Cidades

CONFLITO RURAL

Lideranças indígenas prometem resistir
à reintegração de Fazenda Buriti

STF deu retomada de posse para fazendeiros

RAFAEL RIBEIRO

02/03/2018 - 18h18
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A liderança dos indígenas terenas que ocupam área da Fazenda Buriti promete resistir à decisão da primeira turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve parecer do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) e determinou a posse de 13 mil hectares de terras em Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti aos produtores rurais.

Ao Portal Correio do Estado, Otoniel Terena, um dos portas-vozes das 12 aldeias e 6 mil famílias que moram na região, diz que a decisão foi ignorada, promete recorrer e aguarda posicionamento do governo federal sobre a questão.

"Recebemos, com muita indignação, essa decisão. Uma afronta. Os estudos antropológicos já atestaram que a área pertence aos índios", disse Otoniel, irmão de Oziel Gabriel, morto a tiros durante ação policial de reintegração de posse para remover os terenas da Fazenda Buriti em maio de 2013. "Criou-se uma rede de diálogos após aquele episódio", completou.

O recurso da União pretendia ampliar a Terra Indígena Buriti de 2 mil hectates para 15 mil hectares, sob o argumento de que a área pretendida é de ocupação tradicional dos terena. A primeira turma do STJ não conheceu o agravo interno por unanimidade, acompanhando o voto da relatora, ministra Regina Helena Costa. As terras judicializadas somam 27 fazendas e hoje estão tomadas por indígenas. 

A Terra Indígena Buriti foi demarcada em 1928, pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão que antecedeu a Funai, e homologada em 1991, com 2 mil hectares. O Ministério Público Federal (MPF) ainda pode recorrer da decisão. Funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) dizem que o órgão ainda não foi comunicado da decisão.

OCORRÊNCIAS

Seis pessoas são estupradas por dia em Mato Grosso do Sul

Dados da Sejusp mostram que, de janeiro até o dia 13 deste mês, 1.174 vítimas denunciaram ter sofrido violência sexual no Estado; um dos casos investigados ocorreu no Hospital Regional

15/07/2026 08h00

Foto: PCDF

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Por dia, seis pessoas são estupradas em Mato Grosso do Sul, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Somente neste ano, 1.174 vítimas denunciaram terem sofrido agressão sexual.

Conforme os dados da Sejusp, do dia 1º ao dia 13 deste mês, 51 vítimas denunciaram ter sofrido abuso. O mês com o maior número de registros neste ano até agora foi março, quando 221 pessoas alegaram terem sido estupradas.

Dos casos deste ano, 86% foram denunciados por mulheres (o que corresponde a 1.013 vítimas). Apenas 11% dos casos foram registrados por homens (132 pessoas).

Um dos dados mais impactantes é que grande parte das vítimas eram crianças ou adolescentes (76%). Jovens e adultos representam 20% dos casos.

Conforme a série histórica da Sejusp, que começa em 2016, o ano com o maior número de vítimas foi 2023, quando 3.003 pessoas denunciaram o crime de estupro no Estado. Desde então, porém, o número de vítimas tem reduzido ano a ano em Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, nos primeiros 13 dias deste mês, 14 pessoas afirmaram terem sido estupradas, praticamente um caso por dia. Desde janeiro, já são 329 vítimas, três a cada dois dias.

REGIONAL

Um dos casos em tramitação na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande é referente à denúncia de uma paciente que está internada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), na Capital.

A paciente, de 27 anos, denunciou o caso no sábado, mas o abuso teria ocorrido na sexta-feira, durante o plantão noturno.

Conforme a denúncia, a mulher estava internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital desde o dia 15 de junho, em decorrência de complicações relacionadas à gestação e ao período pós-parto.

Segundo a denúncia, o técnico de enfermagem que atendeu a paciente administrou medicamentos e, posteriormente, voltou ao leito dela, ocasião em que teria praticado o abuso sexual enquanto ela permanecia sob efeito da medicação.

A vítima afirmou que despertou durante o episódio, percebeu a presença do profissional e conseguiu identificá-lo antes que ele deixasse o quarto.

A paciente informou o ocorrido a uma técnica de enfermagem da equipe que assumiu o plantão seguinte. A profissional acionou a enfermeira responsável pela unidade e a psicóloga responsável do hospital para prestar assistência inicial à vítima.

Posteriormente, a paciente foi transferida da UTI para um quarto da maternidade, permanecendo acompanhada de familiares durante o restante do período de internação.

Ontem, dois dias após o registro da denúncia, o técnico de enfermagem, de 52 anos, foi preso pela 1ª Deam e deve passar por audiência de custódia na manhã de hoje.

O caso é investigado como crime de estupro de vulnerável.

Em nota, o HRMS informou que, “desde que tomou conhecimento da denúncia, na última sexta-feira (10), o profissional deixou de atuar na assistência aos pacientes. Na segunda-feira (13), foi formalizado seu afastamento das atividades”.

O hospital ainda instaurou sindicância para “apuração rigorosa dos fatos, assegurando ao profissional o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme determina a legislação vigente”.

“O HRMS prestou acolhimento e suporte à paciente e aos seus familiares, oferecendo toda a assistência necessária. O hospital esclarece ainda que na unidade de terapia intensiva (UTI) os cuidados assistenciais são realizados rotineiramente por dois profissionais”, trouxe nota do Hospital Regional.

“O HRMS reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência na apuração dos fatos e o rigor na adoção das medidas administrativas cabíveis, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar integralmente com as investigações”, complementou, em nota.

INFRAESTRUTURA

Em meio a suspeita de corrupção, MP cobra solução para tapa-buraco

A buraqueira foi alvo da Operação Buraco sem Fim, que identificou um grupo que fraudava a execução do serviço

15/07/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A operação tapa-buraco da Prefeitura de Campo Grande voltou a ser alvo do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

O promotor Fabio Ianni Goldfinger, da 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, instaurou um novo inquérito civil para acompanhar e fiscalizar as ações para o reparo no asfalto da Capital.

A iniciativa vem após a Operação Buraco sem Fim, que investigou esquema de corrupção envolvendo o serviço, que foi paralisado após a ação.

O processo busca encontrar uma solução definitiva para um problema que atravessa décadas, que são os buracos nas ruas da cidade.

Para o promotor, a malha asfáltica de Campo Grande sofre problemas “críticos” e “recorrentes”, como a baixa qualidade e a rápida deterioração das vias, o que exige uma “reorganização estrutural nas questões sobre os serviços de tapa-buraco”.

“A portaria considera a responsabilidade da prefeitura municipal na gestão sobre a malha asfáltica do município de Campo Grande e a necessidade da construção de um plano estrutural para o auxílio da resolução do problema das questões que envolvam ‘tapa-buraco’ junto à prefeitura municipal e os demais sujeitos institucionais e da sociedade”, afirma o promotor.

Goldfinger ainda reforça a necessidade de um diagnóstico “claro e preciso” do problema da estrutura para que seja feita a recomendação de caráter geral, tendo por objetivo orientar a atuação institucional para que as ações sejam resolutivas visando à “aplicação correta dos recursos públicos”.

Esta não é a primeira vez que o excesso de buracos nas vias desencadeia uma ação do MPMS. Ainda neste ano, o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) descobriu um esquema de corrupção milionário na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), envolvendo contratos de tapa-buraco na Capital. 

A Operação Buraco sem Fim cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão, incluindo dois servidores da prefeitura e o ex-titular da Sisep, Rudi Fiorese.

De acordo com o MPMS, a ação objetivou desarticular um esquema de desvio de dinheiro público que estava sendo realizado em contratos de infraestrutura em Campo Grande. Segundo levantamento do MPMS, entre 2018 e 2025, a empresa investigada, a Construtora Rial, acumulou contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02.

Antes disso, em 2023, a Operação Cascalhos de Areia investigou a atuação de uma organização criminosa voltada aos crimes de peculato, corrupção, fraude e lavagem de dinheiro relacionados com os contratos para manutenção das ruas não pavimentadas e locação de maquinário de veículos. Os valores ultrapassavam R$ 300 milhões.

Ruas esburacadas de Campo Grande voltam à mira do MPMS - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

PELAS RUAS

A insatisfação da população campo-grandense com a buraqueira na cidade não é algo recente. Basta andar um pouco pelos bairros para perceber que é difícil não encontrar um buraco na via.

Além do transtorno no trânsito, as erosões causam danos aos veículos. José Antônio, morador do Bairro Aero Rancho, contou ao Correio do Estado que precisou trocar de veículo três vezes por causa dos constantes danos causados pelos buracos.

“Eu tinha um Versa 2020 com uma mecânica caríssima e troquei por um Gol 2006, que tem uma mecânica mais barata, porque ninguém aguenta manter o carro. Também tinha uma Strada 2020 para mexer nas minhas obras, mas também vendi e comprei uma Saveiro 97. Não dá para andar de carro novo nessa cidade”, disse à reportagem.

Para ele, o sentimento de morar na Cidade Morena é de vergonha, não pela cidade, mas, principalmente, pelas vias.

“Eu sou campo-grandense, nasci aqui, tenho 62 anos e fui criado aqui, mas eu tenho vergonha. É o nosso dinheiro que vai para o lixo. Colocar remendo novo em trapo velho nunca funcionou. Eu acho que para mudar a cultura de uma nação, de um país, de uma cidade, a gente tem que mudar a nossa cabeça”, disse.

O problema também é observado por quem trabalha mais de perto. Evelen Arse é proprietária de uma borracharia sediada há um ano no Bairro Vila Carlota. A rua em frente ao estabelecimento é tomada por buracos, assim como muitas outras no bairro.

“A gente chegou aqui e já haviam alguns buracos que nunca foram tapados. Em pouco tempo, eles foram só aumentando. A gente que trabalha com borracharia observa que o movimento aumenta, principalmente nos serviços de vulcanização e no conserto de rodas quebradas”, contou à reportagem.

Para Denise Miranda de Souza, proprietária de um Pet Shop no Bairro Universitário há 11 anos, os buracos até chegaram a ser tapados em alguns trechos, mas, com as chuvas, eles são abertos novamente.

“O serviço é tão ruim que não dura uma semana. Meu carro está com as duas suspensões estragadas, mas nem vou arrumar agora, não adianta, eu ando de carro o dia inteiro”.

Ela contou que no bairro, cada rua tem, em média, 20 buracos e é comum observar os condutores realizando manobras para desviar. 

PROCEDIMENTO

Como uma das primeiras medidas, o MPMS recomendou que a prefeitura apresente, em até 20 dias, informações detalhadas sobre o planejamento e a execução da operação tapa-buraco, transparência, reincidência de buracos nos mesmos locais, falhas contratuais e a responsabilização das concessionárias contratadas para os serviços.

O município deve informar quais materiais e técnicas são empregados na recuperação do pavimento, como é realizado o controle tecnológico das obras e quais medidas são adotadas quando os reparos apresentam falhas ou necessitam de um novo serviço em um curto espaço de tempo.

A Prefeitura de Campo Grande foi procurada pela reportagem, mas não respondeu às questões feitas até o fechamento da edição.

*SAIBA

Após a Operação Buraco sem Fim, os contratos com a Rial foram paralisados.

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