Cidades

Conflito

Justiça entende que fazendeiro não teve intenção de matar adolescente indígena

O guarani-kaiowá Denilson Quevedo Barbosa foi morto em Caarapó

RENAN NUCCI

16/04/2018 - 09h25
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O fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves, acusado de matar a tiro o guarani-kaiowá Denilson Quevedo Barbosa, de 15 anos, na zona rural de Caarapó, não responde mais pelo crime de homicídio doloso. Com base em análise pericial, a juíza Cristiane Aparecida Biberg de Oliveira entendeu que o autor não teve objetivo de matá-lo,  apesar de ter confessado o disparo.

O homem alegou que já era noite quando percebeu os cães latindo para estranhos em sua propriedade e puxou o gatilho. Os laudos necroscópicos, de local, de arama e fragmento de projétil corroboraram com as declarações, motivo pelo qual passa a responder por homicídio culposo, quando não há intenção. Porém, ainda cabe recurso à defesa da vítima.

Os fatos ocorreram em fevereiro de 2013 na fazenda Sardinha, ao lado da aldeia Tey’ikue. A aldeia está localizada em terra indígena com aproximadamente 3,5 mil hectares, ocupada por cerca de 5 mil índios. O corpo de Denilson foi encontrado em estrada vicinal no dia 17 daquele mês, com ferimentos na cabeça.

Testemunhas relataram que ele e mais dois amigos haviam saído para pescar e, ao se aproximarem de um criadouro de peixes, foram abordados por três homens que se identificaram como funcionários de Orladino. Os jovens teriam sido ameaçados e fugiram, mas Denilson acabou detido, agredido e morto.

Apesar dos relatos destas testemunhas, foram colhidas ao longo do processo outros depoimentos e provas, a exemplo dos laudos periciais, que apontaram para novas circunstâncias. Conforme publicado no Diário de Justiça desta segunda-feira, está comprovado nos autos que Orladino não atirou para matar.

Em interrogatório, o fazendeiro admitiu o disparo, entretanto revelou que esta não era sua intenção, já que tudo ocorreu no período noturno em sua fazenda, em razão de ter ouvido os latidos de seus cães e sem avistar a localização exata da vítima. Uma das testemunhas declarou que pescava com o adolescente no rio, quando então os cachorros latiram e o réu surgiu correndo, efetuando os disparos.

O laudo de exame em local de morte violenta apontou que o ferimento que matou Denilson decorreu de disparo de arma de fogo na “região temporal esquerda da cabeça, imediatamente posterior a orelha”. Consta no laudo pericial que, “embora o projétil estivesse atingido a cabeça muito próximo à base da orelha, esta não foi ferida, o que sugere uma trajetória direcional em diagonal, da região posterior para o anterior da vítima”. 

O laudo necroscópico, por sua vez, constatou no crânio a presença de orifício de entrada em região temporal à direita provocada por projétil de arma de fogo sem saída. “Não há indício de disparo a curta distância. Assim, nos termos do parecer do órgão acusador, verifica-se que o disparo não foi efetuado a curta distância e nem a vítima foi atingida quando estava de frente para o acusado. Tratam-se, pois, de circunstâncias que comprovam a ausência de dolo do réu na prática do delito”, lê-se na decisão judicial. Deste modo, Orlandino deve responder por homicídio culposo e foi solicitada a redistribuição do caso às varas competentes.

TENTATIVA DE HOMICÍDIO

Homem fica inconsciente após ser agredido com pedradas na cabeça no bairro Mário Covas

Os agressores passaram a madrugada bebendo e usando entorpecentes, juntamente com a vítima

02/04/2026 16h45

Caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento (Depac) Cepol

Caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento (Depac) Cepol FOTO: Arquivo

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Na manhã desta quinta-feira (2), no bairro Residencial Mário Covas, uma moradora testemunhou um caso de lesão corporal grave. Diante da gravidade dos fatos, a mulher acionou o serviço de emergência para informar que, em frente à sua residência, dois indivíduos e uma mulher agrediam um homem. O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Cepol (DEPAC-CEPOL) como tentativa de homicídio qualificado com emprego de tortura ou outro meio insidioso.

De acordo com os relatos da moradora, os autores bateram na vítima com pedras grandes, na região da cabeça. Após as agressões, a pessoa ficou desacordada, aparentando estar em óbito. A solicitante indicou aos policiais o possível endereço dos rapazes.

Diante das informaçes, a equipe policial se deslocou até o local, onde realizou contato com os responsáveis pelos autores. O pai relatou que, ao acordar para ir ao trabalho, ouviu uma confusão nas proximidades, e foi informado por terceiros de que um indivíduo estaria sendo morto nas imediações.

Ele, então, suspeitou que a vítima pudesse ser seu filho. Em seguida, foi até o lugar indicado e constatou que seus dois filhos estavam agredindo uma terceira pessoa. Os rapazes foram apontados como autores do fato.

O pai não soube informar a motivação das agressões, acrescentando que seus filhos passaram a madrugada fazendo uso de bebida alcoólica e entorpecentes, juntamente com a pessoa que estaria sendo agredida, tendo o fato ocorrido nas primeiras horas da manhã.

A vítima foi socorrida pela equipe da Unidade de Resgate e Suporte Avançado (URSA) e encaminhada ao Hospital Santa Casa. Em razão da gravidade das lesões, os policiais não tiveram mais informações sobre a pessoa, já que esta se encontrava inconsciente no momento do atendimento.

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Ajuda federal

Governo Lula destina mais de R$ 1 milhão para enfrentamento da Chikungunya em Dourados

Os recursos são voltados à ações de assistência humanitária, voltados ao enfrentamento da doença em regiões onde foi decretada situação de emergência

02/04/2026 15h30

Ações integradas buscam eliminar os focos do mosquito transmissor em Dourados e no Estado

Ações integradas buscam eliminar os focos do mosquito transmissor em Dourados e no Estado Divulgação/SES

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O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), através da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), liberou R$ 1,3 milhão para ações voltadas à assistência humanitária no município de Dourados devido ao aumento de casos de Chikungunya na região. 

 A portaria com a liberação do valor foi publicada nesta quinta-feira (2) no Diário Oficial da União. Na última terça-feira (31), o Ministério já havia reconhecido a situação de emergência na cidade. Assim, a União poderia enviar recursos ao município de forma imediata, sem a necessidade de um plano de ação prévio. 

Como parte das ações, uma equipe de técnicos da Sedec foi enviada à região para ampliar o apoio às defesas civis, municipal e estadual. 

Diferente do que se pensa, a Defesa Civil não atua somente em eventos extremos como enchentes, chuvas intensas e secas. Em situações que envolvem risco à saúde pública, como surtos de doenças e situações que envolvem risco à saúde pública, o Governo Federal pode agir para apoiar os estados e municípios. 

Em uma semana, foram confirmados mais 172 casos da doença na cidade e 553 casos prováveis. Com o avanço dos casos, a Secretaria Estadual de Saúde (SES/MS) vai destinar 46.530 doses da vacina contra a chikungunya para Dourados e Itaporã, cidades com grande crescimento de casos. 

Desse total, 43.530 doses serão destinadas a Dourados e outras 3 mil a Itaporã, conforme definido pelo Centro de Operação de Emergências (COE).

Além do montante liberado especificamente ao município de Dourados, uma articulação dos deputados federais Camila Jara e Vander Loubet (PT/MS) destinou mais R$ 2,1 milhões vindos de verbas federais para conter a epidemia em Mato Grosso do Sul. 

A ajuda federal também prevê o envio e reforço do Exército Brasileiro para contribuir fisicamente nas ações. Ainda foi garantido o envio de equipes para a distribuição de cestas básicas e limpeza das caixas d'água nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó, diretamente impactadas pela doença. 

"Articulamos em Brasília o reforço do Governo Federal para conter o aumento dos casos. Neste momento, o que precisamos é da união entre o município e o estado para ampliar a força tarefa e ajudar a população. Estamos falando de vidas que estão sendo perdidas, essa união é fundamental e urgente", afirmou a deputada Camila Jara. 

No Estado

Mato Grosso do Sul já registrou 3.665 casos prováveis de chikungunya, sendo 1.764 confirmados no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), em 2026, segundo o Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. 

Esses números colocam o Estado na liderança em incidência nacional da doença, com 125,3 casos a cada 100 mil habitantes. 

Ao todo, já foram registrados sete óbitos pela doença, sendo cinco em Dourados, uma em Bonito e outra em Jardim. Entre as vítimas, três possuíam algum tipo de comorbidade. Destas ocorrências, seis foram em março e apenas uma em fevereiro. 

Na série histórica (2015 - 2026), este ano já é o segundo com mais mortes, ficando atrás apenas de 2025 (17), porém ainda há nove meses pela frente. 

Os municípios com mais casos confirmados de chikungunya são:

  • Dourados - 540 
  • Fátima do Sul - 502
  • Jardim - 234
  • Sete Quedas - 101
  • Bonito - 59
  • Aquidauana - 44

Em todo o Brasil, são 22.165 casos prováveis de Chikungunya, 15 óbitos confirmados e 13 em investigação. 
 

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