Cidades

ABAIXO-ASSINADO DA POLÊMICA

Lojistas buscam adesão e grupo protesta contra internação compulsória

Opiniões contrárias marcaram manhã no Centro da Capital

RAFAEL RIBEIRO

23/02/2019 - 15h42
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A manhã no Centro de Campo Grande foi de embate ideológico entre os organizadores do polêmico abaixo-assinado organizado pelos lojistas que pedem a criação de uma lei que obrigue a internação compulsória de moradores de rua da Capital e entidades de direitos humanos, de classes de psicológos, políticos e até a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MS), que organizaram um protesto contra a ideia.

Pelo lado dos lojistas, houve a coleta das assinaturas para declarar apoio ao "Menos andarilhos, mais segurança!".

Já pelo lado dos opositores à ideia, cerca de 100 pessoas - segundo os organizadores - se colocaram no mesmo ponto onde estava havendo coleta de assinaturas, com o objetivo de conscientizarquem por ventura planejava demonstrar seu apoio.

Apesar das divergências, o clima foi pacífico durante todo o período da manifestação.

CHAMOU A ATENÇÃO

O abaixo-assinado foi lançado em conjunto por Conselho de Segurança do Centro de Campo Grande, Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDLCG) e a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas em Mato Grosso do Sul (FCDL).

Apesar da manifestação positiva nas redes sociais, a página contava com 137 assinaturas até a publicação desta reportagem. Eram 123 ontem - a meta é 1.500.

"Ação que promova o retorno de estrangeiros e cidadãos de outros municípios às suas origens, além do fim da distribuição de esmolas e alimentos nas ruas da Capital", diz o texto de apresentação do abaixo-assinado.

"Fizemos estudos e detectamos que Campo Grande tem cerca de 1,5 mil moradores em situação de rua. Existem problemas com usuários de drogas, existem problemas de drogas, existem transtornos mentais", disse Adelaido Luíz Spinosa Vila, ex-presidente do Conselho de Segurança e atual líder da FCDL.

Segundo ele, o debate vai ser levado aos vereadores e deputados estaduais como uma forma de enfrentar o crescimento de roubos e furtos, principalmente nas cercanias da Antiga Rodoviária, onde se concentra o problema, "para uma solução efetiva do problema e pela segurança dos campo-grandenses."

"É uma doença. E se a gente não agir agora no começo vamos perder a mão", disse Vila.

O trabalho começou, segundo o líder lojista, quando 22 integrantes do Conselho avaliaram as condições dos moradores de rua de Campo Grande. "A maioria são pessoas que vêm de fora, principalmente do Nordeste, em busca de uma vida melhor. São atraídos para funções em contrução civil e lavouras no interior e demitidos depois de um curto período. Acabam despachados aqui para a Capital depois", explicou.

Sem alternativas e com vergonha de voltarem fracassados para a casa, acabam virando alvo fácil de traficantes, que oferecem a droga como forma de aliviar o sentimento ruim. "Houve um aumento de 30% na população de rua em relação a 2017. Sempre ajudamos como podemos, comprando passagens, mandando algumas dessas pessoas de volta para suas famílias", disse.

Ainda de acordo com Vila, as críticas geradas são compreensíveis, mas o objetivo é chamar a atenção. "Estamos falando de seres humanos. Pessoas que tinham um objetivo de vida. Muitas delas tinham objetivo, queriam trazer seus familiares, ter uma vida melhor. Mas do jeito que está hoje não pode continuar. É uma doença. Chama-se a polícia, prende, solta. É um trabalho de faxina. E polícia não é faxineiro. Queremos chamar a atenção dos poderes, como o Ministério Público do Trabalho, para que fiscalize a atuação de quem contrata essas pessoas", disse.

REAÇÃO

A primeira reação contrária pública sobre a proposta veio da OAB/MS, que divulgou dura nota contra o que considera "práticas de higienização social."

"Viemos a público emitir nota de pesar e total repúdio em face da iniciativa atentatória adotada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande e pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas em Mato Grosso do Sul ao encabeçarem o abaixo assinado 'Menos andarilhos, mais segurança!', atitude essa totalmente contrária aos princípios que regem a dignidade da pessoa humana", diz o texto, assinado em conjunto pelo presidente da entidade, Mansour Elias Karmouche, além das comissões de Direitos Humanos, Segurança Pública e Direitos Sociais.   

"Tais 'iniciativas' além de coibirem o livre exercício do direito de ir e vir assegurada pela Constituição Federal, ainda incita a população a tomar medidas radicais, ilegítimas e injustas a pessoas que estão em situação de vulnerabilidade", completa a nota.

De acordo com a OAB/MS, "a adoção de políticas de 'higienização social' será duramente combatida pela seccional estadual." "Temos o compromisso claro de assegurar o Estado Democrático de Direito, não podendo ser omissa a atitudes que não vão de encontro às garantias fundamentais, ao Direito Constitucional e Internacional", aponta o texto.

POLÊMICA

Enquanto o abaixo-assinado ganha as redes sociais, o vereador Otávio Trad (PTB) se reuniu, na última terça-feira (19), com o secretário Municipal da Assistência Sociadel, José Mário da Silva, e com coordenador do Centro Pop, Artêmio Miguel Versoza. 

Na ocasião, o secretário e o coordenador do Centro Pop apresentaram dados referentes à população de rua da Capital que permitiram ao vereador elaborar projeto de lei apresentado na sessão ordinária desta quinta-feira (21) que cria o programa “Juntos Por Uma Nova Oportunidade”.

A proposta tem como objetivo fomentar e garantir a inclusão produtiva da população em situação de rua ou com trajetória de vida nas ruas, no Município de Campo Grande por meio da alocação no trabalho formal; inserção produtiva no âmbito do empreendedorismo e da economia solidária; exercício e desenvolvimento de atividades, capacitação ocupacional e frentes de trabalho nos órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal ou em instituições parceiras do Município e qualificação profissional.

Conforme o projeto, as pessoas em situação de rua que demonstrarem interesse em participar do programa e preencherem os requisitos poderão atuar nas áreas de: construção civil; indústria e comércio; serviços gerais e domésticos; jardinagem, paisagismo e limpeza urbana; artesanato, criação e moda e logística em eventos, turismo e gastronomia. O projeto também prevê a possibilidade de concessão de incentivos fiscais a empresas privadas que empregarem participantes do programa.

“Hoje, essa é uma questão social que atinge o país de maneira geral. Quem visita outras capitais percebe que o aumento da população em situação de rua é intenso, gradativo e preocupante, e o mesmo acontece em Campo Grande. Diante desse panorama, me reuni com secretário Jose Mário da Silva, solicitei dados que nos possibilitaram identificar o perfil, as justificativas para essas pessoas estarem nas ruas e percebemos que temos que tomar providências. Por isso, apresentamos hoje este projeto de lei que tem como objetivo a ressocialização das pessoas em situação de rua em Campo Grade.

SITUAÇÃO

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), cerca de 80% das pessoas em situação de rua são homens entre 18 e 50 anos de idade, e tanto homens quanto as mulheres apresentam baixo grau de escolaridade.

Atualmente, a Capital possui três frentes de atendimento às pessoas em situação de rua. Conforme determina a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, há o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), que é ofertado de forma continuada (24 horas) e programada com a finalidade de assegurar o trabalho social de abordagem e identificação das pessoas em situação de rua.

Em parceria com SEAS, há o trabalho desenvolvido no Centro Pop, que oferece atendimento de segunda a sexta-feira das 7h30 às 17h30. No local, as pessoas recebem alimentação, atendimento psicológico, além de auxílio para obtenção de documentos. Há ainda o Centro de Triagem do Migrante e População em Situação de Rua (CETREMI), a Casa de Apoio São Francisco de Assis e o Centro de Apoio ao Migrante (CEDAMI), que realizam serviço de acolhimento das pessoas em situação de rua.

De acordo com coordenador do Centro Pop, o local realiza em média 285 atendimentos por mês. Em casos de dependência química, as pessoas que aceitam receber tratamento médico são encaminhadas para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que desenvolve trabalho de recuperação do indivíduo e também o fortalecimento do vínculo familiar com objetivo de reintegrá-los ao núcleo familiar e à sociedade.    

Investimento

Estado renova frota de todas as forças de segurança pública

Investimento de R$ 174 milhões renova frota das forças de segurança e inclui veículos especializados para policiamento, resgate e combate a incêndios

26/06/2026 08h00

Viaturas novas que serão entregues às forças de segurança pública

Viaturas novas que serão entregues às forças de segurança pública Foto: Gerson Oliveira

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O governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), prepara-se para entregar 522 viaturas novas para as forças de segurança estaduais.
No evento, programado para terça-feira, em Campo Grande, serão entregues viaturas e equipamentos para as

Polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros e também para as Polícias Penal e Científica. 
Ao todo, o governo de Mato Grosso do Sul está investindo R$ 174 milhões apenas em viaturas, além de mais de R$ 2 milhões na renovação de parte do estoque de coletes balísticos e pistolas para as polícias. 

As viaturas que serão entregues pelo governo do Estado às forças de segurança são dos tipos mais variados: vários tipos de caminhões para os bombeiros, como de salvamento, caminhões bomba-tanque com versões otimizadas para resgate e combate de incêndios florestais, além de caminhões-baú, para transporte de animais, carretas e furgões. 

Para todas as forças há micro-ônibus, ônibus e veículos dos mais diversos, como automóveis de pequeno porte, modelos hatch e sedan, e também SUVs caracterizadas e descaracterizadas, além de viaturas URS (resgate e salvamento) e UTV (para pequenas funções). 

O governador Eduardo Riedel, que participará da cerimônia de entrega, ressaltou que o valor investido, de R$ 174 milhões, é recorde para o setor de segurança pública. 

“Temos uma política de investimento permanente em segurança pública. Vamos entregar mais de 500 viaturas para todas as polícias, para todo o Estado, um valor recorde para as forças de segurança, nas mais diversas especialidades”, afirmou. 

“Além dos investimentos em viaturas, armamento e equipamento e também na formação e valorização dos servidores – recentemente formamos mais 400 policiais civis –, temos uma ação coordenada de inteligência e integração para fazer frente, de forma firme e preparada, ao crime organizado”, destacou o governador Eduardo Riedel.

Os investimentos para a aquisição das viaturas têm várias origens, entre recursos próprios do governo e também verbas federais. Também há a participação de fundos para a área de segurança pública. 

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Esportes

Neymar desiste de ida ao FC Cincinnati, time da MLS nos Estados Unidos, diz site

Segundo o site norte-americano The Athletic, o clube desistiu das negociações após se frustrar com a lentidão em um possível movimento

25/06/2026 23h00

Neymar durante treino do Santos

Neymar durante treino do Santos Foto: Raul Baretta/Santos FC

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Uma das estrelas da seleção brasileira nesta Copa do Mundo, Neymar não está mais nos planos do FC Cincinnati, da Major League Soccer, a liga de futebol dos Estados Unidos, um dos países anfitriões do Mundial.

Segundo o site norte-americano The Athletic, o clube desistiu das negociações após se frustrar com a lentidão em um possível movimento.

Em abril deste ano, o veículo revelou que o FC Cincinnati havia iniciado conversas preliminares com o estafe do atleta. No entanto, a equipe nunca fez uma oferta oficial ao jogador.

"Neymar queria se juntar ao FC Cincinnati se as finanças pudessem ser acordadas. O diretor esportivo Chris Albright e o presidente Jeff Berding visitaram o Brasil em abril para se reunir com Neymar e seu pai, enquanto as negociações continuavam, dizem fontes", diz um trecho da reportagem publicada pelo The Athletic.

Neymar tem contrato com o Santos até o fim do ano e já pode assinar pré-contrato a partir da metade deste ano. Ainda segundo o site norte-americano, ainda está aberto a se transferir para outro clube da MLS caso a situação financeira estiver certa.

Nesta temporada, o camisa 10 do Santos e da seleção brasileira soma seis gols e quatro assistências em 15 partidas pelo time alvinegro. Ele voltou ao clube que o revelou no ano passado, após deixar o Al-Hilal, da Arábia Saudita.

Após o sucesso comercial de Messi no Inter Miami, os clubes da MLS passaram a focar em contratar estrelas globais como Marco Reus (Los Angeles Galaxy) e Son Heung-min (Los Angeles FC).

Outro ponto a ser destacado neste movimento de mercado é a busca dos times em atrair mais espectadores na preparação para uma negociação de direitos de mídia da em 2028 e 2029, pois o atual acordo da liga com a Apple termina no final da temporada 2028-29

O jogador da seleção entrou em campo pela primeira vez nesta Copa na última quarta-feira, 24, na vitória do Brasil sobre a Escócia por 3 a 0 pela 3ª rodada do Grupo C. Ele ficou fora dos dois primeiros jogos no Mundial pois se recuperava de lesão na panturrilha.

Com o resultado contra os escoceses, a equipe comandada pelo italiano Carlo Ancelotti garantiu o primeiro lugar da chave e vai conhecer o adversário da segunda fase do Mundial nesta quinta-feira, que será o segundo colocado do Grupo F. Os possíveis rivais são Holanda, Japão e Suécia.

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