano de Mobilidade Urbana da cidade. Entender a forma como o morador da capital de Mato Grosso do Sul se desloca e harmonizar os fluxos é uma demanda do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e integra o programa Reviva Centro. O município pretende investir em torno de R$ 1,5 milhão no novo plano. A licitação, que será concluída até o fim deste ano, já está aberta. 

Depois de contratada, a empresa que for escolhida terá até 15 meses para a execução do plano. O objetivo da prefeitura e do BID é adaptar os deslocamentos dos carros, motos e também do transporte coletivo, conforme as transformações que estão sendo feitas por meio do Reviva. Assim como a Rua 14 de Julho – a primeira a ser revitalizada pelo programa –,
outra via poderia deixar de receber os ônibus: a Avenida Afonso Pena. A medida é defendida por especialista em transporte ouvido pelo Correio do Estado. 

Por enquanto, na Prefeitura de Campo Grande, a retirada dos ônibus da principal via da cidade, bem como a transferência dos veículos para ruas como 15 de Novembro, 7 de Setembro, Maracaju e Antônio Maria Coelho, ainda não é cogitada. A hipótese, porém, não é descartada e não será desprezada caso o novo plano aponte esta solução. 

“Já estudamos muito o fluxo da Avenida Afonso Pena e hoje podemos garantir que ela é somente uma passagem de um Ponto A para um Ponto B. Não é um ponto de convergência do transporte coletivo”, afirmou o especialista, que pediu para manter sua identidade em sigilo, alegando motivos éticos e de confidencialidade em sua profissão. Segundo ele, o ponto de convergência da mobilidade na Capital é o centro da cidade, mas não necessariamente uma rua específica. 

A Prefeitura de Campo Grande já fez um estudo prévio sobre o deslocamento de pessoas, também bancado pelo Reviva Centro. “Já foi feita uma pesquisa origem-destino, para entender o deslocamento das pessoas. E foi a partir dela que demos início à contratação da revisão do Plano de Mobilidade”, revela Catiana Sabadin, coordenadora especial da Central de Projetos do município.

A gestora da Central de Projetos – setor que comanda o programa Reviva Centro na prefeitura – adiantou que a região central, apesar das transformações dos últimos anos, em que houve aumento de demanda para outros bairros, ainda é o principal destino das pessoas em Campo Grande. 

O especialista diz que algumas soluções pregadas, como “salvação” para dar mais eficiência ao transporte coletivo, podem ter efeito mínimo se aplicadas e decepcionar usuários e as autoridades municipais. “Vias exclusivas para ônibus? Melhora o tempo da viagem um pouco, mas não atende à demanda do passageiro, porque as rotas como existem hoje foram pensadas há décadas e não foram atualizadas”, argumenta. 

“É importante destacar que vias importantes, como a Afonso Pena, tem, naturalmente, seu fluxo de pessoas e carros. A transferência das linhas de ônibus para vias transversais também poderia melhorar o movimento do comércio nelas”, acrescenta. 

BARATO E EFICIENTE

O especialista em transporte vê a desregulamentação dos horários como a solução mais barata e eficiente para melhorar não somente o transporte coletivo em Campo Grande, mas toda a mobilidade urbana da cidade, proporcionando redução no tempo das viagens em qualquer veículo. 

“Por exemplo, podemos estabelecer horários diferentes para início das atividades nas escolas particulares, municipais, estaduais, no comércio e no poder público. A partir das 6h45min, cada uma começaria em um horário diferente”, analisa. 
Além de pulverizar os horários de pico no início e no fim do dia, a desregulamentação poderia reduzir os custos do Consórcio Guaicurus, que concentra a atuação de sua frota no início e no fim do dia e tem de arcar com o custo da ociosidade de veículos e de motoristas nos contraturnos. 

Grupo de passageiros e consórcio resistem a mudanças

Enquanto o novo Plano de Mobilidade Urbana de Campo Grande não é contratado, autoridades e executivos ligados ao setor do transporte são contra a retirada dos ônibus da Avenida Afonso Pena. Pudera. A via está prevista no projeto de Corredores de Ônibus de 2012, que começou a ser implantado em 2017, financiado pelo antigo Programa de Aceleração do Crescimento. 

É este mesmo projeto que financia os corredores cujas obras estão em andamento, nas ruas Brilhante, Guia Lopes (construída pelo Exército) e na Avenida Bandeirantes (executada pela Engepar). 

O representante da União Sul-Mato-Grossense dos Usuários do Sistema Integrado deTransporte Urbano e Estadual Rodoviário (Ussiter), Antônio Duarte, que trabalhou como motorista de ônibus entre os anos de 1989 e 2000, diz que a retirada dos ônibus da Afonso Pena é inviável. “Na verdade, é preciso modificar a via para comportar o ônibus. O canteiro precisa ser diminuído entre 1 metro e 1,5 metro. Mesmo que sejam feitas obras em outros corredores, da Brilhante e Bandeirantes, por exemplo, se não arrumarem a Afonso Pena, não terá resolutividade”, alega.

João Resende, diretor do Consórcio Guaicurus, também é contra a retirada dos ônibus da Afonso Pena. “Acredito que deve ser revisto inclusive o tombamento do canteiro central, pois há um projeto para aumentar o corredor”, afirma.
(Natalia Yahn)
 

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